Nubank compra o Banco Porto Real para manter o nome ‘bank’

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Foto: Divulgação
Operação, sujeita à aprovação do Banco Central, permitirá que a fintech incorpore essa licença ao seu conglomerado e mantenha o nome “bank” sem restrições regulatórias

Sul Fluminense – Uma negociação fechada em silêncio, entre uma das maiores fintechs do mundo e um banco minúsculo do interior fluminense, colocou Porto Real no centro de uma das operações financeiras mais comentadas do mercado brasileiro. O Nubank anunciou na ultima segunda-feira (20) a compra de 100% do Banco Porto Real de Investimentos S/A — uma instituição com apenas R$ 32 milhões em ativos, especializada em crédito para o atacado, presidida pelo empresário Luiz Eduardo Tarquínio Monteiro da Costa, 74 anos, um dos bilionários mais discretos do Brasil.
O valor da transação não foi divulgado. Mas o motivo da compra é claro e tem a ver com regulação, não com ativos.

Por que o Nubank queria esse banco

O Nubank, que opera com 115 milhões de clientes em vários países, não é tecnicamente um banco — é uma instituição de pagamento, uma financeira e uma corretora de títulos. Nunca foi um banco no sentido regulatório. E durante anos isso não foi problema. Até que o Banco Central e o Conselho Monetário Nacional editaram a Resolução Conjunta nº 17, que disciplina o uso dos termos “banco” e “bank” no nome das instituições financeiras. A nova norma determina que quem usa esses termos precisa ter, de fato, uma licença bancária.
Para o Nubank, que tem a palavra “bank” no próprio nome e toda a sua identidade de marca construída em torno dela, a exigência criou um problema urgente. A solução mais rápida e eficiente não era criar um banco do zero — processo longo e burocrático — mas comprar um que já existisse. E foi exatamente o que fizeram.
O Banco Porto Real, com suas décadas de existência e licença bancária regularizada, era justamente o que o Nubank precisava. A operação, sujeita à aprovação do Banco Central, permitirá que a fintech incorpore essa licença ao seu conglomerado e mantenha o nome “bank” sem restrições regulatórias. Depois de concluída, a licença do Porto Real se somará às que o Nubank já possui — de Instituição de Pagamento, de Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento e de Corretora de Títulos e Valores Mobiliários.

Quem é a família por trás do banco

Para entender a dimensão do que está sendo vendido, é preciso voltar no tempo — e chegar até uma cidadezinha do Sul Fluminense.
Porto Real, às margens da Via Dutra, entre Volta Redonda e Resende, guarda a origem de uma das fortunas mais discretas do Rio de Janeiro. Foi lá que a família Monteiro da Costa construiu, ao longo de quase um século, um império empresarial que passou despercebido pela maioria dos brasileiros — mas que faz parte da lista de bilionários da Forbes.
A história começa em 1949, com a fundação da Companhia Fluminense de Refrigerantes, engarrafadora da Coca-Cola, instalada num prédio histórico de 1879 que antes havia abrigado o Engenho Central de Porto Real e outras indústrias de açúcar, álcool e cachaça. O casarão, assinado por arquitetos franceses, virou o coração econômico da cidade. Um estudo acadêmico chegou a falar em “um século de dependência” entre Porto Real e os negócios da família.
Nos anos 1960, Renato Monteiro da Costa, pai de Luiz Eduardo, comprou a engarrafadora e construiu a partir dela um grupo empresarial que virou sinônimo da própria cidade.
Em 1992, o grupo expandiu para o setor financeiro com a fundação do Banco Porto Real, que começou como banco comercial e se converteu em banco de investimento em 2001. A família acumulou ainda uma rede de postos de combustíveis e propriedades imobiliárias e agrícolas no estado do Rio.

O grande negócio da vida — e o fim da fábrica

Em 2013 veio a operação mais expressiva da trajetória da família. A Coca-Cola FEMSA — gigante mexicana e maior engarrafadora de Coca-Cola do mundo — pagou US$ 448 milhões pela Companhia Fluminense de Refrigerantes. A empresa vendia 56 milhões de caixas de bebidas por ano. A venda colocou Luiz Eduardo na lista de bilionários da Forbes, com patrimônio estimado em R$ 1,1 bilhão.
O desfecho da fábrica foi melancólico para a cidade. Em 2016, a FEMSA desligou as linhas de produção de Porto Real e demitiu mais de 200 funcionários. Em 2023, parte da fachada do prédio histórico desabou. O casarão de 1879, que por décadas foi o símbolo industrial de Porto Real, virou ruína.
A família, porém, já estava longe — administrando o restante dos negócios com a mesma discrição de sempre. Luiz Eduardo nunca deu entrevistas, nunca apareceu em público e nunca buscou os holofotes que sua fortuna poderia atrair.

Vinicius

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