H.FOA orienta sobre prevenção, rastreamento e sinais de alerta do câncer de mama

Fazer exames sem apresentar sintomas, adotar hábitos que ajudam a reduzir riscos e procurar atendimento ao perceber uma alteração na mama são atitudes diferentes, mas que se encontram no mesmo ponto: aumentar as possibilidades de diagnóstico precoce do câncer de mama. 

A doença é o tipo de tumor mais frequente entre as mulheres brasileiras, desconsiderando o câncer de pele não melanoma, e permanece como a principal causa de morte por câncer na população feminina do país. Para os próximos três anos, 2026–2028, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos por ano, o equivalente a 71,57 diagnósticos para cada 100 mil mulheres. 

Os números de mortalidade também chamam atenção. Em 2025, foram registradas 21.668 mortes pela doença no Brasil, maior número da série histórica apresentada. Em dez anos, o total representa crescimento de 39%. 

É nesse cenário que o Hospital da Fundação Oswaldo Aranha (H.FOA) desenvolve a campanha de Outubro Rosa “Decida pela sua saúde”, acompanhada da orientação: “Entenda o que observar, quando buscar orientação e como agir”. 

Um dos pontos abordados pela oncologista do H.FOA Luciana Netto é uma diferença que nem sempre está clara para a população: prevenção e rastreamento não significam a mesma coisa. 

“Prevenção é quando adotamos medidas para tentar evitar que a doença aconteça. Apesar de pensarmos muito em hereditariedade quando falamos de câncer, apenas uma parcela dos casos é hereditária. A maior parte está relacionada também a outros fatores, e mudanças no estilo de vida, como alimentação saudável, controle do peso e atividade física, têm um papel importante”, explicou. 

Dados reunidos indicam que cerca de 30% dos casos poderiam ser evitados com hábitos de vida mais saudáveis. Entre os fatores observados na população feminina brasileira estão excesso de peso, sedentarismo e consumo de bebidas alcoólicas. 

O rastreamento entra em outro momento do cuidado. Ele é realizado justamente quando a mulher ainda não percebe sinais da doença. 

“Quando falamos de rastreamento, estamos falando de pessoas que não têm sintomas e fazem exames para tentar detectar uma doença ainda muito pequena, em uma fase precoce, quando temos mais possibilidade de sucesso no tratamento. A mamografia é um exame utilizado para esse rastreamento”, explicou Luciana. 

Essa antecipação ganha importância diante de outro desafio: parte significativa dos diagnósticos ainda acontece em estágios mais avançados. Segundo os dados apresentados, mais da metade dos casos é identificada nos estágios 3 ou 4. Entre mulheres de 20 a 29 anos, esse percentual chega a 68,3%. 

Quando o câncer de mama é identificado em fases iniciais, as chances de cura podem chegar a 95%. O diagnóstico precoce, porém, não depende apenas da realização periódica dos exames. Mudanças percebidas entre um rastreamento e outro também precisam ser investigadas. 

“Se a mulher notar um nódulo ou alguma alteração na mama, ela deve procurar atendimento médico. Mesmo que tenha feito recentemente uma mamografia de rastreamento sem nenhuma alteração, o surgimento de um sinal novo precisa ser avaliado. O médico vai definir se existe necessidade de uma nova mamografia ou de outros exames”, alertou a oncologista. 

O cuidado ganha ainda mais relevância no Sudeste, região que apresenta o maior risco estimado de câncer de mama no país, com 88,29 casos para cada 100 mil mulheres. O índice supera as estimativas das regiões Sul, Centro-Oeste, Nordeste e Norte. 

Além de chegar ao diagnóstico, o início do tratamento também permanece como um desafio. Pela legislação brasileira, pacientes atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) devem iniciar o tratamento em até 60 dias após a confirmação da doença. Historicamente, o tempo médio para o início do tratamento oncológico no SUS era ainda mais dilatado (ultrapassando os 120 dias em levantamentos anteriores). Com o avanço no monitoramento de dados, o monitoramento oficial apontou uma redução dessa média para 86 dias em 2025, mas ainda permanece acima desse limite. 

Para Luciana, informação também faz parte da capacidade de cada mulher tomar decisões diante de uma mudança percebida no próprio corpo. 

“Ter informação ajuda você a buscar atendimento quando necessário. Nesse Outubro Rosa, decida pela sua saúde”, concluiu. 

A proposta da campanha do H.FOA parte justamente dessa decisão: conhecer os fatores que podem ser modificados, realizar o rastreamento indicado e não esperar o próximo exame de rotina quando o corpo apresenta um sinal diferente. No câncer de mama, saber quando agir também faz parte do cuidado. 

 

Informa Cidade

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