Sindicato denuncia mordomias de Deolane em presídio de São Paulo

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Foto: Reprodução

Sãop Paulo – O Sindicato dos Policiais Penais do Estado de São Paulo (Sinppenal) denunciou à Direção-Geral da Polícia Penal que a advogada e influenciadora Deolane Bezerra recebeu tratamento privilegiado na Penitenciária Feminina de Santana, na zona norte da capital paulista, onde foi inicialmente alocada após ser presa por suspeita de integrar esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

A entidade pediu a abertura de processo administrativo e disciplinar para apurar os fatos e responsabilizar os envolvidos.

As irregularidades apontadas

Segundo a denúncia, desde a chegada à unidade, Deolane teve tratamento que destoa completamente do protocolo padrão. O diretor da penitenciária a recebeu pessoalmente — procedimento que não é adotado com as demais detentas. Uma sala de espera normalmente usada por presas aguardando atendimento médico foi esvaziada para acomodá-la.

As mordomias não pararam por aí. A influenciadora teria se alimentado com refeições destinadas aos carcereiros, e não com as distribuídas às detentas. Também teve acesso a chuveiro elétrico privativo com água quente e dormiu em cama convencional, enquanto as demais presas utilizam camas de concreto nas celas. O acesso de agentes penais ao local onde ela ficou foi restringido, o que, segundo o sindicato, comprometeu a fiscalização e a segurança institucional.

Violação legal

O departamento jurídico do Sinppenal sustenta que as condutas violam o artigo 3º da Lei de Execução Penal, que garante igualdade de tratamento a todos os presos, e o artigo 4º, que proíbe distinções por condição social, econômica ou notoriedade pública. A entidade também cita a Lei Orgânica da Polícia Penal de São Paulo, que impõe aos servidores os princípios da impessoalidade, moralidade, legalidade e eficiência.

Superlotação e precariedade no pano de fundo

Os privilégios denunciados contrastam com a realidade das duas unidades onde Deolane esteve. A Penitenciária de Santana, com capacidade para 2.686 presas, registrava 2.822 detentas. Já a Penitenciária de Tupi Paulista, no oeste do estado, para onde a influenciadora foi transferida na última quinta-feira (22), tem limite de 714 vagas e abriga 872 presas.

O sindicato ainda aponta que a defasagem de policiais penais agrava ainda mais o cenário. Segundo relatos de servidores, o acesso a medicamentos é limitado e atendimentos de maior complexidade frequentemente se arrastam pela demora ou ausência de escolta.

A resposta da Secretaria

A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) afirmou que Deolane foi alocada conforme determinação judicial, que reconheceu seu registro ativo como advogada. A pasta disse que sua atuação se limitou ao cumprimento da ordem do Poder Judiciário.

Osmar Neves

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