Prisão de dono da Elgui Store reacende alerta para vítimas no Sul Fluminense
Ciudad del Este, Paraguai – A prisão de um empresário de 28 anos, apontado como responsável por um dos maiores esquemas de fraude já registrados no Sul Fluminense, voltou a chamar atenção para o caso e reacendeu o alerta entre vítimas na região. A detenção ocorreu no dia 18 de abril, em Ciudad del Este, mas continua gerando repercussão diante dos desdobramentos e da expectativa por avanços nas investigações.
O suspeito, Luiz Guilherme Silva Gonçalves, tinha 14 mandados de prisão em aberto por estelionato e é acusado de lesar dezenas — possivelmente centenas — de consumidores em cidades como Volta Redonda e Barra Mansa.
Segundo autoridades paraguaias, ele foi abordado durante uma fiscalização de rotina. O comportamento considerado fora do normal levou à verificação dos dados e, após contato com a Polícia Federal, foi confirmada a existência dos mandados expedidos pela Justiça do Rio de Janeiro. No dia seguinte, após procedimentos migratórios, ele foi expulso do Paraguai e entregue às autoridades brasileiras.
Foto: Reprodução Redes Sociais
O caso ganhou notoriedade na região a partir de 2021, quando veio à tona o esquema envolvendo a loja Elgui Store. A empresa atraía consumidores com anúncios de eletrônicos, como celulares, videogames e relógios digitais, vendidos a preços abaixo do mercado, principalmente por meio do Instagram.
Após o pagamento, geralmente à vista, os clientes recebiam prazos de entrega que não eram cumpridos. Os produtos não eram entregues e os valores pagos não eram devolvidos. À época, estimativas apontavam prejuízo superior a R$ 6 milhões, com impacto direto em diversas cidades do Sul Fluminense.
As investigações e ações judiciais relacionadas ao caso enfrentaram dificuldades ao longo dos anos, principalmente pela localização do suspeito e pela identificação de bens que pudessem garantir o ressarcimento das vítimas. Há indícios de que parte do patrimônio tenha sido ocultada ou transferida.
Em 2024, o empresário chegou a ser localizado em Ribeirão das Neves, em Minas Gerais, onde levava uma rotina aparentemente normal e teria retomado atividades comerciais. A reaparição mobilizou novamente vítimas, que passaram a se organizar em grupos para trocar informações e pressionar por respostas.
Com a prisão, a expectativa é que o processo avance e que novas informações venham à tona. Ainda assim, permanecem dúvidas sobre o destino dos recursos obtidos com o esquema, a possível participação de outros envolvidos e as reais chances de ressarcimento para quem foi prejudicado.
A Polícia Federal segue com as investigações, enquanto o caso continua sendo acompanhado por vítimas que aguardam desdobramentos após anos de espera por justiça.
luciano junior
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