Operação Trinus mira estrutura financeira do TCP no Complexo da Maré
Foto: Divulgação
Ação tem como objetivo cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão contra integrantes da organização criminosa investigados por diversos crimes
Rio de Janeiro – As Polícias Civil e Militar deflagraram nesta quarta-feira (10), a Operação Trinus, considerada uma das maiores ofensivas já realizadas contra a facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP), que atua no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
A ação tem como objetivo cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão contra integrantes da organização criminosa investigados por diversos crimes, incluindo tráfico de drogas, roubos de carga, receptação de celulares, lavagem de dinheiro, exploração ilegal de serviços essenciais, violência doméstica e crimes relacionados à pornografia infantil.
A operação é resultado de meses de investigação conduzida pela 21ª Delegacia de Polícia (Bonsucesso), que identificou uma estrutura criminosa organizada para financiar e ampliar o domínio territorial da facção em comunidades da região.
A ofensiva reúne equipes da Polícia Civil, por meio do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE), Departamento-Geral de Polícia da Capital (DGPC), Departamento-Geral de Polícia da Baixada (DGPB), Departamento-Geral de Polícia do Interior (DGPI) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core). A Polícia Militar participa com agentes do Comando de Operações Especiais (COE), do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e do Batalhão de Choque.
Roubo de cargas e lavagem de dinheiro
Segundo as investigações, uma das principais fontes de arrecadação da facção era um esquema estruturado de roubos de carga. Os criminosos realizavam ataques frequentes a caminhões que circulavam pela Avenida Brasil, Linha Vermelha e Linha Amarela.
Além dos assaltos, a organização mantinha mecanismos de lavagem de capitais para ocultar os lucros obtidos com as atividades ilícitas.
Controle de serviços nas comunidades
As apurações também apontaram que o grupo criminoso exercia controle sobre serviços considerados essenciais dentro das comunidades dominadas pelo TCP.
Entre as atividades exploradas ilegalmente estavam a venda de gás, o fornecimento de água e o acesso à internet, impondo monopólios e cobrando taxas dos moradores.
Bailes funk como ferramenta da facção
A investigação revelou ainda que bailes funk realizados na Vila do João eram utilizados como instrumento de fortalecimento da organização criminosa.
Segundo a polícia, os eventos serviam para movimentação financeira, venda de produtos, fortalecimento da imagem das lideranças e até escoamento de mercadorias roubadas. Durante os bailes, foram registrados criminosos armados com fuzis circulando livremente.
Esquema de roubo e receptação de celulares
Outro foco da operação é um esquema organizado de roubos de celulares.
As investigações apontaram que os criminosos atuavam com metas definidas pela facção, utilizando armas e motocicletas para cometer os assaltos. Os aparelhos eram avaliados conforme a possibilidade de desbloqueio. Celulares desbloqueados chegavam a valer até R$ 2,5 mil, enquanto aparelhos bloqueados eram revendidos por valores entre R$ 300 e R$ 600.
A polícia conseguiu identificar toda a cadeia criminosa, incluindo líderes, executores dos roubos e receptadores responsáveis pela revenda dos produtos.
Crimes de abuso infantil
Durante as investigações, os agentes também identificaram a participação de investigados em grupos virtuais dedicados ao compartilhamento de material de abuso sexual infantil.
Segundo a Polícia Civil, os envolvidos utilizavam aplicativos de mensagens para trocar vídeos e imagens com conteúdo de extrema gravidade, incluindo vítimas de diferentes faixas etárias. Em um dos casos apurados, um dos investigados mantinha contato com um adolescente de 13 anos que já havia sido vítima de abuso.
Violência doméstica
Outra linha investigativa surgiu a partir de um caso de violência doméstica registrado na Baixa do Sapateiro. Após descumprir medidas protetivas e agredir uma mulher, o suspeito passou a ser monitorado pelos agentes, que identificaram também indícios de posse ilegal de armas.
De acordo com a Polícia Civil, a Operação Trinus busca atingir não apenas integrantes do tráfico de drogas, mas toda a estrutura financeira e logística que sustenta o poder da facção dentro das comunidades da Maré, enfraquecendo suas fontes de receita e sua capacidade de atuação criminosa.
Ana Carolina Garcia Berg de Marco
Operação Trinus mira estrutura financeira do TCP no Complexo da Maré


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