Operação investiga golpe contra locadoras de veículos
Foto: Polícia Civil RJ
Investigação aponta que pelo menos 36 veículos foram obtidos por meio do esquema
RIO DE JANEIRO – A Polícia Civil deflagrou nesta sexta-feira (7), uma operação para desarticular uma organização criminosa suspeita de aplicar golpes contra empresas de locação de veículos. Segundo as investigações, o grupo utilizava uma empresa de fachada para contratar carros, retirar os veículos das locadoras e depois revendê-los ilegalmente.
A investigação aponta que pelo menos 36 veículos foram obtidos por meio do esquema. O prejuízo estimado para as empresas chega a R$ 1 milhão. A organização criminosa, segundo a Polícia Civil, estaria em atividade desde março de 2025.
Ao todo, são cumpridos nove mandados de busca e apreensão em endereços no Rio de Janeiro, São João de Meriti e Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, e Cabo Frio, na Região dos Lagos.
Durante a operação, policiais encontraram dinheiro falso na residência de um dos investigados. Ele foi preso em flagrante.
Empresa de fachada
As investigações são conduzidas pela 41ª DP (Tanque) e começaram em janeiro deste ano, após a localização de três veículos pertencentes a uma locadora que teriam sido revendidos irregularmente.
Um Hyundai HB20 foi encontrado em uma oficina mecânica. Já um Fiat Argo e um Fiat Mobi estavam sendo anunciados para venda em uma agência de automóveis, mesmo ainda vinculados a contratos de locação. Um dos veículos apresentava sinais de adulteração.
De acordo com a investigação, uma empresa localizada em Olaria, na Zona Norte do Rio, firmou 36 contratos de aluguel de veículos com uma locadora. Os carros, entretanto, teriam sido retirados e posteriormente vendidos sem autorização da proprietária.
Esquema funcionava em etapas
Segundo a Polícia Civil, a primeira etapa do esquema consistia na criação de uma empresa em nome de um suposto “laranja”. O responsável teria fornecido seus documentos e realizado os procedimentos necessários para abertura da empresa acreditando que participaria de uma operação regular para obtenção de crédito.
Na segunda etapa, os veículos eram retirados das unidades da locadora por pessoas recrutadas por meio de anúncios em redes sociais. Cada participante receberia R$ 150 por carro retirado.
A polícia identificou diversos envolvidos nessa função. Um dos investigados teria retirado pelo menos 11 veículos.
Após a retirada, os carros eram entregues a um homem que utilizaria o nome “Vinícius” nas negociações. Na terceira etapa, os veículos eram inseridos no mercado formal de compra e venda e oferecidos a intermediários e agências.
Segundo o delegado Ricardo Barbosa, titular da 41ª DP, a investigação revelou uma estrutura criminosa especializada em fraudes envolvendo veículos obtidos de forma irregular de grandes locadoras.
Carros eram clonados
Além das revendas, a investigação identificou indícios de clonagem e adulteração de veículos. Perícias realizadas pela Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA) apontaram alterações em um Toyota Corolla, um Hyundai Creta e uma Iveco Daily.
O rastreamento das movimentações financeiras também revelou transações consideradas suspeitas pelos investigadores. Em uma única negociação, o grupo teria movimentado aproximadamente R$ 154,6 mil.
A investigação identificou ainda transferências de R$ 185,1 mil para um dos investigados e de R$ 115 mil para um adolescente de 16 anos. Segundo a polícia, o menor teria sido aliciado para receber valores em uma conta bancária controlada por terceiros.
Empresas também teriam sido utilizadas para movimentar e ocultar recursos provenientes do esquema. Uma delas teria recebido mais de R$ 219 mil, sem apresentar movimentação financeira compatível com a atividade econômica declarada.
A polícia também apura a contratação de um empréstimo de R$ 150 mil por meio do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), realizado em nome da empresa apontada como de fachada.
Os investigados são apurados por suspeitas de estelionato, associação criminosa, adulteração de sinal identificador de veículo automotor, corrupção de menores e lavagem de dinheiro.
As diligências continuam para identificar todos os integrantes do grupo, localizar outros veículos envolvidos no esquema e esclarecer a participação de cada investigado.
Carol Berg



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