Instituto registra fêmeas grávidas de três espécies de tubarões

Fotos: Instituto PROSHARK
Descoberta amplia o conhecimento sobre a presença e o comportamento desses animais na região e reforça a necessidade de monitoramento de longo prazo

Angra dos Reis – Um estudo realizado pelo Instituto PROSHARK registrou, pela primeira vez no complexo Ilha Grande–Sepetiba, no litoral do Rio de Janeiro, fêmeas grávidas de três espécies de tubarões. A descoberta amplia o conhecimento sobre a presença e o comportamento desses animais na região e reforça a necessidade de monitoramento de longo prazo.

Foram identificadas fêmeas grávidas de tubarão-galha-preta (Carcharhinus limbatus), tubarão-rotador (Carcharhinus brevipinna) e tubarão-mangona (Carcharias taurus). Ao todo, seis fêmeas foram analisadas, registradas em diferentes locais e anos.

Por meio de necropsias, os pesquisadores conseguiram observar diretamente os embriões e identificar diferentes estágios de desenvolvimento. Para a equipe, o conjunto das informações reforça a hipótese de que o complexo Ilha Grande–Sepetiba possui uma função importante para a reprodução de tubarões costeiros.

“Não estamos falando de um único animal ou de um evento isolado. São três espécies, diferentes anos, locais e estágios de gestação. Quando começamos a reunir essas evidências, percebemos que havia uma história ecológica muito maior acontecendo nessa região”, explica a bióloga Dra. Fernanda Lana, do Instituto PROSHARK e responsável pelo estudo.

Monitoramento revela deslocamentos

A pesquisa faz parte de um trabalho mais amplo desenvolvido pelo Instituto PROSHARK, responsável pelo Programa Integrado de Monitoramento de Tubarões e Raias do Estado do Rio de Janeiro.

Os pesquisadores utilizam diferentes tecnologias para acompanhar a movimentação dos animais, entre elas telemetria satelital e acústica e drones. O objetivo é entender como as diferentes espécies utilizam os ambientes costeiros do estado.

Os dados já indicam que alguns animais permanecem ou retornam a determinadas áreas, enquanto outros realizam deslocamentos de grande escala. Há registros de tubarões que deixam o litoral fluminense e seguem em direção ao Sul do Brasil, além de animais que realizam deslocamentos ao redor da Ilha Grande.

O conhecimento dos pescadores e comunidades tradicionais também integra esse processo. Segundo o instituto, relatos de caiçaras sobre a presença dos animais na região ajudam a orientar a pesquisa e, associados ao monitoramento tecnológico, contribuem para compreender quando e como os tubarões utilizam determinados ambientes.

Área é reconhecida internacionalmente

Uma das regiões monitoradas pelo PROSHARK, Piraquara de Fora, na Baía da Ilha Grande, recebeu em 2025 o reconhecimento internacional como uma Important Shark and Ray Area (ISRA), Área Prioritária para Tubarões e Raias da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

A classificação reconhece a importância ecológica da área para tubarões e raias e insere um ponto do litoral do Rio de Janeiro em uma iniciativa internacional voltada à identificação de habitats importantes para essas espécies.

A proposta de reconhecimento de Piraquara de Fora como ISRA foi apresentada pelo Instituto PROSHARK em conjunto com outros pesquisadores. De acordo com o instituto, os dados produzidos pela pesquisa também podem contribuir para políticas públicas relacionadas à conservação da região.

Ciência para conservação

Para o Instituto PROSHARK, a identificação de fêmeas grávidas não deve ser interpretada como motivo para alarme. Os tubarões fazem parte naturalmente dos ecossistemas marinhos, e o conhecimento sobre sua presença é considerado uma ferramenta para conservação e planejamento.

“Nós não romantizamos os tubarões. São animais silvestres e devem ser tratados com respeito. Mas informação é fundamental para substituir o receio e desinformação por conhecimento”, afirma Fernanda Lana.

Segundo a pesquisadora, compreender onde os animais estão, quando utilizam determinadas áreas e quais são seus padrões de movimentação pode oferecer subsídios técnicos para órgãos públicos responsáveis pela gestão do território e dos recursos naturais.

Os resultados também podem auxiliar áreas como planejamento marinho-costeiro, gestão de unidades de conservação, licenciamento ambiental e turismo sustentável.

Pesquisa terá continuidade

O estudo não encerra o trabalho de monitoramento. O Instituto PROSHARK pretende ampliar o acompanhamento de tubarões e raias no Estado do Rio de Janeiro e aprofundar o conhecimento sobre a conexão entre diferentes áreas da costa brasileira.

“O artigo responde algumas perguntas, mas abre muitas outras. A cada novo animal monitorado, cada detecção e cada temporada de campo, conhecemos um pouco mais essa dinâmica”, destaca Fernanda.

A pesquisadora afirma que o objetivo é transformar os dados obtidos em conhecimento e informação acessível, contribuindo para decisões de conservação e planejamento baseadas em evidências científicas.

Fonte/entrevista: Dra. Fernanda Lana, bióloga e diretora-presidente do Instituto PROSHARK e responsável pelo estudo.

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Carol Berg

Instituto registra fêmeas grávidas de três espécies de tubarões


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