STF analisa nesta terça conversas entre Moraes e Vorcaro
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Fachada do Supremo Tribunal Federal, em Brasília
Brasília – O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) começa a analisar nesta terça-feira (15), a partir das 10h, o caso envolvendo as mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Os ministros deverão decidir se Moraes pode ser alvo de investigação a partir das informações encontradas pela Polícia Federal (PF) no celular do empresário.
A sessão será conduzida pelo presidente do STF e atual relator do caso, ministro Edson Fachin, e terá transmissão pela TV Justiça e pela internet.
Como será a sessão
O julgamento terá início com a leitura da ata da sessão anterior e as saudações de Fachin. Na sequência, o relator apresentará o relatório do processo.
Depois da manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), os ministros iniciarão a votação. O rito, no entanto, pode ser alterado caso algum integrante da Corte apresente uma questão de ordem ou solicite vista do processo.
O STF ainda não confirmou se Alexandre de Moraes participará da sessão. A presença do ministro Dias Toffoli também não está definida. Ele declarou-se impedido de participar de julgamentos relacionados ao caso Master.
Mensagens encontradas pela PF
O caso ganhou repercussão depois que a PF, durante a investigação que apura suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master e a tentativa de aquisição da instituição pelo Banco de Brasília (BRB), identificou contatos entre Vorcaro e um número atribuído a Moraes.
As conversas foram obtidas após a quebra do sigilo do celular do ex-banqueiro, preso em novembro do ano passado no âmbito da Operação Compliance Zero.
Segundo a apuração, Vorcaro teria enviado cerca de 50 mensagens ao número associado ao ministro antes de sua prisão.
Em uma das conversas, de 15 de novembro de 2025, o empresário demonstrou preocupação com o avanço das investigações e mencionou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Não há, contudo, indícios de que os dois tenham interferido na apuração.
No dia seguinte, Vorcaro também citou o então responsável pelo caso na Justiça Federal, juiz Ricardo Leite, e perguntou sobre a possibilidade de ser preso. Ele acabou detido em 17 de novembro por determinação do magistrado.
Relatoria passou para Fachin
As informações sobre as mensagens vieram a público após o então relator do caso Master no STF, ministro André Mendonça, retirar o sigilo do processo, em 1º de setembro, e encaminhar o material a Fachin.
Mendonça havia determinado o aprofundamento das apurações sobre os contatos de Vorcaro com Moraes. A medida provocou divergências dentro da Corte.
Moraes acusou Mendonça de direcionar a investigação por razões políticas e chegou a incluí-lo no inquérito das fake news. A decisão foi posteriormente desfeita por Fachin.
PGR defende anulação de relatório
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, que aparece citado nas mensagens, manifestou-se pela anulação do relatório da PF que identificou as conversas.
Para Gonet, Mendonça teria aprofundado a investigação sobre Moraes sem autorização prévia do plenário do Supremo. Segundo o entendimento da PGR, uma eventual apuração envolvendo um ministro da Corte deveria ser submetida ao colegiado antes de avançar.
O julgamento desta terça-feira deverá definir os próximos passos do caso e poderá estabelecer se haverá ou não investigação formal sobre a conduta de Moraes.
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Carol Berg





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