Alerj alerta para golpes financeiros e violência contra idosos no Estado do Rio

Foto: Alerj
Dados do ISP, que apontam mais de 35 mil estelionatos em 2024, alertam para o fortalecimento de políticas públicas de proteção à pessoa idosa no estadoRio de Janeiro – No Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, celebrado nesta segunda-feira (15), a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) reforçou o alerta sobre os diversos tipos de violência que atingem a população idosa, com destaque para golpes financeiros, fraudes bancárias e abusos praticados por pessoas próximas às vítimas.
Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (Instituto de Segurança Pública), mais de 35 mil idosos foram vítimas de estelionato em 2024. No estado, cerca de 25% dos registros desse tipo de crime envolveram pessoas com mais de 60 anos.
O problema foi vivido pela aposentada Sandra Jeremias Raymundo, de 73 anos. Ao analisar documentos para a declaração do Imposto de Renda da mãe, a filha, Bianca Jeremias Raymundo, descobriu um empréstimo consignado que nunca havia sido contratado. A família também identificou que criminosos abriram contas bancárias em nome da idosa e transferiram benefícios previdenciários para uma nova conta.
Após reunir documentos, registros policiais e provas do golpe, a família ingressou na Justiça e conseguiu reverter a situação. Mesmo assim, o episódio deixou marcas.
— Minha mãe ficou muito abalada e hoje evita qualquer contato relacionado a bancos. Ela não atende mais ligações de números desconhecidos e prefere que eu cuide de toda a parte financeira — relatou Bianca.
Além dos golpes financeiros, os números revelam outro cenário preocupante: a violência praticada dentro do ambiente familiar. De acordo com o levantamento do ISP, mais da metade dos casos registrados envolve pessoas com algum vínculo próximo à vítima, como familiares, companheiros, amigos ou vizinhos. Em 63,3% das ocorrências, os crimes aconteceram dentro da própria residência do idoso.
O presidente da Comissão de Assuntos da Pessoa Idosa da Alerj, Munir Neto, destacou que a violência doméstica contra idosos ainda enfrenta barreiras relacionadas à subnotificação e ao medo de denunciar.
Segundo ele, agressões psicológicas, negligência, abandono e violência patrimonial estão entre os principais problemas enfrentados por essa população.
Novas leis reforçam proteção
A Assembleia Legislativa também tem discutido medidas para ampliar a proteção aos idosos. Um dos projetos em tramitação prevê mecanismos específicos para prevenir a violência patrimonial e financeira contra pessoas idosas.
Já a recente Lei Estadual nº 11.195/26 estabelece sanções administrativas para práticas discriminatórias contra idosos. A norma prevê multa para casos que violem a dignidade e os direitos dessa população, com os recursos destinados ao Fundo para Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa.
O deputado Anderson Moraes, autor da proposta, afirma que a medida busca fortalecer as garantias já previstas na legislação e combater situações de discriminação.
Como denunciar
A Alerj orienta que casos de violência contra idosos sejam denunciados pelos canais oficiais. O principal serviço é o Disque Idoso, pelo telefone 0800-023-9191.
As autoridades também recomendam atenção redobrada a ligações, mensagens e visitas de desconhecidos que solicitem dados pessoais, fotografias de documentos ou informações bancárias, práticas frequentemente utilizadas em golpes direcionados à população idosa.
Ana Carolina Garcia Berg de Marco
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