Justiça brasileira resolveu 45 milhões de processos em 2025
Foto: Divulgação
País – O Poder Judiciário brasileiro encerrou 2025 com um desempenho histórico em produtividade e um paradoxo que revela a dimensão do problema que enfrenta. Enquanto os tribunais do país baixaram 45,2 milhões de processos no ano, o volume de novas ações chegou a 40,9 milhões, o maior registrado desde 2004, quando o Conselho Nacional de Justiça começou a publicar o relatório Justiça em Números.
Os dados foram apresentados pelo presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, durante sessão do Conselho na terça-feira (23). “Trata-se de produtividade incomparável, notável e digna de todo reconhecimento. Trata-se do Poder Judiciário mais produtivo do mundo”, afirmou Fachin.
Os números que impressionam
O índice de atendimento à demanda chegou a 110,4%, o que significa que para cada 100 processos que entraram na Justiça em 2025, cerca de 110 foram resolvidos no mesmo período. Com isso, o estoque processual caiu pelo segundo ano consecutivo e encerrou 2025 em 75,5 milhões de processos em tramitação, uma redução de 3,4 milhões em relação a 2024 e o menor acervo registrado em quase uma década.
O tempo médio de tramitação também recuou. Um processo levou, em média, 2 anos e 4 meses para ser encerrado em 2025. Quando as execuções fiscais são retiradas do cálculo, por envolverem maior complexidade na localização de bens , esse prazo cai para 1 ano e 6 meses. As execuções fiscais, por sua vez, ainda levam em média 8 anos e 2 meses até a baixa, um dos principais gargalos do sistema.
A estrutura por trás dos números
Para dar conta desse volume, o Judiciário brasileiro contava ao fim de 2025 com 19.094 magistrados e 281.252 servidores distribuídos pela Justiça Estadual, Federal, do Trabalho, Eleitoral e Militar, além dos tribunais superiores.
Apesar dos avanços, o próprio presidente do CNJ reconheceu os desafios que persistem. “Os números apontam desafios que permanecem presentes, entre eles o crescimento contínuo da litigiosidade, a elevada quantidade de processos suspensos, os gargalos na fase de execução e a necessidade de ampliar a representatividade racial e de gênero na magistratura”, afirmou Fachin.
O relatório Justiça em Números chega em 2026 à sua 23ª edição e é o principal instrumento de monitoramento e transparência do Judiciário brasileiro.
Mayra Gomes



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