Sanear investe R$ 50 milhões em biodigestores na Bacia do Rio Guandu

Miguel Pereira – O terceiro dia do ECOB 2026, realizado em Miguel Pereira nesta quarta-feira (15), reforçou o avanço do saneamento rural na Região Hidrográfica II, com destaque para os números robustos do programa Sanear, desenvolvido pelo Comitê Guandu-RJ.

Criado em 2021, o programa já acumula investimentos próximos a R$ 50 milhões na primeira fase e vem ampliando o acesso ao tratamento de esgoto em áreas rurais e periurbanas, onde historicamente há maior déficit de infraestrutura. Ao todo, são cerca de 8 mil sistemas instalados e 13 mil já contratados, o que representa mais de 32 mil pessoas atendidas entre soluções concluídas e em execução.

O foco da iniciativa está na implantação de sistemas individuais de tratamento, principalmente biodigestores instalados em propriedades rurais, garantindo que o esgoto deixe de ser lançado diretamente em rios e nascentes. A estimativa é de que o programa evite o despejo de até 10 milhões de litros de esgoto por dia nos corpos hídricos da região.

Na primeira etapa, cerca de 24 mil pessoas foram beneficiadas, com diagnóstico técnico, elaboração de projetos e execução das soluções. Já a segunda fase, em andamento, prevê atender outras 24 mil pessoas, ampliando o alcance para novos municípios e adaptando as tecnologias às características locais.

Atualmente, o Sanear está presente em 14 municípios da Região Hidrográfica II, área estratégica que inclui cidades como Miguel Pereira, Piraí, Mendes e Rio Claro, além de impactar diretamente a qualidade da água da bacia do rio Guandu — responsável pelo abastecimento de mais de 9 milhões de pessoas no estado do Rio de Janeiro.

Durante o evento, também foi realizada uma visita técnica à localidade de Vera Cruz, em Miguel Pereira, onde propriedades rurais já contam com os sistemas implantados. A região integra a Área de Proteção Ambiental do Rio Santana, um dos principais afluentes do Guandu.

Segundo representantes do programa, o avanço do saneamento nessas áreas tem impacto direto na saúde pública, na preservação ambiental e na segurança hídrica. A proposta agora é ampliar as etapas do Sanear para avançar na universalização do tratamento de esgoto nas áreas rurais da bacia.

Além do saneamento, o ECOB 2026 debateu temas como escassez hídrica, educação ambiental e planejamento do abastecimento. A programação segue até esta quinta-feira (16), com novas visitas técnicas e apresentação de iniciativas sustentáveis no meio rural.

Como funciona o Sistema Guandu e de onde vem a água que abastece o RJ

O sistema hídrico do Guandu é considerado o mais importante do estado do Rio de Janeiro, responsável por abastecer mais de 9 milhões de pessoas na Região Metropolitana.

Origem da água

Grande parte da água que chega ao rio Guandu não é natural da própria bacia. Cerca de 60% do volume vem do rio Paraíba do Sul, por meio de um sistema de transposição.

Como funciona a transposição

Na altura de Santa Cecília, a água do Paraíba do Sul é desviada por estruturas operadas pela Light e conduzida por canais e túneis até o sistema do Ribeirão das Lajes. A partir daí, essa água segue para formar o rio Guandu, após a confluência com o rio Santana.

Formação do Guandu

O rio Guandu nasce oficialmente da junção do Ribeirão das Lajes com o rio Santana, passando a alimentar toda a bacia hidrográfica que percorre cerca de 48 km até a Baía de Sepetiba.

Importância estratégica

O Guandu recebe ainda contribuição de afluentes como os rios dos Macacos, São Pedro, Poços, Queimados e Ipiranga. Ao longo do percurso, o sistema conta com barragens e estruturas operadas pela Cedae, garantindo o controle e a distribuição da água.

Vinicius

Sanear investe R$ 50 milhões em biodigestores na Bacia do Rio Guandu


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