Gestão de pessoas e sustentabilidade na trajetória de Sarah Dourado Gomes Lopes

Por Emiliano Macedo
Reduzir desperdícios, consumir menos energia e rever a escolha de materiais são decisões que parecem administrativas, até exigirem mudanças na rotina de quem trabalha. É nesse momento, quando uma orientação precisa chegar às compras, ao atendimento e à operação, que a sustentabilidade também se torna uma questão de gestão de pessoas.
A demanda por essas mudanças aparece em uma pesquisa de 2025 do SME Climate Hub, iniciativa internacional de apoio à ação climática de pequenos negócios. Entre 471 pequenas e médias empresas de sua comunidade, distribuídas por 53 países, 61% apontaram as expectativas dos clientes como motivação para agir sobre o clima, enquanto 58% consideraram a sustentabilidade um diferencial competitivo. Os resultados retratam as empresas participantes, já vinculadas à iniciativa, e ajudam a entender as pressões que chegam à gestão.
Para Sarah Dourado, administradora e mestre em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional, responder a essas expectativas envolve preparar as pessoas que colocarão as decisões em prática. Sua perspectiva aproxima responsabilidade ambiental e desenvolvimento humano, com atenção à comunicação, à distribuição de tarefas e à compreensão das dificuldades encontradas pelas equipes.
“Quando uma empresa decide mudar uma prática, precisa investir na capacitação da equipe e além disso, explicar o motivo e ouvir quem vai executar. Às vezes, a orientação parece simples para a gestão, mas quem está na operação encontra uma dificuldade que não foi considerada”, observa.

A análise encontra respaldo na discussão sobre qualificação profissional. Em um estudo publicado em 2025, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) aponta que as transições ambiental e digital ampliam a necessidade de novas competências nas pequenas e médias empresas, que já enfrentam dificuldades maiores do que as grandes organizações, para atrair e reter trabalhadores qualificados. Uma rotina de redução de desperdícios ilustra essa relação.
Antes de cobrar um resultado, é necessário identificar onde as perdas acontecem, quem acompanha o uso dos materiais e quais ajustes são possíveis, permitindo que os funcionários contribuam com informações do trabalho cotidiano. Na leitura de Sarah, a participação da equipe ajuda a tornar a orientação mais próxima das condições reais de execução.
“Quem utiliza um material todos os dias pode perceber um desperdício que não aparece para quem acompanha apenas os números. Abrir espaço para essa informação ajuda a entender o problema antes de escolher a solução”, explica.
Essa visão integrada das diferentes dimensões da gestão foi desenvolvida ao longo dos 21 anos em que Sarah atuou na Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso do Sul, com experiência em escolas da capital e do interior e no setor de folha de pagamento.
Durante três anos, exerceu as funções de secretária escolar e ordenadora de despesas em um centro educacional especializado no atendimento a pessoas com deficiência auditiva, conciliando responsabilidades administrativas, financeiras e operacionais.
Nesse período, incorporou práticas sustentáveis e alguns princípios de ESG (Environmental, Social and Governance Ambiental, Social e Governança) à gestão, fortalecendo sua compreensão sobre a importância de integrar eficiência administrativa, responsabilidade socioambiental e qualidade dos serviços prestados.
A experiência se soma à pós-graduação em Gestão Pública Municipal e ao mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional. Seu percurso acadêmico inclui um trabalho científico sobre resíduos em parques urbanos, apresentado em evento da área, aproximando a discussão sobre sustentabilidade do uso e da conservação de espaços coletivos.
Já a criação do programa Empreenda suas Emoções, voltado ao autoconhecimento, à tomada de decisão e ao desenvolvimento de mulheres, acrescentou uma frente dedicada ao desenvolvimento humano. É desse encontro que parte sua proposta de consultoria para pequenas e médias empresas, relacionando gestão emocional aos aspectos ambientais, sociais e de governança.
Nesse contexto, lidar com as emoções significa também compreender como a liderança e a equipe reagem às mudanças. Uma dúvida pode revelar falta de orientação, enquanto uma resistência pode sinalizar dificuldades na organização do trabalho. Em vez de serem interpretadas imediatamente como desinteresse, essas situações precisam ser compreendidas em seu contexto.
A conexão entre pessoas e sustentabilidade ganha sentido quando chega a esse nível de detalhe. Uma meta ambiental precisa se traduzir em tarefas compreensíveis, condições de execução e resultados acompanhados, com espaço para corrigir o que não funcionou. É nessa passagem entre a decisão e a rotina que Sarah concentra sua análise sobre o papel da gestão.
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