Tarifa sobre aço importado garante fôlego à indústria do Sul Fluminense

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Foto – Arquivo
Decisão representa mais uma etapa da mobilização iniciada pela entidade no ano passado para conter o avanço do aço importado no mercado brasileiro, afirma Haroldo Filho

Volta Redonda – Entrou em vigor na segunda-feira (26) a Resolução nº 941 do Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex), que prorroga por mais um ano a tarifa de importação de 25% para sete produtos processados de aço. A medida atende a um pleito apresentado pela Associação dos Processadores de Aço (AProAço) e pela Abimetal-Sicetel e é considerada estratégica para preservar a competitividade da indústria brasileira, especialmente no Sul Fluminense, onde estão instaladas empresas que fornecem matéria-prima e processam esses produtos.

A resolução, publicada no Diário Oficial da União na última sexta-feira (24), mantém até 26 de julho de 2027 a sobretaxa para produtos como arames, telas soldadas, telas galvanizadas, pregos e materiais para andaimes. Parte desses itens é produzida diretamente pela ArcelorMittal, em Resende, enquanto a CSN, em Volta Redonda, fornece o fio-máquina utilizado pelas indústrias transformadoras na fabricação de telas, arames e outros produtos destinados aos setores da construção civil e da indústria.

Segundo o presidente da AProAço, Haroldo Filho, a decisão representa mais uma etapa da mobilização iniciada pela entidade no ano passado para conter o avanço do aço importado no mercado brasileiro.

“É uma vitória do nosso segmento, mas também a continuidade de uma luta que começou no ano passado. A manutenção da tarifa de 25% reduz a entrada do aço importado e ajuda a preservar emprego e renda no Estado do Rio e no Sul Fluminense”, afirmou.

Haroldo explicou que a proteção tarifária garante condições mais equilibradas de concorrência para a indústria nacional.

“Quando o processador compra aço da CSN ou da ArcelorMittal para fabricar telas, arames e outros produtos, toda a cadeia produtiva é beneficiada. Se o produto importado entra sem essa proteção, a indústria brasileira perde mercado, reduz a produção e isso afeta diretamente empregos e investimentos”, disse.

Cadeia movimenta bilhões

A cadeia de processamento de aço representa um dos principais segmentos industriais do Estado do Rio de Janeiro. Além da produção de aço da CSN e da ArcelorMittal, dezenas de empresas transformadoras abastecem os mercados da construção civil, infraestrutura, agronegócio e indústria de transformação.

Segundo a AProAço, o setor movimenta entre R$ 10 bilhões e R$ 15 bilhões por ano, gera milhares de empregos diretos e indiretos e possui forte concentração de empresas no Sul Fluminense.

Circunvenção preocupa indústria

Apesar da decisão do Gecex, a preocupação da indústria não terminou.

Segundo Haroldo Filho, fabricantes chineses têm encontrado alternativas para contornar as medidas antidumping adotadas pelo Brasil. A estratégia consiste em enviar o aço para países como Indonésia, Índia, Tailândia, Paraguai, Peru e Chile antes da exportação para o mercado brasileiro.

Esse mecanismo, conhecido como circunvenção, permite que produtos cheguem ao Brasil utilizando outros países como intermediários, reduzindo os efeitos das medidas de proteção comercial.

“A China está levando seus produtos para outros países e, de lá, eles entram no Brasil. Já estamos trabalhando junto com a Abimetal para pedir que o governo federal acompanhe esse movimento e adote medidas para impedir essa prática”, afirmou.

Alerta para perda de investimentos

Segundo Haroldo Filho, caso novas medidas não sejam adotadas, parte da indústria nacional poderá transferir investimentos para outros países.

“Algumas empresas processadoras do Sul Fluminense já estudam instalar unidades no Paraguai. Se nada for feito, o cenário para os próximos anos pode ser de perda de empregos, redução da arrecadação e enfraquecimento da indústria regional”, alertou.

O dirigente também chamou atenção para o avanço das importações de produtos manufaturados.

“Hoje entram produtos semielaborados. Amanhã podem entrar produtos totalmente prontos. Isso reduz a atividade das empresas processadoras e diminui as compras de aço produzido pela CSN e pela ArcelorMittal”, afirmou.

Produtos beneficiados

A Resolução Gecex nº 941 mantém a alíquota de 25% para sete produtos processados de aço:

Arame galvanizado; Arame de aço carbono não ligado; Arames de outras ligas; Material para andaimes; Tela soldada; Tela galvanizada; Pregos.

Segundo a AProAço, a medida garante maior previsibilidade para a indústria nacional enquanto o setor continua defendendo o aperfeiçoamento das políticas de defesa comercial para evitar práticas que burlam as tarifas de importação.

Carol Berg

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