Metalsul alerta para risco de desindustrialização com aço importado
Brasília – “O minério brasileiro atravessa o oceano de navio, é processado no exterior e volta como aço, muitas vezes 40% mais barato do que o aço produzido no Brasil. É impensável, é incabível.” Com esse alerta, o presidente do Metalsul, Jairo Rodrigues, resumiu nesta terça-feira (1º) uma das principais preocupações apresentadas pela entidade durante audiência pública da Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados sobre o avanço das importações de aço.
Jairo participou de forma on-line e levou ao debate a situação das pequenas e médias indústrias de transformação. Segundo o Metalsul, enquanto medidas de defesa comercial conseguiram alcançar parte do aço produzido pelas grandes siderúrgicas, a entrada de produtos de aço já transformados continua pressionando empresas que estão nos demais elos da cadeia.
Dados apresentados pela entidade mostram que as importações de arames, cabos, perfis, tiras e outros produtos processados de aço cresceram 95% entre 2019 e 2025, chegando a 821 mil toneladas, segundo a Abimetal-Sicetel.
Para Jairo, a discussão envolve não apenas competitividade, mas o próprio futuro industrial do país.
“Temos que fazer uma proteção do mercado interno. Temos que proteger a soberania do Brasil. Quando esse aço vem importado, ficam no outro país o desenvolvimento econômico, a inovação, a tecnologia e a qualificação. Esse é um problema do nosso futuro. Estamos acabando com a indústria de manufatura e virando um país de commodities”, afirmou.
Sul Fluminense concentra 36 mil empregos
A preocupação ganha dimensão ainda maior no Sul Fluminense. De acordo com dados do Novo Caged apresentados pelo Metalsul, o setor metalmecânico possui 106 mil empregos no Estado do Rio, sendo 36 mil somente no Sul Fluminense — 33,9% do total estadual e a maior concentração entre as regiões fluminenses, à frente inclusive da capital.
Além disso, 97% dos estabelecimentos do setor são micro e pequenas empresas, justamente as que, segundo o Metalsul, possuem menor capacidade financeira para enfrentar longos períodos de concorrência desequilibrada.
Jairo chamou atenção para a diferença entre o tempo necessário para uma resposta do poder público e a velocidade com que uma empresa pode perder sua capacidade de sobrevivência.
“Políticas públicas para defender a indústria podem levar dois, três e até quatro anos. Uma indústria quebra em quatro meses. Peço a esta comissão ações para proteger o setor metalmecânico e a indústria”, afirmou.
Entre as propostas apresentadas pelo Metalsul estão a extensão do monitoramento e dos mecanismos de defesa comercial para toda a cadeia do aço, incluindo os produtos transformados, e a criação de um gatilho de revisão baseado no crescimento do volume importado e na queda dos preços.
A entidade também defendeu maior isonomia concorrencial entre produtos nacionais e estrangeiros e medidas para enfrentar a carga tributária sobre quem produz no Brasil.
Para o Metalsul, a defesa da indústria não pode ficar restrita à imposição de barreiras às importações. É necessário criar condições para que as empresas brasileiras possam produzir com competitividade, segurança jurídica e previsibilidade.
A mensagem levada por Jairo à Câmara foi de que o impacto ultrapassa os balanços empresariais. “Não são 106 mil empregos. São 106 mil famílias”, reforçou o presidente do Metalsul ao defender medidas para preservar a indústria e sua cadeia produtiva no Estado do Rio.
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Vinicius
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