Super El Niño: Sul Fluminense entra na zona de alerta climático
Foto: Divulgação
Impactos variam conforme a região do Brasil
Sul Fluminense – O Estado do Rio de Janeiro e o Sul Fluminense estão na zona de maior imprevisibilidade do El Niño que se forma rapidamente no Pacífico. A NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) divulgou nesta semana atualização que elevou para quase 100% a probabilidade de formação do fenômeno até o fim de 2026, com especialistas já discutindo a possibilidade de um Super El Niño histórico. O último foi em 1870. A probabilidade de formação entre o fim de maio e julho chegou a 82%, ante 61% indicados em abril. A chance sobe para 98% nos meses seguintes.
Para o Sul Fluminense — que abrange Volta Redonda, Barra Mansa, Resende, Angra dos Reis, Paraty e Itatiaia —, o cenário aponta dois riscos simultâneos: chuvas intensas e concentradas nas encostas da Serra da Mantiqueira e da Serra do Mar, com risco de deslizamentos, e ondas de calor acima da média histórica nos períodos de estiagem. O fenômeno pode dificultar a formação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), com possibilidade de anomalias positivas de chuva no centro-sul do Rio de Janeiro e episódios de veranicos, dependendo da intensidade do fenômeno.
A velocidade com que as projeções evoluíram surpreendeu os meteorologistas. Em menos de duas semanas, o número saltou de 61% para 82% no trimestre maio-junho-julho, e para 98% no segundo semestre. As projeções do modelo climático europeu (ECMWF) indicam aquecimento da superfície do Pacífico próximo de +3,2°C até o fim de 2026, colocando o evento entre os três mais intensos desde o século XIX — potencialmente rivalizando com os Super El Niños de 1997-1998 e 2015-2016.
Os impactos variam conforme a região do Brasil. No Norte, o El Niño provoca diminuição das chuvas e favorece queimadas. No Nordeste, a redução das precipitações pode levar a episódios de seca severa. No Sul, o risco se concentra no excesso de chuva, enchentes e cheias de rios. O El Niño tende a fortalecer o jato subtropical e dificultar o avanço de massas de ar polar, favorecendo calor mais frequente e prolongado no Sudeste durante a primavera e o verão.
No Sul Fluminense, as regiões serranas e o litoral da Costa Verde concentram o maior risco. Itatiaia, que já registrou -6,8°C neste ano, e os municípios de Angra dos Reis e Paraty, com relevo acidentado e proximidade ao mar, são os pontos mais vulneráveis a chuvas concentradas em solos ressecados pelo inverno. O período mais crítico, segundo a MetSul Meteorologia, será o trimestre de setembro a novembro — justamente a transição entre o inverno seco e o início das chuvas de verão.
A população deve acompanhar os comunicados oficiais e o mapa de alertas meteorológicos, especialmente em períodos de chuva forte, calor extremo e risco de enchentes nos próximos meses.
Ana Carolina Garcia Berg de Marco




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