Operação mira ADA que movimenta R$ 500 mil por semana


A Polícia Civil realizou, nesta terça-feira (30), uma operação contra o núcleo financeiro da facção Amigos dos Amigos (ADA), com atuação na Vila Vintém, na Zona Oeste. Segundo as investigações, a organização movimenta cerca de R$ 500 mil, por semana, com lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas. Os agentes atuaram em Bangu e Realengo. Dois suspeitos morreram em um confronto e seis pessoas foram presas.

A ação foi realizada por equipes da 34ª DP (Bangu), com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), do Departamento-Geral de Polícia da Capital (DGPC) e do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE). As equipes buscaram cumprir 14 mandados de prisão temporária e 23 de busca e apreensão.

As apurações identificaram um esquema estruturado da ADA para converter os valores obtidos com a venda de drogas em dinheiro em espécie. De acordo com a 34ª DP, o comércio de entorpecentes na região é feito, em grande parte, por PIX e pagamentos em máquinas de cartão de crédito ou débito.

A investigação descobriu que os valores são, inicialmente, transferidos para contas bancárias de terceiros, utilizados como “laranjas”. Depois, cartões vinculados a essas contas são repassados a outros integrantes, responsáveis por sacar os valores em espécie. Após esse processo, o dinheiro volta à facção desligado de sua origem ilícita, abastecendo novamente a estrutura financeira do tráfico.

A delegada Raíssa Celles, diretora do DGPC, explicou que a investigação começou após a prisão em flagrante de um homem, realizada no último dia 25 pela Polícia Militar. Com ele, as equipes encontraram cartões com senhas acopladas. A partir disso, foi identificado que o autor se tratava de um operador financeiro da ADA, responsável por fazer saques em várias agências bancárias para levar o dinheiro em espécie de volta ao tráfico de drogas.

No decorrer da apuração, a 34ª DP identificou e indiciou 14 integrantes diretamente envolvidos na prática criminosa. Cada um movimentava, em média, cerca de R$ 5 mil por dia.

Segundo a delegada, os indiciados se voluntariaram para ser “laranjas” em troca de um pagamento. A medida que sacavam o dinheiro, eles prestavam conta ao gerente do tráfico da Vila Vintém, que é o responsável por essa célula da facção.

“É um esquema muito bem elaborado, montado e permanente. O que a gente procura, nos próximos passos, é que essas pessoas sejam presas. Esses 14 mandados de prisão temporária expedidos pela Justiça são de pessoas que não tinham antecedentes criminais. Elas participam do tráfico, não diretamente na venda de drogas, mas fazendo todo o arcabouço financeiro, o que faz com que a organização esteja cada vez mais fortes. É o que possibilita a compra de armas, o recrutamento de novos agentes, que fomenta e estimula cada vez mais o crescimento dessas organizações”, destacou Celles.

Na chegada dos policiais na Vila Vintém, houve troca de tiros. Dois suspeitos, ainda não identificados, morreram no confronto. A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) investiga o caso.

Além dos mandados, a Justiça do Rio determinou o bloqueio das contas bancárias usadas no esquema, com objetivo de interromper o fluxo financeiro da organização criminosa.

A operação desta terça buscou enfraquecer a estrutura financeira da facção, interromper a circulação de recursos ilícitos e reunir novos elementos para o avanço das investigações.

Cinco motos roubadas foram recuperadas. Os agentes apreenderam drogas, maquinas de cartão e celulares.

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André Aquino

Operação mira ADA que movimenta R$ 500 mil por semana


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