BC reduz Selic para 14,5% e mantém cautela com cenário externo
Foto: Marcello Casal Jr Agência Brasil
Decisão já era esperada pelo mercado financeiro
País – O Banco Central (BC) decidiu reduzir a taxa básica de juros, a Selic, para 14,5% ao ano, em decisão unânime do Comitê de Política Monetária (Copom). Este é o segundo corte consecutivo, em meio a um cenário de incertezas no cenário internacional e pressões sobre a inflação.
A decisão já era esperada pelo mercado financeiro. Entre junho de 2025 e março deste ano, a Selic permaneceu em 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas. O ciclo de queda teve início na reunião anterior, impulsionado por sinais de desaceleração inflacionária.
Apesar disso, o Copom alertou que a guerra no Oriente Médio tem impactado o cenário econômico global, especialmente com a alta nos preços de combustíveis e alimentos, o que dificulta o controle da inflação.
Em comunicado, o colegiado destacou o aumento das incertezas.
“As projeções de inflação apresentam distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária”, informou o texto, ao citar também a falta de clareza sobre a duração dos conflitos e seus efeitos econômicos.
A inflação segue como ponto de atenção. A prévia de abril, medida pelo IPCA-15, ficou em 0,89%, acumulando alta de 4,37% em 12 meses — próxima do teto da meta, que é de 4,5%. Pelo sistema de meta contínua, o objetivo central é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
As expectativas do mercado são mais pessimistas. Segundo o boletim Focus, a inflação deve fechar o ano em 4,86%, acima do limite da meta.
A redução da Selic tende a estimular a economia, ao tornar o crédito mais barato e incentivar o consumo e os investimentos. Por outro lado, juros menores podem dificultar o controle da inflação, o que exige cautela nas próximas decisões do Copom.
O Banco Central também enfrenta mudanças em sua composição. Dois diretores tiveram seus mandatos encerrados no fim de 2025 e ainda não foram substituídos. Além disso, o diretor de Administração se ausentou da última reunião por motivo pessoal.
O Copom não sinalizou os próximos passos da política monetária, indicando que novas decisões dependerão da evolução do cenário econômico e dos impactos das tensões internacionais sobre a inflação.
Ana Carolina Garcia Berg de Marco
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