UniFOA realiza 1º Congresso Regional de Práticas e Produtos Inovadores na Educação Básica
A Educação Básica da região ganhou um espaço próprio para mostrar experiências, discutir desafios e aproximar professores que vivem a realidade das escolas todos os dias. O UniFOA realiza entre hoje e amanhã, o 1º Congresso Regional de Práticas e Produtos Inovadores na Educação Básica, reunindo educadores, pesquisadores e profissionais ligados ao ensino em uma programação voltada à troca de saberes e à valorização das práticas desenvolvidas na escola pública.
O evento nasceu com a proposta de discutir questões que atravessam a educação na região Sul Fluminense, como evasão escolar, indicadores educacionais, inclusão, inovação pedagógica e formação continuada de professores. A iniciativa também reforça a relação entre Ensino Superior e Educação Básica, aproximando a universidade das demandas concretas das redes de ensino.
A Coordenadora do Mestrado Profissional em Ensino em Ciências da Saúde e do Meio Ambiente (MECSMA), Bruna Casiraghi, destacou que a realização do congresso era um desejo antigo da instituição e respondeu a uma carência regional por espaços de debate voltados à Educação Básica.
“Esse é um sonho antigo nosso. Para o UniFOA, sediar um evento desse é muito importante. Temos mais de 400 inscritos, pessoas ligadas à Educação Básica de todo o Sul Fluminense. A região é muito carente de atividades voltadas para a formação de professores e para discutir as questões da Educação Básica. Não tínhamos um evento que fizesse isso, então o UniFOA está partindo na frente”, afirmou.
Segundo Bruna, a procura pelo congresso mostrou que há uma demanda reprimida por esse tipo de encontro. Para ela, a expectativa é que a iniciativa se torne parte da agenda permanente da instituição.
“A gente queria poder colocar todo mundo para dentro, mas a expectativa é de que façamos outros eventos e tenhamos outros momentos de discussão. Quem sabe isso vire uma tradição do UniFOA, para continuarmos discutindo a educação, porque a educação sempre tem o que ser discutido”, destacou.
O congresso também colocou em evidência práticas desenvolvidas por professores da Educação Básica. Em vez de manter a escola apenas como objeto de análise, a proposta foi trazer os educadores para o centro da discussão, apresentando experiências, produtos e soluções construídas a partir da realidade das salas de aula.
Para a reitora do UniFOA, professora Ivanete Oliveira, receber o congresso representa uma oportunidade de reduzir a distância entre universidade e escola.
“Uma das missões da educação superior é quebrar essa barreira que temos entre a universidade e a Educação Básica. Quando abrimos as portas da universidade e ampliamos esse diálogo, trazendo a Educação Básica para cá e também indo até ela, conseguimos discutir temáticas relevantes para a formação dos estudantes”, afirmou.
Entre os temas discutidos estiveram afetividade, inclusão, inteligência artificial, tecnologia, inovação e práticas pedagógicas. Ivanete ressaltou que a força do congresso está justamente no fato de essas discussões serem apresentadas por professores que atuam na Educação Básica.
“O mais interessante é que todas essas temáticas estão sendo trazidas por professores da Educação Básica, na apresentação de trabalhos. É esse diálogo que queremos fomentar cada vez mais para qualificar a educação, não só de Volta Redonda, mas de toda a região”, completou.
Dentro da programação, o congresso também recebeu o 2º Encontro de Educação Inclusiva das Escolas Públicas, ampliando o debate sobre acessibilidade, permanência e participação de estudantes e profissionais com diferentes necessidades no ambiente educacional.
Para Andrea Oliveira, professora e intérprete de Libras, pensar um evento para todos exige garantir também a acessibilidade comunicacional.
“Quando a gente pensa em um evento para todos, precisa pensar na acessibilidade comunicacional. Isso significa disponibilizar tradutor e intérprete de Libras, porque na plateia pode haver uma pessoa surda. E como ela vai ter acesso às informações? Pela língua de sinais”, explicou.
Segundo Andrea, a presença da Libras em eventos educacionais garante condições de igualdade para que pessoas surdas acompanhem as discussões e tenham acesso ao conhecimento compartilhado.
“Todos os eventos precisam pensar nessa acessibilidade comunicacional, porque estamos dando acesso em condições de igualdade e permanência para que esse indivíduo possa participar e receber todas as informações na língua dele. Em um evento de educação inclusiva, com tantas informações e inovações, a pessoa surda também tem o direito de ter acesso. A inclusão é para todos”, destacou.
A mobilização regional contou com apoio da Agência de Desenvolvimento Regional (ADR). De acordo com Ivanete, a parceria contribuiu para reunir participantes de mais de 14 municípios.
Professor e participante do congresso, Alysson Clark avaliou que discutir educação também significa pensar o desenvolvimento da região.
“Quando falamos sobre educação, estamos falando sobre desenvolvimento econômico também. É importante olhar para as crianças, entender como estamos desenvolvendo elas, quais são as dificuldades e fazer essa rede de apoio e troca”, afirmou.
Para Alysson, realizar um congresso na própria região ajuda a olhar com mais precisão para os desafios locais.
“É entender quais são os desafios daqui de fato e traçar estratégias e políticas públicas para alcançar resultados que ajudem a nossa região, não só em termos econômicos, mas sociais”, destacou.
Diretor do Eixo Educação da ADR, Fernando Vitorino, ressaltou a importância de um evento dedicado às práticas desenvolvidas nas escolas públicas.
“Falar de práticas na escola pública é fantástico. Muitas vezes se fala muito mal da escola pública, mas um evento como esse mostra oportunidades, trabalhos de qualidade e experiências inovadoras. Ele permite que a comunidade perceba o quanto a escola pública e o ensino básico público são fundamentais para a nossa comunidade”, afirmou.
Fernando também destacou que o congresso pode gerar desdobramentos para a região, especialmente em temas como educação inclusiva e fortalecimento de redes colaborativas.
“É muita satisfação ver o quanto isso pode transbordar iniciativas para a nossa comunidade”, completou.
Com o congresso, o UniFOA fortalece sua atuação como espaço de diálogo entre pesquisa, formação docente e práticas escolares. A proposta aproxima professores, gestores, pesquisadores e instituições em torno de um mesmo desafio: construir uma Educação Básica mais inclusiva, inovadora e conectada às necessidades reais da região.
O encontro deu visibilidade a quem está na linha de frente da educação. Trazer professores da Educação Básica para dentro da universidade, o congresso mostrou que a inovação também nasce da sala de aula, da experiência cotidiana e da troca entre quem ensina, pesquisa e aprende.
Informa Cidade
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