Projeto ‘Enxergar Além’ começa atendimentos para pessoas com deficiência visual

exame visao voltaredonda (2)

Foto: Cris Oliveira

Volta Redonda – A Prefeitura de Volta Redonda iniciou, nesta terça-feira (2), os atendimentos da primeira etapa do projeto “Enxergar Além”, uma iniciativa da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência (SMPD) que garante acesso a exames e consultas especializadas para pessoas cegas ou com baixa visão, com foco na prevenção e no acompanhamento da saúde ocular.

Os primeiros dez pacientes foram atendidos no Centro Oftalmológico Dr. Rosuel Zaidan, localizado na Policlínica da Cidadania Bernardino de Souza, no Estádio Municipal General Sylvio Raulino de Oliveira (Estádio da Cidadania), no bairro Jardim Paraíba. Eles passaram por triagem de enfermagem, realizaram exames e foram atendidos por oftalmologista.

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Nesta quarta-feira (3), mais dez pacientes realizarão os mesmos procedimentos no Centro Oftalmológico. De acordo com a subsecretária municipal da Pessoa com Deficiência, Eliete Vasques, que acompanhou o grupo, a previsão é de que cerca de 30 pessoas cegas ou com baixa visão sejam atendidas nesta primeira fase do projeto.

“Sabemos que a saúde ocular é essencial para a qualidade de vida. Com esse projeto, queremos oferecer às pessoas cegas, com baixa visão ou visão subnormal a oportunidade de realizar exames oftalmológicos fundamentais para avaliar a saúde geral dos olhos e identificar outras condições, mesmo quando a visão já está comprometida”, afirmou Eliete.

O prefeito Antonio Francisco Neto destacou seu entusiasmo com o projeto. “Estamos garantindo horários exclusivos para esse público e assegurando acesso a exames e consultas com especialistas pelo SUS. O objetivo é atualizar o estado da saúde ocular de cada paciente, confirmar diagnósticos e avaliar a possibilidade de procedimentos pela rede municipal de saúde que possam melhorar sua qualidade de vida”, disse.

Primeiro grupo aprova a iniciativa

Entre os atendidos nesta terça-feira estavam Renato Oliveira dos Santos, que tem cegueira total em um olho e visão subnormal no outro; Priscila de Oliveira Sanches, que tem glaucoma congênito; e Taís Vitória Silva de Paula, que é cega.

Renato, advogado e presidente da Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da OAB Volta Redonda, além de oferecer suporte jurídico aos usuários da SMPD, elogiou o projeto. “Vim fazer novos exames e cuidar da saúde ocular. Também quero conversar com o especialista sobre possibilidades de melhora, já que ainda tenho um pouco de visão no olho esquerdo”, disse. Ele nasceu com catarata congênita, perdeu totalmente a visão do olho direito aos três anos por erro médico e, devido a complicações posteriores, enxerga muito pouco com a vista esquerda desde os nove.

Priscila, de 36 anos, também se mostrou animada. “Sempre fui cega por conta do glaucoma congênito. Fiz algumas cirurgias, mas a última há cerca de 15 anos. É importante saber como está minha saúde ocular, se houve alteração ou se existe possibilidade de melhora”, afirmou. Ela está no primeiro ano do curso de Administração pelo programa “Diploma Cidadão”, parceria entre a SMPD e o UGB que garante acesso gratuito à universidade para pessoas com deficiência.

Taís Vitória Silva de Paula, parceira da SMPD, foi outra paciente atendida. Ela participou dos testes e da definição dos ajustes finais da Bengala Inteligente, equipamento que vibra e emite som ao detectar obstáculos — sendo também a primeira pessoa a receber o acessório. Taís cursa Psicologia no UGB pelo “Diploma Cidadão”. “Nasci cega por prematuridade, mas é fundamental acompanhar a saúde ocular. Mesmo que não interfiram na visão, outras condições podem causar dor, desconforto e complicações”, destacou.

Todos os atendidos nesta semana retornam na próxima quinta-feira (11) para uma consulta com oftalmologista especialista, que virá de São Paulo para orientar pacientes e acompanhantes sobre os próximos passos do tratamento.

 

 

Mayra Gomes

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