Venezuela soma 2.954 mortos e mantém buscas após terremotos

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Foto: Reprodução El Diário Caracas

La Guaira/Venezuela – A Venezuela segue enfrentando uma das maiores tragédias de sua história recente após os dois terremotos que atingiram a região norte do país no último dia 24 de junho. De acordo com o balanço oficial mais recente divulgado pelo governo venezuelano, o número de mortos chegou a 2.954, enquanto 12.666 pessoas ficaram feridas e 6.462 vítimas foram resgatadas com vida pelas equipes de emergência.

Embora o governo não divulgue oficialmente o total de desaparecidos, organismos internacionais e plataformas de localização de pessoas estimam que mais de 50 mil pessoas ainda não foram localizadas, número que inclui moradores deslocados, pessoas sem contato com familiares e desaparecidos sob os escombros.

As operações de busca continuam concentradas nas áreas mais atingidas, especialmente no estado de La Guaira e em municípios da região metropolitana de Caracas. Equipes nacionais atuam com apoio de especialistas e socorristas enviados por dezenas de países, utilizando cães farejadores, drones e equipamentos para localização de sobreviventes. Apesar da redução das chances de encontrar pessoas com vida, os trabalhos prosseguem para localizar desaparecidos e recuperar corpos.

Segundo o governo venezuelano, mais de 86 mil famílias receberam algum tipo de assistência emergencial, enquanto cerca de 15 mil pessoas perderam suas moradias. Abrigos temporários foram instalados em escolas, ginásios e prédios públicos, além da distribuição de alimentos, água potável, medicamentos e kits de higiene às comunidades afetadas.

Entre as medidas adotadas pelas autoridades estão a decretação de sete dias de luto nacional, a mobilização das Forças Armadas, da Defesa Civil e dos serviços de emergência, além da intensificação das ações de reconstrução da infraestrutura e do restabelecimento dos serviços de energia, abastecimento de água e transporte nas regiões atingidas.

A resposta internacional também foi ampliada nos últimos dias. A Organização das Nações Unidas (ONU) coordena parte da ajuda humanitária enviada ao país. O Brasil, por exemplo, encaminhou purificadores de água e outros materiais de apoio por meio de uma operação coordenada pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), com apoio da Força Aérea Brasileira (FAB) e do Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS).

Enquanto as buscas prosseguem, especialistas alertam que o país ainda enfrenta o risco de novos desabamentos em edificações comprometidas estruturalmente pelas centenas de réplicas registradas desde os terremotos. Além da emergência humanitária, a Venezuela inicia agora o desafio da reconstrução das cidades devastadas e da assistência de longo prazo às milhares de famílias afetadas.

Osmar Neves

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