PRF aponta 14 pontos vulneráveis à exploração sexual infantil, em Barra Mansa
Foto: Divulgação
Pontos são classificados em quatro níveis: baixo risco, médio risco, alto risco e crítico
Barra Mansa – A Polícia Rodoviária Federal apresentou nesta quarta-feira (6), em Barra Mansa, dados preocupantes sobre a vulnerabilidade de crianças e adolescentes à exploração sexual nas rodovias federais. Segundo o Projeto MAPEAR, o município possui 14 pontos considerados sensíveis, sendo dois classificados como críticos — o nível mais alto de risco para ocorrência desse tipo de crime.
As informações foram divulgadas durante o evento “Conexão Proteção — Diálogos sobre o Enfrentamento ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes”, realizado no SEST/SENAT. A apresentação foi conduzida pelos policiais rodoviários federais Carlos Antonio de Araújo Carvalho e Carlos André Nogueira Fernandes, integrantes do Escritório Regional de Direitos Humanos da PRF.
O que é o MAPEAR
Criado em 2003, o Projeto MAPEAR surgiu após policiais rodoviários perceberem, durante patrulhamentos, a presença frequente de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade às margens das rodovias. Desde então, o levantamento é realizado a cada dois anos em aproximadamente 75 mil quilômetros de estradas federais em todo o país.
O projeto identifica locais considerados vulneráveis, como postos de combustíveis, hotéis, restaurantes, oficinas e outros estabelecimentos onde há maior risco de exploração sexual infantil. Os pontos são classificados em quatro níveis: baixo risco, médio risco, alto risco e crítico.
A PRF destaca que os locais mapeados não significam necessariamente que o crime esteja ocorrendo ali, mas que apresentam características que favorecem a vulnerabilidade e o risco de exploração.
Números nacionais preocupam
Na edição mais recente do MAPEAR, referente ao biênio 2023/2024, foram identificados 17.687 pontos vulneráveis em todo o Brasil — um aumento de 83,2% em relação ao levantamento anterior, que apontava 9.653 locais.
Segundo a PRF, esse crescimento está ligado principalmente ao aprimoramento tecnológico e à ampliação do alcance da fiscalização.
A divisão dos pontos identificados no país ficou da seguinte forma:
- 807 pontos críticos (4,6%)
- 2.566 pontos de alto risco (14,5%)
- 5.237 pontos de médio risco (29,6%)
- 9.077 pontos de baixo risco (51,3%)
Apesar do aumento geral no número de locais mapeados, a PRF avalia que houve redução proporcional dos pontos mais graves. O percentual de áreas classificadas como críticas caiu de 6,6% para 4,6%, enquanto os pontos de alto risco reduziram de 19,5% para 14,5%.
Rio de Janeiro entre os estados mais vulneráveis
O levantamento mostra que o Rio de Janeiro ocupa posição de destaque negativo no cenário nacional. O estado aparece como o segundo com maior número de pontos críticos do país, totalizando 77 locais nessa classificação, atrás apenas de Minas Gerais, com 111.
Já em relação aos pontos de alto risco, o Rio ocupa a terceira posição nacional, com 213 registros.
No total, o estado passou de 522 pontos mapeados no biênio 2021/2022 para 873 no levantamento atual, representando crescimento de 67%.
Perfil das vítimas
Os dados da Operação DOMIDUCA, principal ação repressiva da PRF baseada no MAPEAR, revelam que a maioria das vítimas resgatadas são adolescentes do sexo feminino.
Em 2023, 147 crianças e adolescentes foram retirados de situações de vulnerabilidade no país. Desse total:
- 85% eram meninas
- 81,7% tinham entre 12 e 17 anos
- 40% tinham entre 12 e 15 anos
- 41,7% entre 16 e 17 anos
- 13,3% tinham entre 6 e 11 anos
- 5% tinham até 5 anos
Os números acompanham dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2024, que aponta que 88,2% das vítimas de estupro de vulnerável no Brasil são meninas.
Crime migra para o ambiente digital
Outro alerta feito pela PRF é que a exploração sexual infantil tem mudado de rota nos últimos anos. Com o aumento da fiscalização nas rodovias federais, criminosos passaram a utilizar cada vez mais redes sociais e aplicativos de mensagens para recrutar vítimas.
Diante desse cenário, a corporação prepara o chamado “MAPEAR 2.0”, que prevê atualização anual dos dados, uso ampliado de inteligência policial e integração da metodologia com as Polícias Militares estaduais.
Como denunciar
Casos suspeitos de abuso ou exploração sexual de crianças e adolescentes podem ser denunciados pelo Disque 100, serviço gratuito e sigiloso disponível 24 horas por dia.
Os dados completos do Projeto MAPEAR também estão disponíveis para consulta pública no portal oficial da PRF.
Ana Carolina Garcia Berg de Marco
PRF aponta 14 pontos vulneráveis à exploração sexual infantil, em Barra Mansa




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