Queimadas disparam 271% e Amazonas entra em emergência
Manaus — O avanço das queimadas colocou o Amazonas em situação de emergência. Nos primeiros dez dias de outubro, o estado registrou 1.380 focos de incêndio, número 271% superior ao verificado no mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 372 focos. A dimensão do problema levou à decretação de emergência em 36 municípios e à ampliação das operações de combate ao fogo.
Os números são do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), e mostram que a maior parte das ocorrências está concentrada em áreas públicas.
Dos 1.380 focos registrados entre os dias 1º e 10 de outubro, 1.186 ocorreram em áreas públicas, 93 em propriedades privadas e 101 em locais sem situação fundiária definida.
O levantamento também identificou focos em áreas ambientalmente sensíveis. Foram 246 registros em assentamentos federais, 116 em terras indígenas e 97 em unidades de conservação. Essas classificações são específicas e não devem ser somadas aos números referentes à situação fundiária.
Outro dado que chama atenção é a relação de parte dos incêndios com a derrubada da floresta. Segundo o painel, 174 focos foram classificados como relacionados ao desmatamento. Nos demais casos, os dados disponíveis não apontavam uma causa determinada.
Fumaça amplia preocupação
Além da destruição provocada diretamente pelo fogo, a fumaça tornou-se outro problema para a população. Parte do Amazonas vem sendo encoberta pela névoa provocada pelas queimadas.
O governador Roberto Cidade afirmou que a fumaça observada no estado não tem origem exclusivamente nos incêndios dentro do território amazonense. Segundo ele, queimadas registradas em outros estados também contribuem para a situação.
A crise levou representantes dos governos federal e estadual a realizarem uma reunião emergencial na sede da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).
Emergência atinge 36 municípios
Diante do avanço do fogo, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional reconheceu neste sábado (10), em caráter sumário, a situação de emergência decretada pelo governo amazonense em 36 municípios.
O reconhecimento federal permite acelerar os procedimentos para liberação de recursos destinados às ações de enfrentamento aos incêndios, assistência à população e resposta às consequências das queimadas.
A situação também provocou uma ampla mobilização de equipes de combate.
Atualmente, 290 brigadistas federais já atuam no Amazonas. A operação receberá reforço de dois aviões KC-390 da Força Aérea Brasileira, quatro aeronaves Air Tractor e dois helicópteros.
Os KC-390 têm previsão de começar a atuar nesta segunda-feira (12).
São Paulo também enviará 30 profissionais, sendo 25 bombeiros militares e cinco integrantes da Defesa Civil, para auxiliar no enfrentamento aos incêndios.
O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, foi ao Amazonas acompanhar as operações e afirmou que serão disponibilizados equipamentos, veículos, pessoal e recursos necessários para ampliar a resposta à emergência.
Desde 2024, o governo federal disponibilizou R$ 45 milhões ao Amazonas, através do projeto ProAmazon, para reforçar a estrutura do Corpo de Bombeiros no combate aos incêndios florestais. Desse total, R$ 34,7 milhões já foram liberados e aproximadamente R$ 10 milhões permanecem disponíveis.
Com o crescimento de 271% dos focos em apenas um ano, o combate às queimadas passou a concentrar esforços dos governos federal e estadual. A prioridade agora é impedir que o fogo avance sobre novas áreas e reduzir os impactos da fumaça sobre a população.
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Vinicius

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