GAECO denuncia 20 por aliança entre milícia e tráfico no Rio

Foto: Divulgação/MPRJ
Operação do GAECO/MPRJ cumpre mandados contra investigados por ligação com milícia de Curicica e integrantes do TCP

Rio de Janeiro – O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAECO/MPRJ) denunciou 20 pessoas investigadas por integrar grupos ligados à milícia de Curicica e ao Terceiro Comando Puro (TCP). A denúncia foi recebida pela 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Capital.

Os denunciados respondem, segundo o Ministério Público, por crimes como constituição de milícia privada, associação para o tráfico de drogas com emprego de arma de fogo e comércio ilegal de armas e munições de uso restrito.

Nesta quinta-feira (27), a Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ), com apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Militar, cumpre mandados de prisão contra os denunciados.

Estrutura da milícia

De acordo com a denúncia, a milícia de Curicica teria uma estrutura hierarquizada e com divisão de funções. André Costa Bastos, conhecido como “Boto” ou “Redbull”, mesmo preso no sistema penitenciário federal, é apontado como responsável pelo comando estratégico.

Já Osmar Silva de Souza, conhecido como “Messi” ou “Novinho”, seria o líder operacional do grupo.

As investigações apontam que a organização teria como fontes de financiamento a cobrança de valores extorsivos de moradores e comerciantes, além da prática de roubos de veículos e cargas em Jacarepaguá e áreas próximas.

Aliança com o TCP

As investigações também identificaram uma suposta aliança entre a milícia de Curicica e integrantes do TCP que atuam nos complexos da Maré e da Pedreira.

Segundo o GAECO, o acordo seria baseado em um pacto de não agressão e cooperação operacional. Entre os objetivos estariam o apoio mútuo contra grupos rivais, principalmente o Comando Vermelho, além da facilitação do comércio ilegal de armas e drogas.

Yuri Guimarães Soares, conhecido como “Lirow”, é apontado como um dos responsáveis pela ligação entre a estrutura paramilitar e integrantes do TCP.

Policiais são denunciados

A denúncia também aponta a existência de um esquema de comércio clandestino de armamentos, incluindo fuzis de calibres 5,56 mm, 7,62 mm e .223, além de pistolas e munições.

Dois policiais militares também foram denunciados por suposta participação no fornecimento e na intermediação de armas e munições destinadas à milícia de Curicica e ao TCP.

São eles Jorge Anastácio Rodrigues Simões, lotado no 4º Batalhão da Polícia Militar, e Leo Carlos Araújo Santos, do 2º BPM.

Ao determinar as prisões preventivas, a Justiça considerou a gravidade dos fatos, a estrutura armada atribuída às organizações, o risco de reiteração criminosa e a necessidade de preservar a ordem pública.

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Carol Berg

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