EUA classificam facções brasileiras como terroristas e Brasil reage

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Foto: Reprodução

País – A decisão do governo norte-americano de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas passou a valer oficialmente nesta sexta-feira (5). Anunciada pelo presidente Donald Trump em 28 de maio, a medida acende um sinal de alerta em Brasília e entre especialistas, que veem na iniciativa riscos concretos à soberania nacional e à estabilidade econômica do Brasil.

O governo brasileiro reagiu com críticas contundentes. Para o Palácio do Planalto, a decisão abre precedente perigoso ao permitir que Washington invoque o combate ao terrorismo como justificativa para interferir em assuntos internos brasileiros. A posição oficial do país é de que o enfrentamento ao crime organizado deve se dar por meio da cooperação internacional, sempre com respeito à soberania dos Estados sobre seus próprios territórios.

A preocupação não é apenas diplomática. Especialistas ouvidos pela Agência Brasil avaliam que a classificação pode ser utilizada como pretexto para intervenções estrangeiras diretas no Brasil, limitando a autonomia do país na condução de suas políticas de segurança pública. Para esses analistas, a medida representa uma tentativa de restringir o espaço de soberania nacional sob o argumento do combate ao terror.

No campo econômico, os alertas também são sérios. Governo e especialistas apontam que as consequências podem se estender ao turismo, aos investimentos estrangeiros, ao comércio exterior e ao sistema financeiro brasileiro — setores sensíveis que respondem diretamente ao nível de confiança e estabilidade percebidos pelo mercado internacional.

O Brasil acompanha os desdobramentos da decisão e mantém sua posição: “cooperação sim, interferência não”, disseram interlocutores do governo brasileiro.

Osmar Neves

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