Peru elege neste domingo o nono presidente em dez anos de crise política
Ana Carolina Garcia Berg de Marco
Peru elege neste domingo o nono presidente em dez anos de crise política

Foto: Wikipédia
Cenário eleitoral reflete a profunda crise política vivida pelo país desde 2016
Peru – Os peruanos vão às urnas neste domingo (7), para escolher o próximo presidente da República em uma eleição marcada por incertezas e pelo histórico recente de instabilidade política no país. Cerca de 27 milhões de eleitores estão aptos a votar no segundo turno que definirá o sucessor do governo interino e o nono presidente do Peru em apenas dez anos.
A disputa é entre a candidata de direita Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, e o candidato de esquerda Roberto Sánchez Palomino. No primeiro turno, Keiko obteve 17,1% dos votos, enquanto Sánchez alcançou 12%.
O cenário eleitoral reflete a profunda crise política vivida pelo país desde 2016. Nesse período, dois presidentes renunciaram e seis foram destituídos pelo Congresso, considerado por analistas como o principal centro de poder político peruano.
Keiko Fujimori tenta chegar pela quarta vez à presidência e carrega tanto o capital político quanto a rejeição associada ao legado de seu pai, o ex-presidente Alberto Fujimori, que governou entre 1990 e 2000 e foi condenado por violações de direitos humanos.
Já Roberto Sánchez busca representar setores ligados ao ex-presidente Pedro Castillo, destituído e posteriormente condenado após tentar dissolver o Congresso em 2022. Entre suas principais propostas está a convocação de uma reforma constitucional para substituir a Carta Magna herdada do período fujimorista.
A eleição também é observada com atenção por seu impacto na geopolítica regional. O resultado poderá influenciar o posicionamento do Peru em relação aos governos da América do Sul e às relações com os Estados Unidos.
Histórico de instabilidade
O último presidente peruano a concluir integralmente um mandato foi Ollanta Humala, que governou entre 2011 e 2016. Desde então, o país atravessa uma sequência de crises institucionais, trocas de governo e confrontos entre Executivo e Legislativo.
Entre os episódios mais recentes estão a destituição de Pedro Castillo, os protestos que deixaram dezenas de mortos durante o governo de Dina Boluarte e a sucessão de presidentes interinos escolhidos pelo Congresso.
A expectativa é que o resultado deste domingo represente mais um capítulo na tentativa do Peru de recuperar estabilidade política e institucional após uma década marcada por sucessivas crises de governabilidade.
Ana Carolina Garcia Berg de Marco
Peru elege neste domingo o nono presidente em dez anos de crise política

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