Neandertais: estudo sugere que usavam alcatrão para tratar ferimentos e evitar infecções

Como neandertais lidavam com ferimentos?

Evidências recentes levantam a intrigante possibilidade de que os neandertais, nossos extintos parentes evolutivos, possuíam conhecimentos sobre o uso de substâncias naturais para fins medicinais. Um novo estudo sugere que eles poderiam ter empregado alcatrão, extraído da casca de árvores como bétulas e vidoeiros, para tratar ferimentos e prevenir infecções, uma prática análoga à utilizada por algumas tribos indígenas modernas.

A inteligência e as capacidades dos hominídeos extintos

Longe de serem criaturas primitivas, os neandertais demonstraram ao longo de décadas de estudo uma notável inteligência. Eram capazes de fabricar ferramentas complexas, criar arte, realizar rituais funerários e dominar o uso do fogo. Sua robustez física permitiu que se espalhassem por vastas regiões da Europa durante a Era do Gelo, ocupando o continente de forma permanente e aventurando-se por outras áreas como o Levante e a Ásia Central.

A interação entre Homo sapiens e Homo neanderthalensis é um fato histórico, e essa convivência deixou marcas genéticas em nós. Europeus modernos carregam em média entre 1,5% e 2,6% de DNA neandertal. Pesquisas mais recentes também indicam que seus cérebros operavam em um ritmo diferente do nosso, sugerindo outras formas de processamento cognitivo.

O papel do alcatrão na medicina antiga

A hipótese de que os neandertais utilizavam o alcatrão como antisséptico é baseada na observação de suas propriedades. O alcatrão de bétula é conhecido por suas qualidades antibacterianas e adesivas, o que o tornaria um candidato ideal para limpar e proteger feridas de contaminações externas. Essa descoberta adiciona uma nova camada à compreensão de suas habilidades adaptativas e de seu conhecimento sobre o ambiente.

Neandertais e a herança genética

A extinção dos neandertais, ocorrida há pelo menos 40 mil anos, ainda é objeto de debate científico. No entanto, a interação com o Homo sapiens foi significativa, não apenas em termos de competição por recursos, mas também de intercâmbio genético. A presença de genes neandertais em populações humanas atuais é uma prova tangível dessa antiga convivência.

Compreender como os neandertais manejavam seus ferimentos, possivelmente com o uso de alcatrão, é um passo importante para desmistificar a imagem de hominídeos menos capazes. Essa nova linha de pesquisa reforça a ideia de que eles possuíam um repertório de conhecimentos práticos que lhes permitiam sobreviver e prosperar em ambientes desafiadores.

Redação
https://www.resende.com.br/2026/03/23/neandertais-alcatrao-antisseptico/

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