Inclusão de mulheres é apontada como alternativa à falta de mão de obra
Foto: Divulgação
Rio – A falta de profissionais qualificados é um dos desafios enfrentados pela construção civil e a ampliação da participação feminina pode contribuir para aumentar o número de trabalhadores disponíveis no setor. O tema foi discutido pela presidente do Sinduscon-SF, Elissandra Candido, durante o painel “Elas Constroem”, realizado nesta terça-feira (6), na FEICON Rio, no Riocentro.
Dados apresentados durante a palestra apontam que 28,6% das construtoras citam a falta de trabalhadores qualificados entre os principais problemas do setor. Ao mesmo tempo, as mulheres representam cerca de 13% da força de trabalho nos canteiros, com mais de 200 mil profissionais. Na última década, as contratações femininas cresceram mais de 50%.
“Se falta mão de obra, estamos realmente olhando para todo o potencial disponível?”, questionou Elissandra.
Segundo ela, a ampliação da presença feminina passa não apenas pela formação, mas também pela criação de oportunidades de entrada e permanência no mercado de trabalho.
Resultados apresentados do programa Elas Constroem mostram que, das 257 mulheres matriculadas, 216 concluíram a formação, 174 foram encaminhadas para oportunidades e 48 haviam sido contratadas até a apresentação dos dados.
“Qualificação sem oportunidade vira certificado. A ponte precisa ter as duas margens: qualificação e oportunidade”, afirmou.
Formação e permanência
Para Elissandra, além de contratar mulheres, as empresas precisam oferecer condições para que elas permaneçam no setor e desenvolvam suas carreiras. Entre os pontos citados estão ambientes seguros, combate ao assédio, estrutura adequada, desenvolvimento profissional e critérios claros de crescimento.
A proposta também envolve ampliar a discussão sobre diversidade para outras áreas das empresas, além dos setores de recursos humanos. Segundo a presidente do Sinduscon-SF, o tema pode ser considerado em áreas como operações, suprimentos, fornecedores e parceiros comerciais.
Uma das sugestões apresentadas é que empresas considerem políticas de diversidade e inclusão de fornecedores em processos de contratação e concorrências.
A ideia, de acordo com Elissandra, é ampliar a participação feminina desde a formação até posições técnicas, engenharia, supervisão, gestão e direção.
“Ser a primeira é uma conquista. Fazer com que a próxima não seja notícia é transformação”, afirmou.
Cinco caminhos
Durante o painel, Elissandra apresentou cinco medidas que podem ser adotadas pelas empresas: formar, por meio do apoio a programas de capacitação; contratar, ampliando canais e critérios de recrutamento; incluir, com preparação de ambientes e lideranças; desenvolver, criando possibilidades de carreira; e comprar com propósito, valorizando fornecedores que também adotem iniciativas de diversidade e inclusão.
Para a presidente do Sinduscon-SF, a ampliação da participação feminina pode ser associada às estratégias de enfrentamento da falta de profissionais qualificados no setor.
“Não estamos falando de ocupar o lugar de ninguém. Estamos falando de aumentar a mesa”, afirmou.
A discussão realizada na FEICON Rio colocou em debate a possibilidade de integrar políticas de diversidade às estratégias de formação e contratação de profissionais para atender às demandas da construção civil.
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Mayra Gomes
Inclusão de mulheres é apontada como alternativa à falta de mão de obra
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