Tiradentes: da execução no Rio ao símbolo da liberdade

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Foto: Divulgação

Rio de Janeiro – No Rio de Janeiro, então capital da colônia, uma execução pública em 21 de abril de 1792 marcaria para sempre a história do Brasil. Entre 11h e 12h, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, de 46 anos, foi enforcado no Largo da Lampadosa, no centro da cidade, condenado por “lesa-majestade” — crime de traição contra a rainha Maria I de Portugal.

A morte foi o desfecho de um processo longo e exemplar. Preso em 1789, após a descoberta da Inconfidência Mineira, Tiradentes permaneceu encarcerado por três anos. A sentença foi definida em 18 de abril de 1792, e sua leitura, segundo registros históricos, durou cerca de 18 horas.

No dia da execução, ele foi conduzido pelas ruas do centro do Rio sob escolta militar até o local da forca. Após ser morto, teve o corpo esquartejado e exposto em diferentes pontos, numa tentativa da Coroa Portuguesa de intimidar qualquer nova tentativa de rebelião.

Nascido em 1746, na Capitania de Minas Gerais, Tiradentes teve origem humilde e uma trajetória marcada por diferentes ofícios. Atuou como tropeiro, minerador, militar e também como dentista prático — atividade que lhe rendeu o apelido.

Ao circular entre Minas e o Rio, conheceu de perto a realidade da colônia, marcada por pesados impostos e crescente insatisfação popular. A cobrança do “quinto” e a ameaça da “derrama” ampliavam o clima de revolta contra o domínio português.

Foi nesse cenário que surgiu a Inconfidência Mineira, movimento que buscava romper com Portugal e instaurar uma república independente, inspirado por ideias iluministas.

Tiradentes se destacou como um dos principais divulgadores dessas ideias, levando o discurso de liberdade a diferentes grupos sociais. Diferente de outros inconfidentes, mais ligados à elite intelectual, ele atuava de forma mais direta e popular.

Apesar do impacto de sua execução, Tiradentes não foi imediatamente reconhecido como herói. Durante o Império, sua história ficou em segundo plano. Foi apenas com a Proclamação da República, em 1889, que sua imagem foi resgatada e transformada em símbolo nacional.

Sem registros precisos de sua aparência, sua figura passou a ser representada de forma idealizada, muitas vezes associada à imagem de Jesus Cristo, reforçando a ideia de martírio.

Em 1890, o dia 21 de abril foi oficializado como feriado. Mais de dois séculos depois, Tiradentes permanece como um dos principais símbolos da luta por liberdade no Brasil — e sua execução, ocorrida no coração do Rio de Janeiro, segue como um dos episódios mais marcantes da história nacional.

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Foto: Divulgação

Mayra Gomes

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