Prefeitura de Volta Redonda inicia atendimento de cinoterapia para crianças atípicas em parceria com a Polícia Militar

Projeto Laço Azul, que já assiste crianças neurodivergentes, no Retiro, vai sediar a atividade conduzida pelo Batalhão de Ações com Cães

A Prefeitura de Volta Redonda iniciou nesta quinta-feira, dia 30, o projeto de cinoterapia – terapia assistida por cães – em parceria com a Polícia Militar (PM), através do Batalhão de Ações com Cães (BAC), que vai ganhar uma companhia no bairro Roma. O atendimento às crianças será realizado semanalmente, sempre às quintas-feiras, das 11h30 às 15h, no Laço Azul, projeto que já desenvolve atividades com crianças neurodivergentes no bairro Retiro.

As seis crianças selecionadas para compor a primeira turma beneficiada pela cinoterapia no município têm de 6 a 9 anos de idade. Entre elas, estavam Ana Luiza e Pedro Guilherme, os dois de 6 anos de idade e assistidos pelo Laço Azul há dois anos, que já no primeiro dia da nova atividade conseguiram vencer o medo e interagir com a Sky, uma fêmea da raça Labrador.

Ana Luiza estava com a mãe, Débora Gonçalves Pereira, que ficou surpresa com a reação da filha. “Ela foi mordida por um cachorro e tem medo desde então. É muito bom vê-la feliz, interagindo com o animal. Tenho certeza que vai melhorar a socialização dela com outras pessoas”, disse Débora, contando que a filha já passou pela musicoterapia, terapia ocupacional e outras atividades no Laço Azul.

Juliana Gonzaga é mãe do Pedro Guilherme, que estava acompanhado da irmã Helena e, num primeiro momento, até chorou ao chegar perto da cadela. “Ele tem aversão ao latido, é muito barulho, e ele associa esse incômodo ao cachorro. Mas em poucos minutos já estava brincando com a Sky. Tenho certeza que a atividade vai trazer benefícios para o Pedro, assim como as outras terapias que faz aqui no Laço Azul”, falou a mãe Juliana.

A coordenadora técnica do Laço Azul, a psicóloga Rafaela Barros, e a coordenadora administrativa, a psicopedagoga Cláudia Reis, participaram da seleção das primeiras crianças para participar da cinoterapia. “Toda a equipe multiprofissional do projeto atuou junta para apontar, entre as crianças assistidas pelo projeto, as que têm mais perfil para a nova atividade e com mais possibilidade de se beneficiarem da cinoterapia”, explicou Rafaela, contando que, além da equipe da Polícia Militar, que conduz a terapia, uma atendente terapêutica do Laço Azul vai acompanhar a atividade.

Trabalho intersetorial

A coordenadora-geral do Laço Azul, Adriana Ribeiro dos Santos, disse que esse projeto é mais um exemplo do trabalho intersetorial na Prefeitura de Volta Redonda, com a participação das secretarias municipais de Saúde (SMS), da Pessoa com Deficiência (SMPD) e de Proteção e Defesa Animal (SMPDA). Ela lembrou ainda que, hoje, o Laço Azul atende a 360 crianças neurodivergentes – principalmente com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).

“O atendimento é realizado por uma equipe multiprofissional composta por neuropediatra, psiquiatra infantil, pediatra, psicólogos, fonoaudióloga, psicopedagoga, musicoterapeuta, educador físico, assistente social e enfermeiro. Com foco na inclusão, no desenvolvimento e na construção de vínculos, o Laço Azul oferece experiências práticas e afetivas que transformam a rotina das crianças e fortalecem suas relações familiares”, falou Adriana.

O secretário da Pessoa com Deficiência, Washington Uchôa, ressaltou que o projeto será mais uma ferramenta terapêutica no atendimento às crianças acompanhadas pelo município. “A interação com os cães contribui para estimular a socialização, a comunicação e aspectos emocionais importantes para o desenvolvimento das crianças. É um trabalho planejado, conduzido por profissionais, que pode trazer ganhos significativos para o público atendido”, disse.

O secretário municipal de Proteção e Defesa Animal, Paulinho AP, que acompanhou o primeiro dia de cinoterapia no Laço Azul, afirmou que está provado cientificamente que a interação com os animais é benéfica ao ser humano. “E esse resultado positivo é mais nítido em crianças, principalmente as atípicas, e idosos”, disse Paulinho.

“A cinoterapia é mais uma iniciativa que reforça o compromisso da nossa cidade com a inclusão, o cuidado e a qualidade de vida das pessoas com deficiência. Quero parabenizar a Secretaria da Pessoa com Deficiência, a Polícia Militar, a equipe do Laço Azul, a Secretaria de Proteção e Defesa Animal e todos os profissionais envolvidos para que esse importante projeto avance cada vez mais em Volta Redonda”, afirmou o prefeito Antonio Francisco Neto.

Também acompanharam o primeiro dia de cinoterapia em Volta Redonda os vereadores Marquinho Motorista e Rodrigo Furtado.

Atividade é coordenada por PMs do BAC

A cinoterapia com as crianças do Laço Azul é um projeto integrado à construção do futuro Batalhão de Ações com Cães (BAC) em Volta Redonda, no bairro Roma. A unidade será voltada à segurança pública e contará com cães farejadores e de apoio operacional, atendendo toda a região do Sul Fluminense. A proposta é que, futuramente, o cão da cinoterapia também esteja inserido nesse espaço, unindo ações de segurança e inclusão social.

Os responsáveis pela cinoterapia em Volta Redonda, até a implantação do BAC na cidade, são os sargentos da PM Taís Pinheiro e André Santiago. A sargento Pinheiro, que conduziu essa primeira atividade com as crianças do Laço Azul, explicou que ambos têm formação em Terapia Assistida por Animais (TAA) e que ela é fisioterapeuta e ainda tem curso de socorrista de animais.

“Já trabalhamos com a cinoterapia na capital, além de Maricá e Macaé. Assim como em Volta Redonda, nosso principal público é formado por crianças atípicas. Costumamos trabalhar as principais dificuldades delas, melhorando a interação social, a autoestima e o autocuidado”, contou Pinheiro.

Fotos de Cris Oliveira – Secom/PMVR.

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