Neto cobra do Governo Federal ações contra tarifaço
Foto – Arquivo
Essa é a segunda manifestação de Neto sobre o tema — ele já havia colocado Volta Redonda à disposição do Governo para debater alternativas de proteção à indústria
Volta Redonda – O prefeito de Volta Redonda, Antonio Francisco Neto, voltou a cobrar do Governo Federal medidas efetivas para proteger a indústria siderúrgica brasileira, os empregos e a economia dos municípios diretamente impactados pela crise do setor. Em nova correspondência encaminhada à Presidência da República, Neto chama atenção para duas frentes que vêm pressionando a indústria nacional: as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao aço brasileiro e o crescimento das importações de aço, especialmente provenientes da Ásia, em condições frequentemente apontadas pelo setor como de concorrência desleal.
Para o prefeito, o Brasil enfrenta uma pressão que atinge a siderurgia pelos dois lados: enquanto as barreiras comerciais dificultam a presença do aço brasileiro no mercado externo, o avanço do produto importado amplia a concorrência dentro do próprio mercado nacional, afetando competitividade, produção, investimentos e empregos.
Esta é a segunda vez que Neto se manifesta diretamente sobre o assunto. Ainda durante o primeiro episódio envolvendo o aumento das tarifas norte-americanas sobre o aço brasileiro, o prefeito colocou Volta Redonda à disposição do Governo Federal para contribuir com as discussões e com a busca de alternativas para proteger a indústria nacional.
Segundo Neto, entretanto, apesar da importância de Volta Redonda para a história da siderurgia brasileira e da presença da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) no município, a prefeitura não foi procurada para participar das discussões realizadas naquele momento.
“Quando surgiu o primeiro alerta, nós nos manifestamos e colocamos Volta Redonda à disposição para ajudar. Infelizmente, não fomos procurados. E o problema não está apenas nas tarifas dos Estados Unidos. Temos também uma entrada cada vez maior de aço asiático no mercado brasileiro, pressionando nossas empresas dentro do próprio país. Agora já estamos vendo uma grande siderúrgica anunciar demissões e redução de investimentos. É preciso agir antes que esse cenário avance”, afirmou Neto.
Demissões reforçam alerta
A nova manifestação ocorre após os recentes anúncios da Gerdau, que confirmou aproximadamente 1,5 mil demissões no país, além da redução de investimentos e da possibilidade de novos cortes.
Na avaliação do prefeito, os acontecimentos demonstram que os riscos apontados anteriormente deixaram de representar apenas uma preocupação futura e começam a produzir consequências concretas.
“Não estamos falando de uma possibilidade distante. As demissões estão acontecendo. Quando uma grande siderúrgica reduz produção ou investimentos, o impacto não fica dentro dos portões da fábrica. Chega aos fornecedores, aos prestadores de serviço, ao comércio, à arrecadação dos municípios e, principalmente, às famílias dos trabalhadores”, ressaltou Neto.
Pressão também acontece dentro do Brasil
Na correspondência enviada à Presidência, a prefeitura destaca especialmente a necessidade de fortalecer os instrumentos de defesa comercial diante do crescimento das importações de aço.
Para Neto, proteger a indústria brasileira exige tanto atuação diplomática para enfrentar as barreiras impostas ao produto nacional no exterior quanto medidas capazes de assegurar condições equilibradas de concorrência no mercado interno.
“Não adianta lutarmos para abrir mercados para o aço brasileiro lá fora e permitirmos que nossa indústria perca espaço aqui dentro. O Brasil precisa defender suas empresas e seus trabalhadores. Não estamos pedindo privilégios para ninguém. Estamos pedindo condições justas de competição para uma indústria estratégica para o país”, afirmou.
Municípios precisam ser ouvidos
Neto também reforçou que as cidades que possuem forte presença da indústria siderúrgica precisam participar diretamente das discussões conduzidas pelo Governo Federal.
Em Volta Redonda, a CSN representa um dos principais pilares da economia municipal e regional, movimentando uma extensa cadeia de fornecedores, prestadores de serviços e empregos diretos e indiretos.
“Queremos ajudar, mas também queremos ser ouvidos. Os municípios estão na ponta e são os primeiros a sentir os efeitos de uma redução da atividade industrial. Volta Redonda conhece a siderurgia, conhece seus trabalhadores e sabe o tamanho dessa cadeia econômica. Não faz sentido discutir o futuro desse setor sem ouvir as cidades diretamente afetadas”, disse Neto.
Entre as providências solicitadas pela prefeitura estão o fortalecimento dos instrumentos de defesa comercial contra práticas de concorrência desleal; maior agilidade na análise e aplicação de medidas antidumping e salvaguardas, quando cabíveis; intensificação das negociações diplomáticas para reduzir barreiras ao aço brasileiro; desenvolvimento de políticas de preservação dos empregos e da capacidade produtiva; e a criação de um grupo permanente de acompanhamento da siderurgia nacional, com participação dos municípios diretamente afetados.
“É hora de agir”
Neto reforçou que a nova manifestação busca chamar a atenção do Governo Federal para a necessidade de uma resposta coordenada enquanto ainda há condições de preservar empregos, investimentos e capacidade produtiva.
“Já havíamos alertado e continuamos à disposição do Governo Federal. O que esperamos agora é atenção e participação. Precisamos enfrentar tanto as barreiras contra o nosso aço no exterior quanto a concorrência que ameaça a indústria brasileira dentro do nosso próprio mercado. É hora de agir. Defender a siderurgia nacional é defender empregos, famílias, municípios e uma indústria fundamental para o desenvolvimento do Brasil”, concluiu o prefeito.
Carol Berg




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