Evandro Mesquita fala com exclusividade ao Diário do Vale
Foto: Divulgação
Rio de Janeiro – Ícone do rock nacional, o cantor, compositor e ator Evandro Mesquita (74) segue em plena atividade, mantendo uma agenda intensa de shows com a Blitz e conciliando trabalhos como ator. Com uma trajetória marcada por sucessos que atravessam gerações, como A Dois Passos do Paraíso, ele continua conquistando novos públicos sem perder a essência que o consagrou.
Também lembrado pelo personagem Paulão da Regulagem, da série A Grande Família, Evandro mantém a mesma energia atuando e reforça sua relevância na cultura brasileira. Em entrevista exclusiva ao Diário do Vale, ele falou sobre a carreira, as mudanças no cenário musical e histórias marcantes de sua trajetória.
DV: Como está a vida da Blitz? Agenda cheia, shows lotados, novos fãs?
EM: Estamos numa correria boa, mostrando o que a gente já fez e também o que vem fazendo agora, matando a saudade do público que acompanhou nossa história e também do público novo — irmãos mais novos, filhos que aparecem nos shows. Isso dá uma energia muito boa para a gente continuar na estrada.
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DV: A Blitz é sinônimo de alto astral e muita energia no palco. Qual o segredo para manter esse perfil por quatro décadas?
EM: Acho que tem a ver com o prazer de compor coisas novas, de tocar as músicas da nossa história, dos discos antigos. Esse contato com o público dá uma energia extra. No palco, o tempo para. A gente continua com muito prazer seguindo esse caminho, mostrando para plateias novas e também para aquelas que já nos acompanham há anos, sempre com alto astral e satisfação no que está fazendo.
DV: O Evandro hoje segue na base do “eu só ando a mil”, como diz uma das músicas da Blitz, ou está mais tranquilo, aproveitando outras coisas que não tinha oportunidade na correria dos anos 80 e 90?
EM: A correria diminuiu um pouco, sim. Mas hoje a gente é mais seletivo nessa correria, para correr bem e atingir os objetivos. Saber o que a gente quer dá um certo conforto e também resistência para enfrentar a estrada, tanto com o público novo quanto com o antigo.
DV: E o surfe, uma de suas paixões? Ainda se arrisca?
EM: Não tenho surfado. Estou com um joelho machucado, meio “joelho de vidro”. Operei quando tinha 19 anos, então hoje preciso ter mais cuidado com esportes. Fui parando com o futebol, com o surfe… Agora tenho me concentrado mais nos shows, que também exigem bastante. O show da Blitz é um grande exercício, então estou focado nisso.
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DV: Você, além de compositor, é um excelente ator. O que gosta mais de fazer: estar no palco com a Blitz ou atuar?
EM: A Blitz é sensacional, me renova a energia nos shows, pensar numa canção nova, num próximo disco, isso é muito legal. Mas atuar também… Eu adoro atuar em coisas boas. Tenho feito alguns trabalhos, poucos, mas muito legais, e sinto saudade de atuar com mais frequência. Por exemplo, A Grande Família, fiquei nove anos lá e era muito legal: o personagem, o elenco, a direção, a cidade cenográfica onde a gente gravava… tudo era muito bom.
DV: Em várias décadas de estrada, o que você acha que mudou no pop rock brasileiro?
EM: Antigamente tinha aquela estrutura de estúdios grandes, equipamentos que você não conseguia ter em casa. Hoje existe facilidade e velocidade para produzir e divulgar o que você faz. Por outro lado, também aumentou muito a quantidade de músicas e projetos. Então, o público acaba escolhendo mais. A música hoje tem muitas vertentes e alcança várias gerações e classes sociais.
DV: Os anos 80 foram um divisor de águas na história do rock nacional?
EM: Sem dúvida. Os anos 80 foram um divisor de águas. Você não ouvia músicas novas nas rádios com tanta frequência. Claro, já existiam bandas como 14 Bis e A Cor do Som, mas a Blitz chegou com uma proposta diferente, com outra sonoridade, letras mais irreverentes. A gente “chutou a porta” das rádios, das gravadoras e da TV, abrindo espaço para muitas bandas do underground que passaram a ter oportunidade de mostrar seu trabalho.
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DV: A história de “A Dois Passos do Paraíso” é deliciosa. É verdade que Miracema do Norte “não existia” e depois você descobriu que era real?
EM: É verdade. Eu achava que estava inventando uma cidade. Eu ia para Friburgo e via uma placa “Miracema”. Aí pensei: vou colocar “do Norte” para inventar essa cidade. Um dia conheci até o prefeito de Miracema do Norte e achei que fosse brincadeira, mas era verdade. Já fomos lá, inclusive — fica perto do Tocantins. E tem uma cidade próxima chamada Valparaíso, então as pessoas fazem várias conexões com a música.
O Arlindo Orlando era um amigo meu, com esse nome curioso, e acabei homenageando na canção. Tem também a influência dos radialistas, que a gente conhecia na época do teatro, aqueles locutores solitários, mas falando com todo mundo.
A música acabou ganhando várias interpretações do público, cada um com sua versão. Mas ela foi feita mesmo em Recife, quando estávamos com conjuntivite, depois de um problema com empresários locais. A gente estava com saudade de casa, da família, da namorada… Essa é a versão mais próxima da verdadeira.
DV: Para encerrar: Evandro e a Blitz, hoje, estão “a dois passos do paraíso”?
EM: A Blitz está, sim. Depois de altos e baixos, especialmente com a perda recente do guitarrista Rogério, a gente recuperou o prazer de estar na estrada com essa formação. É isso que nos faz felizes. E vamos que vamos. Blitz na área… sempre!
luciano junior



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