Fiocruz pesquisa qualidade do ar em Volta Redonda

Pesquisadores da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP), da Fiocruz, estão realizando uma pesquisa para avaliar a qualidade do ar no entorno da Usina Presidente Vargas, da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). O projeto “Qualidade do ar nas residências do entorno da CSN e efeitos à saúde” busca o levantamento de dados sobre a poluição atmosférica em residências situadas em um raio de até um quilômetro da usina. Os detalhes do levantamento foram apresentados recentemente na Universidade Federal Fluminense (UFF), na Vila Santa Cecília. A apresentação foi conduzida pelos pesquisadores Renato Borges e Leandro Carvalho. Segundo eles, a proposta busca aproximar a ciência da realidade da população, por meio do diálogo, da pesquisa e da participação comunitária.
Renato explicou que o projeto resulta de uma trajetória de estudos ambientais desenvolvidos pela equipe no bairro Volta Grande IV, onde fica o depósito de escória da CSN, incluindo avaliação das condições ambientais e da água. A experiência levou os pesquisadores a perceberem a necessidade de aprofundar as análises e integrar os dados científicos à participação popular.

“A gente encontrou uma questão no ambiente e percebeu que era preciso olhar para ela de uma maneira mais aprofundada, trabalhando melhor os dados e integrando essas informações com dados de saúde da população”, explicou Renato. Já Leandro ressaltou que o projeto tem caráter “científico, participativo e independente de orientações político-partidárias”. Segundo ele, a intenção é articular pesquisadores, instituições, organizações sociais e moradores, valorizando o conhecimento de quem vive no território. “A participação de cada morador é fundamental. Quem vive nessa região tem uma contribuição importante para a pesquisa, porque conhece a realidade local e pode ajudar a identificar questões que precisam ser investigadas”, afirmou.

A pesquisa prevê o acompanhamento das condições ambientais durante um ano, permitindo observar diferentes situações, como mudanças sazonais (estações do ano), ocorrência de chuvas e possíveis variações na qualidade do ar. Durante a apresentação, Leandro mostrou um mapa com a localização prevista para os pontos de amostragem, considerando o entorno da siderúrgica. A equipe também deverá visitar as residências de moradores que já manifestaram interesse em participar, seguindo os procedimentos éticos da pesquisa e garantindo o sigilo das informações. O objetivo, segundo eles, é construir um diagnóstico mais abrangente da região, reunindo dados técnicos e relatos da população, contribuindo para o debate sobre a qualidade ambiental, a saúde pública e a proteção dos moradores do entorno da CSN.

Os moradores que desejarem participar da pesquisa podem se cadastrar neste link.

CSN e Linha Verde – Na segunda-feira (14), a CSN anunciou o lançamento de novos meios de atendimento da Linha Verde, dedicada exclusivamente ao público externo para o registro, acompanhamento e tratamento de questões socioambientais. Além do telefone, a Linha Verde passou a contar com um site exclusivo e um canal de WhatsApp, segundo a empresa para proporcionar mais praticidade, agilidade e acessibilidade para o registro e acompanhamento de manifestações.
É possível registrar reclamações, solicitar informações socioambientais, encaminhar dúvidas, sugestões e críticas, além de acompanhar o tratamento dos assuntos enviados. Segundo a empresa, o canal foi criado para promover uma comunicação direta e eficiente, contribuindo para o fortalecimento do relacionamento entre a CSN e seu entorno. A empresa frisa que “todas as manifestações recebidas são analisadas por equipes especializadas, com prazo de resposta de até 72 horas”.
Para tornar o atendimento ainda mais eficiente, a companhia recomenda que os registros sejam feitos de forma objetiva e, sempre que possível, acompanhados de fotos e dados que auxiliem na análise da ocorrência.

“É uma iniciativa que reforça nosso compromisso com a escuta ativa e a construção de uma relação cada vez mais próxima e direta com as comunidades onde atuamos, ampliando a capacidade de compreender as demandas e atuar de forma cada vez mais responsável”, destaca Helena Brennand Guerra, diretora de Sustentabilidade e Meio Ambiente do Grupo CSN. (Foto: Arquivo)

Informa Cidade

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