Ex-presidente da Câmara recorre da cassação e denuncia perseguição política
Foto: Evandro Freitas
Ex-vereador Vitor Ralha se disse injustiçado e fez críticas sobre os poderes Legislativo e Executivo
Volta Redonda – Cassado por 9 votos a 1 pela Câmara Municipal de Miguel Pereira, o ex-presidente do Legislativo e ex-vereador Vitor Ralha, o Vitinho, afirma que a perda do mandato foi motivada por perseguição política e não pelas irregularidades apontadas no processo que resultou em sua destituição. Em entrevista exclusiva ao Diário do Vale após a decisão, ele fez uma série de acusações contra a administração do prefeito Pedro Paulo Sad Coelho, contestou os fundamentos da cassação e informou que já recorre da decisão na Justiça.
Segundo Vitinho, os conflitos com o grupo político que hoje comanda a prefeitura começaram ainda no início do mandato. Ele afirma que enfrentou resistência na disputa pela presidência da Câmara e atribui a interferência ao grupo governista. “Queria fazer um Legislativo que caminhasse com as próprias pernas, e isso incomodou um pouco o prefeito”, declarou.
O ex-vereador também afirma que passou a divergir da administração municipal ao defender que os investimentos deixassem de priorizar o turismo e fossem direcionados aos bairros. Para ele, as críticas à condução do governo também marcaram o rompimento político com o ex-prefeito André Português, de quem é primo. “Hoje eu não tenho relação nenhuma com ele”, afirmou.
Durante a entrevista, Vitinho ampliou as críticas à gestão municipal. Sem apresentar documentos durante a conversa, afirmou que a prefeitura enfrenta elevado endividamento, atraso no pagamento de fornecedores, dificuldades para abastecimento da frota oficial e problemas na manutenção de contratos, incluindo o aluguel social. “Hoje a Prefeitura de Miguel Pereira está totalmente endividada”, declarou. Também classificou como crítica a situação da saúde pública, citando, como exemplo, um caso de atendimento a um paciente vítima de picada de cobra.
O ex-presidente da Câmara também direcionou críticas ao atual funcionamento do Legislativo. Segundo ele, o Executivo exerce influência sobre as decisões dos vereadores. “Hoje eu sou sozinho contra 10 vereadores”, disse, acrescentando que alguns parlamentares teriam votado pela cassação por receio de perder cargos e indicações políticas. As declarações não foram acompanhadas de provas durante a entrevista.
Ao abordar o processo que culminou na cassação, Vitinho relacionou parte do desgaste político à decisão de suspender o pagamento de diárias para viagens de vereadores a Brasília. Segundo ele, a medida foi adotada após tomar conhecimento de uma investigação do Ministério Público sobre esses pagamentos. “Eu não podia continuar uma prática que estava sob suspeita de crime”, afirmou. Ele disse que, como ordenador de despesas, optou por interromper os repasses até obter manifestação do órgão ministerial.
Sobre as acusações que fundamentaram a cassação, Vitinho sustenta que não cometeu irregularidades. Segundo ele, um dos fatos considerados no processo foi a participação de quatro funcionárias de sua empresa particular em uma confraternização promovida pela Câmara. O ex-vereador afirma que utilizou convites aos quais tinha direito e nega que tenha havido favorecimento ou uso indevido de recursos públicos.
Vitinho também questionou a decisão judicial que revogou uma liminar favorável à sua permanência no cargo e informou que seus advogados já ingressaram com recurso. “Tenho muita fé em Deus e tenho certeza de que Ele vai honrar mais uma vez”, declarou. O ex-parlamentar ainda afirmou que apoiadores estariam sendo intimidados por demonstrarem apoio a ele nas redes sociais e classificou o cenário político local como um ambiente de perseguição.
Prefeitura e Câmara não respondem aos questionamentos
A reportagem procurou a Prefeitura de Miguel Pereira para comentar todas as declarações feitas por Vitinho, incluindo as alegações sobre a situação financeira do município, a gestão da saúde, a suposta interferência do Executivo no Legislativo e a acusação de perseguição política. Até o fechamento desta edição, a administração do prefeito Pedro Paulo Sad Coelho, bem como o presidente da Câmara Municipal de Miguel Pereira, vereador Mário Neves, não haviam encaminhado resposta.
Mayra Gomes
Ex-presidente da Câmara recorre da cassação e denuncia perseguição política



Publicar comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.