Grupo de Londrina encara 456 km de bicicleta no Sul Fluminense
Foto: Divulgação
SUL FLUMINENSE – O turismo sobre duas rodas no Sul Fluminense vive nesta semana um momento importante para a consolidação de uma nova modalidade de visitantes na região. Um grupo de ciclistas de Londrina, no Paraná, iniciou nesta segunda-feira (17) o percurso completo dos 456 quilômetros de O Circuito, roteiro turístico que atravessa o território conectando as regiões das Agulhas Negras e do Vale do Café.
É a primeira vez que um grupo vindo de fora do Sul Fluminense se organiza para completar toda a rota. Os ciclistas chegaram ao Rio de Janeiro no domingo (16) e terão pela frente seis dias de pedal, com encerramento previsto para sábado (22).
Mais do que completar 456 quilômetros, eles farão uma espécie de viagem pelo patrimônio natural, histórico e cultural do interior fluminense. O próprio projeto define O Circuito como uma imersão que conecta natureza, cultura e as belezas do interior do estado. A rota integra 13 municípios e foi concebida pela ADR Sul Fluminense em parceria com o Sebrae-RJ e apoio da Setur-RJ/TurisRio.
“Receber o primeiro grupo de fora da nossa região para percorrer os 456 quilômetros do Circuito Sul Fluminense de Turismo em apenas seis dias é um momento muito especial. É a confirmação de que o Circuito está se transformando em um produto turístico de verdade, capaz de atrair visitantes e conectar os nossos territórios. Mas esse é só o começo. Agora vamos avançar no georreferenciamento dos chamados curtos circuitos, detalhando as experiências e os lugares especiais que existem dentro de cada região. Queremos mostrar ao Brasil que, além dos 456 quilômetros, existem muitos outros caminhos, paisagens e experiências esperando para serem descobertos. Com as rotas disponíveis no site e em aplicativos como Strava e Wikiloc, o visitante ganha autonomia para conhecer e viver o Sul Fluminense”, disse Mariane Vilela Carraro, diretora do Eixo Turismo da ADR Sul Fluminense.
Das montanhas de Mauá às fazendas do Vale do Café
Logo no primeiro dia, o grupo encara 58 quilômetros entre Floriano e Visconde de Mauá, entrando em uma das áreas de maior riqueza natural do Sul Fluminense.
É a porta de entrada para as Agulhas Negras, região formada turisticamente por Resende, Itatiaia, Quatis e Porto Real e caracterizada pela combinação de montanhas, vegetação exuberante, cachoeiras e formações rochosas. O Pico das Agulhas Negras, referência geográfica da região, alcança 2.791 metros de altitude.
No caminho para Mauá, os paranaenses passam por pontos como uma queijaria no km 97, o Bar Capelinha, o Mirante do Sereno, o Mirante da Paz, a Cervejaria Backbone e a região do Parque Estadual da Pedra Selada.
É também uma mudança radical de paisagem. Estradas rurais, montanhas, pastagens, fragmentos de Mata Atlântica, rios e cursos d’água formam parte do cenário encontrado pelos ciclistas.
A proposta é justamente fazer com que o visitante não atravesse simplesmente a região, mas permaneça nela.
O ciclista dorme nas cidades, toma café, almoça, janta, compra produtos locais, conhece produtores, utiliza pousadas e hotéis e estabelece contato com comunidades que dificilmente fariam parte de uma viagem convencional pelas principais rodovias.
É aí que a bicicleta passa a funcionar também como instrumento de desenvolvimento econômico.
456 quilômetros de economia circulando pelas cidades
A experiência do grupo de Londrina funciona como um teste concreto da capacidade de O Circuito de atrair turistas de outros estados e transformar a rota em produto turístico regional.
O projeto nasceu exatamente com essa concepção. Além do contato com a natureza, a estrutura busca estimular gastronomia, hospedagem, comércio, cultura e pequenos negócios existentes ao longo do percurso.
Depois de Visconde de Mauá, os ciclistas seguem na terça-feira (18) para Quatis, num trecho de aproximadamente 85 quilômetros.
Na quarta-feira (19), serão outros 84 quilômetros entre Quatis e Valença. É nesse trecho que a viagem começa a mergulhar mais intensamente na identidade do Vale do Café.
Estão no caminho localidades como Aparado, São José do Turvo e Conservatória, além de mirantes e antigos traçados associados à história ferroviária da região.
A transformação da paisagem acompanha uma transformação histórica.
O visitante deixa gradativamente o território montanhoso das Agulhas Negras para entrar numa região profundamente marcada pelo ciclo do café do século XIX. Segundo O Circuito, o Vale do Café chegou a produzir, naquele período, cerca de 75% do café consumido no mundo.
Fazendas históricas, antigas estações ferroviárias, casarões, pequenas cidades, serras e estradas rurais passam a dividir espaço com os atrativos naturais.
