Volta Redonda promove evento em celebração ao ‘Setembro Surdo’
Foto: Cris Oliveira
Volta Redonda – A Secretaria Municipal de Educação (SME) de Volta Redonda realizou, nesta terça-feira (29), o encontro “Setembro Surdo: identidade, Libras, cultura e inclusão”. A atividade aconteceu no auditório Professora Alba Rodrigues Rangel, na sede da SME, no bairro Niterói, e reuniu alunos da Escola Municipal Professor Domingos Maia/Classe Bilíngue, familiares e servidores da rede.
O evento marcou as comemorações do Dia Nacional dos Surdos, celebrado em 26 de setembro, e do Dia Internacional do Intérprete de Língua de Sinais, celebrado nesta quarta-feira (30). A programação promoveu um espaço de diálogo sobre identidade surda, Língua Brasileira de Sinais (Libras), cultura, educação e inclusão.
Participaram do encontro o secretário municipal de Educação, Osvaldir Denadai; a chefe do Departamento Pedagógico, Patrícia Vidal; a coordenadora da Seção de Educação Especial, Elizabeth Melo; alunos da Escola Municipal Professor Domingos Maia e seus familiares; além de profissionais que atuam diretamente no atendimento aos estudantes surdos, entre eles os intérpretes de Libras Natália Maia e Isaque Moraes de Souza, profissionais do Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines).
Segundo a SME, a iniciativa teve como objetivo fortalecer a valorização da Libras, da identidade e da cultura surda, além de estimular o diálogo entre famílias, profissionais da educação e comunidade.
“A SME tem uma preocupação muito grande com a educação como um todo. Mas a questão da inclusão, em todos os sentidos, é especialmente relevante e está cada vez mais presente, para que possamos garantir a inclusão de todos os nossos alunos, com direitos sociais iguais. Hoje, estamos comemorando a data referente ao ‘Setembro Surdo’, que é mais uma oportunidade para todos nós conhecermos e valorizarmos os trabalhos realizados com tanta qualidade e dedicação pelos nossos servidores”, afirmou o secretário Osvaldir Denadai.
Educação bilíngue
A coordenadora da Seção de Educação Especial, Elizabeth Melo, destacou que a educação é uma das principais ferramentas para ampliar a comunicação e a participação social das pessoas surdas.
“O ‘Setembro Surdo’ tem uma referência muito grande para as pessoas surdas no Brasil, e isso vem de uma história de luta, reconhecimento e valorização da comunidade surda. A nossa preocupação, enquanto SME, é valorizar não somente o trabalho que realizamos, mas, principalmente, dar a essas crianças, adolescentes e jovens visibilidade e condições para que possam superar as dificuldades encontradas dentro da escola, especialmente em relação à Libras”, afirmou.
Segundo ela, a rede municipal busca oferecer aos estudantes surdos condições para desenvolver a comunicação em Libras e ampliar sua interação com o ambiente escolar e a sociedade.
“Nós ensinamos Libras, promovemos a comunicação e damos a esse aluno a oportunidade de se comunicar com este mundo que, para ele, é muito diferente”, acrescentou.
Escola Municipal Domingos Maia
A rede municipal de Volta Redonda conta com a Escola Municipal Professor Domingos Maia, localizada no bairro São Geraldo. A unidade possui uma classe bilíngue multisseriada, formada por estudantes do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental. Os conteúdos são trabalhados em Libras e também na modalidade escrita da língua portuguesa.
Elizabeth explicou que o modelo permite que os estudantes surdos convivam tanto com outras pessoas surdas quanto com alunos ouvintes.
“Ao mesmo tempo em que a pessoa surda está em um ambiente totalmente composto por pessoas nas mesmas condições que ela, onde vai praticar e aprender a questão da Libras, ela também está em uma escola onde há pessoas ouvintes e, assim, consegue fazer essa troca”, explicou.
