Flávio Bolsonaro admite cobrança a Vorcaro por dinheiro para filme sobre pai

Fotos: Redes Sociais

Brasília – O senador Flávio Bolsonaro admitiu ter cobrado o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, por repasses financeiros destinados ao filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A confirmação aconteceu em um vídeo publicado pelo parlamentar nas redes sociais após a divulgação de áudios e mensagens pelo site Intercept Brasil

Na manifestação, Flávio reconhece que procurou Vorcaro para buscar “patrocínio privado” para o longa e afirma que o contato foi retomado após atrasos nos pagamentos da produção.

— O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme — afirmou o senador.

Segundo reportagem do Intercept, Vorcaro teria destinado cerca de R$ 61 milhões para financiar a produção cinematográfica. O valor faria parte de um acordo total estimado em US$ 24 milhões — aproximadamente R$ 134 milhões.

Os diálogos divulgados mostram Flávio Bolsonaro cobrando Vorcaro por atrasos nos pagamentos relacionados ao longa, estrelado pelo ator Jim Caviezel e dirigido por Cyrus Nowrasteh.

Em um dos áudios divulgados, atribuído ao senador, Flávio demonstra preocupação com o risco de interrupção da produção e afirma que a equipe do filme estava tensa diante da falta de recursos.

— Eu fico sem graça de ficar te cobrando, mas está em um momento muito decisivo aqui do filme. Tem muita parcela para trás e está todo mundo tenso — diz um dos trechos divulgados.

Em outro momento do áudio, Flávio afirma que a produção corria risco de “dar calote” em nomes conhecidos do cinema internacional.

— Imagina a gente dando calote no Jim Caviezel, num Cyrus, uns caras renomadíssimos do cinema americano, mundial. Ia ser muito ruim — afirma o senador na gravação.

Ainda segundo a reportagem, ao menos seis transferências teriam sido realizadas entre fevereiro e maio de 2025. Parte dos recursos, de acordo com o Intercept, teria sido enviada pela empresa Entre Investimentos e Participações para um fundo sediado no Texas, nos Estados Unidos, ligado a aliados de Eduardo Bolsonaro.

A publicação também aponta que o deputado federal Mário Frias, o empresário Thiago Miranda e Fabiano Zettel, citado em investigações da Polícia Federal como operador de Vorcaro, teriam participado das negociações relacionadas ao financiamento do projeto.

O caso ganhou repercussão porque uma das mensagens atribuídas a Flávio Bolsonaro teria sido enviada em 16 de novembro de 2025 — um dia antes da prisão de Vorcaro na Operação Compliance Zero e dois dias antes da liquidação do Banco Master.

Flávio negou irregularidades e afirmou que não houve uso de dinheiro público, Lei Rouanet ou oferecimento de vantagens em troca dos recursos. Segundo ele, o projeto era privado e não envolveu intermediação com o governo.

O Intercept afirma ter tido acesso a áudios, mensagens, comprovantes bancários e documentos ligados às negociações do filme. Até o momento, não há decisão judicial sobre ilegalidade nos repasses mencionados pela reportagem.

luciano junior

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