Vale do Café entra no roteiro
Na quinta-feira (20), o desafio será percorrer 66 quilômetros entre Valença e Barra do Piraí.
O roteiro prevê passagem pela região do Parque Estadual da Serra da Concórdia, por Vassouras e por Jaboticabeiras.
Na sexta-feira (21), vem a etapa mais longa: 91 quilômetros entre Barra do Piraí e Pinheiral, passando pela região de Piraí, Passa Três, São Joaquim da Grama e Arrozal.
O último dia de bicicleta será sábado (22), quando o grupo percorrerá aproximadamente 72 quilômetros entre Pinheiral e Floriano, passando por Volta Redonda, Barra Mansa e pela região de Rialto. No domingo (23), os ciclistas iniciam a viagem de retorno a Londrina.
Ao final, serão 456 quilômetros atravessando diferentes paisagens e experiências do Sul Fluminense.
Do cicloturismo ao turismo de natureza
Embora tenha surgido fortemente associado à bicicleta, O Circuito ampliou sua proposta. Atualmente, o roteiro também é apresentado para caminhadas, corridas, cavalgadas, observação de aves e atividades off-road.
Essa diversificação abre uma frente importante para o turismo regional: aproveitar um patrimônio que já existe.
São montanhas, cachoeiras, rios, estradas vicinais, áreas preservadas, fragmentos de Mata Atlântica, fauna, flora, antigas fazendas, estações ferroviárias, gastronomia regional e comunidades rurais distribuídos pelo território.
Em vez de cada município tentar vender isoladamente seus atrativos, O Circuito propõe um único produto turístico regional, fazendo com que o visitante atravesse diferentes cidades e permaneça vários dias no Sul Fluminense.
A dimensão do projeto já ganhou reconhecimento nacional. O Circuito conquistou o segundo lugar no Prêmio Bicicleta Brasil, iniciativa do Ministério das Cidades voltada ao incentivo da bicicleta e da mobilidade ativa. A ADR informa que o projeto concorreu em uma edição que recebeu mais de 400 inscrições de todo o país.
A chegada do primeiro grupo de Londrina coloca agora essa estratégia diante de um novo desafio: transformar uma rota regional conhecida pelos próprios ciclistas do Sul Fluminense em destino capaz de trazer visitantes de outros estados.
O CIRCUITO – DIA A DIA DOS CICLISTAS
17/08 – segunda
Floriano → Visconde de Mauá
58 km
Queijaria, Capelinha, Mirante do Sereno, Mirante da Paz, Cervejaria Backbone e Pedra Selada
18/08 – terça
Visconde de Mauá → Quatis
85 km
Agulhas Negras, serras, estradas rurais e natureza
19/08 – quarta
Quatis → Valença
84 km
Mirante da linha férrea, Aparado, São José do Turvo e Conservatória
20/08 – quinta
Valença → Barra do Piraí
66 km
Serra da Concórdia, Vassouras e Jaboticabeiras
21/08 – sexta
Barra do Piraí → Pinheiral
91 km
Piraí, Ponte da Barragem, Passa Três, São Joaquim da Grama e Arrozal
22/08 – sábado
Pinheiral → Floriano
72 km
Volta Redonda, Barra Mansa, Rialto e conclusão do circuito
Circuito completo
456 km
Agulhas Negras + Vale do Café
ONDE O GRUPO VAI PERNOITAR
O roteiro programado inclui hospedagens em Floriano, Visconde de Mauá, Quatis, Valença, Barra do Piraí e Pinheiral. A estratégia reforça justamente um dos efeitos econômicos esperados do cicloturismo: distribuir a permanência e o consumo dos visitantes entre diferentes municípios, em vez de concentrá-los em um único destino.
Uma região, vários destinos
Oficialmente, O Circuito conecta 13 municípios: Barra do Piraí, Barra Mansa, Itatiaia, Mendes, Pinheiral, Piraí, Porto Real, Quatis, Resende, Rio Claro, Valença, Vassouras e Volta Redonda. A rota reúne dois grandes territórios turísticos — Agulhas Negras e Vale do Café — dentro de uma experiência integrada de mais de 450 quilômetros.
O projeto é desenvolvido pela ADR Sul Fluminense, em parceria com o Sebrae-RJ, com apoio da Secretaria de Estado de Turismo/TurisRio, além das prefeituras e parceiros regionais envolvidos na implantação e manutenção da rota. A relação de parceiros do projeto inclui ainda instituições de ensino, entidades empresariais, empresas, hotéis, pousadas, estabelecimentos ligados ao ciclismo e ciclistas voluntários que participaram da construção e reconhecimento do percurso.
Foto: Divulgação
Mayra Gomes
Grupo de Londrina encara 456 km de bicicleta no Sul Fluminense




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