Pesquisa acende alerta para secretários de educação em todo o Estado do Rio

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Foto: Divulgação
Estudo mostra que quatro em cada dez crianças de 8 anos matriculadas na rede pública estadual não conseguem ler e compreender uma frase completa de forma autônoma

Estado do Rio – Os resultados de um levantamento apresentado nesta quarta-feira (17) pelo Movimento EducAçãoRio, em parceria com a Falconi Consultoria, acenderam um sinal de alerta para os gestores da educação em todo o Estado do Rio de Janeiro. O diagnóstico, divulgado durante o encontro “Rio no Topo: Educação como Alavanca do Desenvolvimento”, revela indicadores preocupantes que, segundo especialistas, devem ser observados atentamente pelos secretários municipais de educação dos 92 municípios fluminenses e pela Secretaria Estadual de Educação.

O estudo mostra que quatro em cada dez crianças de 8 anos matriculadas na rede pública estadual não conseguem ler e compreender uma frase completa de forma autônoma. O índice coloca o Rio de Janeiro na pior posição entre os estados da Região Sudeste em alfabetização na idade adequada.

Para especialistas da área, os números evidenciam um desafio que ultrapassa os limites da rede estadual e exige uma mobilização conjunta entre os sistemas municipais e estadual de ensino. Afinal, a alfabetização é considerada a principal base para todo o desenvolvimento educacional dos estudantes.

Reflexos ao longo da vida escolar

Os problemas identificados nos anos iniciais da educação básica se refletem nas etapas seguintes. Segundo o levantamento, menos de 35% dos alunos que ingressam no Ensino Médio apresentam desempenho adequado em Língua Portuguesa. Em Matemática, o percentual fica abaixo de 15%.

Ao final da educação básica, os indicadores se tornam ainda mais preocupantes. Apenas 24% dos estudantes concluem o Ensino Médio com aprendizado considerado adequado em Língua Portuguesa, enquanto somente 2% alcançam esse nível em Matemática.

Os resultados contribuíram para que o Rio de Janeiro registrasse, em 2023, o segundo pior Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do país no Ensino Médio.

Recursos disponíveis, mas desafios persistem

O levantamento destaca que o problema não está apenas relacionado ao volume de investimentos. Nos últimos cinco anos, os gastos estaduais com educação passaram de R$ 4,9 bilhões para R$ 7,8 bilhões, crescimento de 59%, percentual superior à inflação acumulada no período.

Apesar do aumento dos recursos, os indicadores de aprendizagem não acompanharam a evolução dos investimentos. O estudo aponta a necessidade de aperfeiçoamento da gestão educacional, do monitoramento de resultados e da implementação de políticas públicas permanentes voltadas ao aprendizado dos estudantes.

Dados que interessam a todos os municípios

Embora muitos dos indicadores estejam relacionados à rede estadual, especialistas ressaltam que os resultados devem servir como referência para os gestores municipais. Isso porque a alfabetização, etapa em que os municípios possuem papel fundamental, é apontada como um dos principais desafios da educação fluminense.

Além disso, o estudo evidencia a importância da integração entre as diferentes redes de ensino para garantir a continuidade da aprendizagem dos alunos ao longo da trajetória escolar.

Mobilização necessária

Durante o evento, educadores e especialistas defenderam que o diagnóstico seja utilizado como instrumento de planejamento para os próximos anos. Entre as prioridades apontadas estão o fortalecimento da alfabetização, a ampliação do ensino em tempo integral, o aumento da oferta de educação profissional e a adoção de mecanismos permanentes de avaliação e acompanhamento dos resultados.

Para os participantes do encontro, os indicadores apresentados não devem ser vistos apenas como estatísticas, mas como um chamado à ação para todos os responsáveis pela condução das políticas educacionais no estado.

Diante do cenário revelado pela pesquisa, a expectativa é que secretários municipais e estaduais utilizem os dados como base para revisar estratégias, estabelecer metas e construir ações integradas capazes de elevar a qualidade da educação pública fluminense e melhorar os índices de aprendizagem nas próximas gerações.

Ana Carolina Garcia Berg de Marco

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