A escola também oferece o ensino de Libras para alunos ouvintes e conta com uma sala de recursos específica para estudantes surdos, voltada ao reforço e à consolidação da aprendizagem.
De acordo com a coordenadora, o trabalho de inclusão também alcança familiares de pessoas surdas, incluindo os chamados alunos Coda e Sodas.
Os alunos Coda são ouvintes filhos de pais surdos. Já os Sodas são ouvintes que têm irmãos surdos. Segundo Elizabeth, esses estudantes também podem aprender Libras para ampliar a comunicação e fortalecer os vínculos familiares.
“São alunos ouvintes, filhos de pais surdos. Em alguns casos, eles podem ter menos oportunidades de acesso a determinadas informações e experiências por conta das barreiras de comunicação. Esses alunos aprendem Libras pela necessidade e, principalmente, pelo desejo de se comunicar com suas famílias, fortalecer esses vínculos e ampliar suas possibilidades de desenvolvimento”, explicou.
“Já os alunos Sodas são pessoas ouvintes que têm irmãos com surdez. Nós também colaboramos com elas, proporcionando o conhecimento da comunicação em Libras”, completou.
Famílias destacam evolução dos estudantes
O autônomo Fabiano Gregório, pai de Maria Luiza Gregório, de 10 anos, aluna da Escola Municipal Domingos Maia, destacou a evolução da filha desde que passou a estudar na unidade.
“Cada dia percebemos nela uma evolução, notamos o carinho dos professores e funcionários da escola neste trabalho de inclusão com ela, que é totalmente diferente de outra escola que ela já estudou. É um trabalho muito importante, porque estou claramente vendo a evolução que ela está tendo no desenvolvimento da Libras e só tenho a agradecer à Escola Domingos Maia pela forma como abraçou ela”, afirmou.
Fabiano também contou que a filha mais nova, Maria Julia, está aprendendo Libras e consegue se comunicar com a irmã.
“Tínhamos muito medo sobre como seria a vida de uma criança surda no mundo. A irmã dela veio como um presente, entrou como inclusão na mesma sala de aula de classe bilíngue, está desenvolvendo a Libras muito bem, as duas se comunicam bem. A Maria Julia, se continuar da forma como está, será uma excelente intérprete”, contou.
Inclusão na rede municipal
De acordo com a SME, Volta Redonda desenvolve ações voltadas à inclusão de pessoas com deficiência, incluindo estudantes surdos. Elizabeth Melo destacou a atuação de intérpretes de Libras na rede municipal.
“Hoje Volta Redonda é referência, porque é um dos únicos municípios que tem, no seu grupo de profissionais, servidores intérpretes concursados para atender esses alunos dentro da sala de aula, interpretando as aulas, relações com outras pessoas sem deficiência e provando que este aluno tem seus direitos e que nós conseguimos dar a eles esta oportunidade”, disse.
O prefeito Antonio Francisco Neto também destacou as iniciativas desenvolvidas pelo município na área da inclusão e citou ações de diferentes unidades e secretarias.
“Já está mais do que provado que Volta Redonda é a cidade da inclusão. A SME vem realizando um trabalho espetacular junto às pessoas surdas, e não podemos deixar de destacar também a forma carinhosa e dedicada com que os servidores da Escola Municipal Especializada Dr. Hilton Rocha realizam seu trabalho com as pessoas cegas e com deficiência visual”, afirmou.
Neto também mencionou o Semeia (Sítio-Escola Municipal Espaço Integrado do Autista Thereza Chicarino), a Escola Dayse Mansur e ações desenvolvidas pelas secretarias municipais da Pessoa com Deficiência (SMPD) e de Esporte e Lazer (Smel).
“Não podemos deixar de reconhecer, ainda, todo o trabalho realizado pela SMPD e pela Smel em benefício dessas pessoas. Estão todos de parabéns! E seguimos juntos, trabalhando para construir um município cada vez mais inclusivo”, concluiu.
Foto: Cris Oliveira
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Mayra Gomes
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