Rio tem 23 casos de tráfico de pessoas registrados pelo SUS
Foto: Agência Brasil 61
Rio de Janeiro – O estado do Rio de Janeiro registrou 23 notificações de tráfico de pessoas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em 2025, segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
O número coloca o Rio na quarta posição entre os estados com maior quantidade de registros no país. A Bahia lidera o ranking, com 172 notificações, seguida por São Paulo, com 42, e Rio Grande do Sul, com 32.
Ao todo, o Brasil registrou 433 casos de tráfico de pessoas notificados pelo SUS em 2025. A Bahia concentrou 39,7% dos registros nacionais.
O número registrado no país em 2025 é o segundo maior da série histórica, atrás apenas de 2023, quando foram contabilizadas 449 notificações.
Os dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) também apontam crescimento das notificações ao longo dos últimos anos. Em 2017, foram registrados 176 casos no país. Em 2025, o número chegou a 433.
Tráfico de pessoas no Rio
Com 23 notificações em 2025, o Rio de Janeiro ficou atrás de Bahia, São Paulo e Rio Grande do Sul. O levantamento mostra ainda que três estados não tiveram registros no período: Acre, Amapá e Rondônia.
Por que o SUS registra casos de tráfico de pessoas?
A relação com o SUS ocorre porque vítimas de tráfico de pessoas podem chegar aos serviços de saúde em razão de situações de violência, exploração, abusos físicos ou psicológicos e outras consequências relacionadas à condição de exploração. Profissionais da rede de saúde podem identificar essas situações e realizar a notificação aos sistemas oficiais de vigilância.
Essas informações são reunidas pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde. Por isso, os números do levantamento representam notificações feitas na área da saúde e não o total de investigações ou ocorrências policiais de tráfico de pessoas.
Dessa forma, os 23 registros do Rio de Janeiro em 2025 correspondem às notificações identificadas e registradas pela rede de saúde, e não necessariamente ao número total de vítimas de tráfico de pessoas no estado.
Confira os números de 2025:
Bahia – 172
São Paulo – 42
Rio Grande do Sul – 32
Minas Gerais – 25
Paraná – 24
Rio de Janeiro – 23
Ceará – 19
Paraíba – 12
Espírito Santo – 11
Goiás – 10
Pará – 10
Pernambuco – 10
Maranhão – 7
Mato Grosso do Sul – 6
Distrito Federal – 5
Rio Grande do Norte – 4
Roraima – 4
Alagoas – 3
Amazonas – 3
Paraná – 24
Santa Catarina – 3
Piauí – 3
Sergipe – 2
Tocantins – 2
Mato Grosso – 1
Acre – 0
Amapá – 0
Rondônia – 0
Cativeiros digitais
O Anuário de Segurança Pública também chama atenção para novas estratégias utilizadas por redes de tráfico de pessoas com o avanço das ferramentas digitais.
Aplicativos de mensagens e outras plataformas podem ser utilizados para atrair vítimas por meio de falsas ofertas de emprego, promessas de altos rendimentos e oportunidades de investimento.
O estudo cita o caso de dois brasileiros que viajaram para a Tailândia em 2025 após receberem propostas de trabalho na área de tecnologia. Eles foram posteriormente levados para Mianmar, tiveram os passaportes confiscados e foram mantidos em um complexo controlado por organizações criminosas.
Segundo o levantamento, as vítimas eram obrigadas a trabalhar em centros de aplicação de golpes digitais, conhecidos como “scam centres”, cumprindo jornadas exaustivas para aplicar golpes financeiros contra pessoas de diferentes países.
O anuário também cita dados que apontam aumento de 85% no fluxo de criptomoedas destinado a redes de tráfico humano no último ano, alcançando centenas de milhões de dólares.
luciano junior



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