Mulheres ganham até 22% menos que homens em empresas, aponta IBGE
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Levantamento faz parte do Cadastro Central de Empresas (Cempre) e analisou mais de 10,6 milhões de empresas e organizações em atividade no país em 2024
País – As mulheres continuam recebendo salários inferiores aos dos homens no Brasil, mesmo após a entrada em vigor da Lei de Igualdade Salarial. Dados divulgados nesta quinta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a disparidade é mais intensa nas empresas privadas e menor nas entidades sem fins lucrativos.
O levantamento faz parte do Cadastro Central de Empresas (Cempre) e analisou mais de 10,6 milhões de empresas e organizações em atividade no país em 2024. Em média, os homens receberam R$ 4,2 mil por mês, enquanto as mulheres tiveram rendimento médio de R$ 3,9 mil. Na prática, a remuneração masculina foi 16,6% superior.
O cenário mais desigual foi registrado nas empresas privadas. Nesse segmento, as mulheres receberam, em média, R$ 2.996,79 por mês, enquanto os homens ganharam R$ 3.838,67. Isso significa que a remuneração feminina corresponde a apenas 78,1% da masculina.
Na administração pública, a diferença também é significativa. As mulheres receberam, em média, R$ 4.967,51, contra R$ 6.058,19 dos homens, o equivalente a 82% dos salários masculinos.
Já nas entidades sem fins lucrativos, a distância salarial é menor. As mulheres tiveram rendimento médio de R$ 3.589,82, enquanto os homens receberam R$ 3.768,81. Nesse caso, a remuneração feminina corresponde a 95,3% da masculina.
Segundo a gerente de Análise e Disseminação do IBGE, Caroline Santos, o resultado pode estar relacionado ao perfil das atividades desempenhadas por essas organizações.
— Estamos falando de entidades que atuam fortemente em áreas como assistência social, saúde e serviços sociais, setores com maior presença feminina e que podem apresentar estruturas mais equilibradas em relação à remuneração — explicou.
A pesquisadora também destacou que a composição dos cargos ajuda a explicar as diferenças salariais. Mesmo com a Lei de Igualdade Salarial, sancionada em 2023, fatores como a menor presença de mulheres em cargos de chefia e interrupções na carreira relacionadas à maternidade continuam influenciando os rendimentos médios.
O estudo também mostra que o Brasil possuía, em 2024, cerca de 68 milhões de pessoas ocupadas em empresas e organizações, sendo 54,2 milhões de trabalhadores assalariados. Desse total, 9,5 milhões de registros eram empresas privadas, 1,1 milhão entidades sem fins lucrativos e 59,4 mil instituições da administração pública.
Em comparação com 2022, o número de empresas e organizações cresceu 12,5%, enquanto a quantidade de pessoas ocupadas aumentou 8,4%, indicando expansão do mercado de trabalho nos últimos dois anos. Com informações da Agência Brasil.
Ana Carolina Garcia Berg de Marco
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