Violência moral cresce em Volta Redonda, aponta ISP

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Foto: Reprodução
Ex-companheiros aparecem entre as relações mais frequentes

Sul Fluminense – Os registros de violência moral tiveram comportamentos diferentes entre as principais cidades do Sul Fluminense em 2025. Enquanto Volta Redonda registrou aumento de 31,6% em relação ao ano anterior, Barra do Piraí, Barra Mansa e Resende tiveram queda. Os dados são do painel ISP Mulher, do Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio (ISP), e consideram casos de calúnia, difamação e injúria, classificados como violência moral.

Em Volta Redonda, segundo o ISP, foram 950 vítimas registradas em 2025, contra 722 em 2024. O aumento foi de 228 vítimas. Com isso, a cidade passou a concentrar 58,8% das 1.615 vítimas contabilizadas nas quatro cidades analisadas, frente a 47,7% no ano anterior.

A movimentação foi oposta nas outras cidades. Barra do Piraí passou de 239 para 178 vítimas registradas, queda de 25,5%. Em Barra Mansa, foram 277 em 2024 e 226 em 2025, redução de 18,4%. Resende teve queda menor, de 276 para 261 vítimas, ou 5,4%.

Os números fazem parte das estatísticas oficiais de violência contra mulheres produzidas pelo ISP a partir dos registros de ocorrência da Polícia Civil. Na metodologia do instituto, as quantificações consideram o número de vítimas. Uma mesma ocorrência pode envolver mais de uma vítima, por isso os números não correspondem necessariamente à quantidade de registros de ocorrência.

Mulheres de 30 a 59 anos concentram registros

O perfil das vítimas apresenta uma característica comum às quatro cidades. Em 2025, a faixa de 30 a 59 anos foi a mais atingida em todas elas.

Em Volta Redonda, foram 574 vítimas nessa faixa etária, o equivalente a cerca de 60% do total. Em Barra Mansa, foram 141; em Resende, 177; e em Barra do Piraí, 105.

Somados os quatro municípios, 997 das 1.615 vítimas contabilizadas tinham entre 30 e 59 anos, o equivalente a 61,7%.

A faixa de 18 a 29 anos apareceu em segundo lugar, com 355 vítimas. Mulheres com 60 anos ou mais somaram 170 casos. Também foram registrados casos envolvendo adolescentes e crianças, embora em número bem menor.

Ex-companheiros aparecem entre as relações mais frequentes

A relação entre vítima e autor também mostra a presença de vínculos anteriores ou atuais. Em Volta Redonda, a categoria ex-companheiro apresentou o maior número entre as relações identificadas, com 179 casos em 2025. Companheiros apareceram em 103 casos e parentes, em 145.

Em Barra Mansa, foram 40 casos envolvendo ex-companheiros e 30 envolvendo companheiros. Em Resende, os números foram 59 e 51, respectivamente. Em Barra do Piraí, 37 registros tinham ex-companheiros como autores e 22, companheiros.

Violência dentro de casa

O recorte mais amplo aparece na análise da 5ª Região Integrada de Segurança Pública (5ª RISP), que reúne 20 municípios e tem sede em Volta Redonda. A área é atendida pelo 10º BPM, sediado em Barra do Piraí; 28º BPM, em Volta Redonda; 33º BPM, em Angra dos Reis; 37º BPM, em Resende; e 2ª Companhia Independente de Polícia Militar, em Paraty.

No painel do ISP, a análise da variável ‘local da violência’ na 5ª RISP, em 2025, mostra a residência como o local mais frequente entre os casos com informação disponível. Foram 1.560 vítimas nessa categoria.

Na sequência aparecem “outros locais”, com 555 casos; via pública, com 484; ambiente virtual, com 272; e estabelecimento comercial, com 116. Outros 594 casos estavam sem informação sobre o local. Considerando apenas os 2.987 casos com local informado, a residência corresponde a 52,2% desse conjunto.

O dado ajuda a dimensionar uma característica da violência moral: embora calúnia, difamação e injúria possam ocorrer em espaços públicos ou virtuais, a residência foi o principal local informado no painel entre os casos analisados na 5ª RISP.

Violência moral

Para o ISP, a violência moral é formada por três tipos de crime: calúnia, difamação e injúria. A classificação integra a tipologia de violência contra a mulher utilizada pelo instituto em diálogo com a Lei Maria da Penha.

Os dados não permitem determinar, isoladamente, quantas mulheres sofreram violência moral e não procuraram a polícia. Eles retratam os casos que chegaram ao conhecimento da Polícia Civil e foram registrados, o que significa que pode haver subnotificação.

No recorte analisado, a mudança de Volta Redonda chama atenção: enquanto os registros caíram nas outras três cidades, o município teve aumento de quase um terço em apenas um ano.

Calúnia, difamação e injúria

A violência moral é uma das formas de violência previstas na Lei Maria da Penha e inclui três crimes contra a honra. Calúnia ocorre quando alguém atribui falsamente a uma mulher a prática de um crime. Difamação é atribuir a ela um fato que prejudique sua reputação, mesmo que não seja crime.

Já a injúria acontece quando a ofensa atinge diretamente sua dignidade ou seu decoro, como em xingamentos e humilhações. Os três crimes estão previstos no Código Penal e são justamente os que o Instituto de Segurança Pública reúne na categoria de violência moral.

Onde buscar ajuda

A mulher pode procurar uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) ou qualquer delegacia de polícia para registrar a ocorrência e buscar orientação. O Ligue 180 oferece orientação sobre direitos e serviços da rede de atendimento, recebe denúncias e funciona gratuitamente, 24 horas por dia. O serviço também atende pelo WhatsApp (61) 9610-0180. Em caso de emergência ou risco imediato, a orientação é ligar para o 190, da Polícia Militar.

Carol Berg

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