Entrevista: Rosana Garcia troca o Rio por Penedo e fala da vida longe da TV
Foto: Arquivo Pessoal
Penedo – Atriz de destaque da TV Globo durante décadas Rosana Garcia construiu uma carreira marcada por novelas, especiais e programas infantis que atravessaram gerações. Entre os trabalhos mais lembrados está a personagem Narizinho, do clássico Sítio do Picapau Amarelo, papel que interpretou por cerca de cinco anos e que a transformou em um rosto conhecido da televisão brasileira.
Hoje, longe da rotina intensa do Rio de Janeiro, Rosana vive em Penedo, bairro turístico de Itatiaia, onde decidiu recomeçar a vida mais perto dos filhos e netos. Na região, ela mantém uma rotina voltada à família, à natureza e à arte, seguindo ativa como preparadora de elenco em trabalhos presenciais e virtuais.
A atriz também está envolvida no projeto socioambiental Tekohá, iniciativa desenvolvida junto a escolas da região e voltada à educação ambiental e regeneração da Mata Atlântica.
Em entrevista ao Diário do Vale, Rosana falou sobre a mudança para Penedo, os bastidores da carreira, o carinho do público pela Narizinho, os projetos ambientais e a relação com a irmã, a atriz Isabela Garcia.
DV – Como está sua vida? Está atuando ou envolvida em projetos pessoais?
RG – Estou muito feliz com as minhas escolhas de vida. Há algum tempo mudei do Rio para Penedo, e tenho vivido uma rotina pacata, com tempo para me dedicar à família, a minha casa e a projetos que fazem meu coração bater forte, ligados à dramaturgia e à natureza. Sigo fazendo o trabalho de preparação de elenco, de forma presencial e remota, e quando aparece algo interessante como atriz, também atuo. Estou envolvida em um novo projeto de cinema, mas por enquanto ainda é segredo (risos).
DV – Você hoje mora em Penedo, lugar tranquilo, com muita natureza e paz. Por que dessa escolha?
RG – Me mudei pra cá para ficar mais perto dos meus filhos e netos e também para buscar tranquilidade depois de tantas décadas vivendo no Rio de Janeiro. Além da qualidade de vida aqui, continuo perto do Rio e São Paulo, o que facilita bastante o meu trabalho.
Foto: Reeprodução Redes Sociais
DV – As pessoas ainda te associam ao personagem Narizinho do Sítio do Picapau Amarelo? E você como convive com isso? Gosta do apelido de “eterna Narizinho”?
RG – As pessoas ainda me associam muito à Narizinho de Monteiro Lobato. Foi um trabalho que durou cinco anos no ar e marcou a infância de muita gente. É impossível não ser grata por essa personagem que está no imaginário de tantas pessoas. Como fui a primeira atriz a dar vida a ela, as pessoas me intitulam, muito carinhosamente, de “eterna Narizinho”. Vejo como uma forma carinhosa de dizer que a minha interpretação marcou a vida delas.
DV – Um dos seus projetos está diretamente ligado ao meio ambiente. Conta que projeto é esse?
RG – Sou embaixadora do Tekohá, um projeto socioambiental muito sério e bonito, promovido pelo Instituto Isokoti. São duas vertentes, a educacional e a ambiental, ambas sem fins lucrativos. Amamos tanto essa região que estamos trabalhando para que ela se desenvolva nessas duas áreas essenciais.
Sob a coordenação da etnobióloga Mariana Quinteiro, o Quintal Tekohá cria espaços agroecológicos nas escolas municipais. Através de conhecimentos ancestrais e científicos, ele promove não apenas o desemparedamento infantil, como a interdisciplinaridade. Com envolvimento de toda a comunidade escolar, o Quintal Tekohá planta espécies nativas, priorizando as frutíferas, e constrói instalações que fortalecem o ecossistema ali, como composteira, canteiro de ervas e torre de fauna.
Foto: Luciano Jr.
Já o Berçário Tekohá, que está sob a responsabilidade técnica do engenheiro agrônomo Emilson Diniz, tem foco no plantio de sementes e cultivo de mudas de espécies nativas da Mata Atlântica com objetivo de regenerar a nossa região. O carro-chefe são a araucária e a palmeira juçara, mas também cultivamos espécies secundárias, essenciais para o equilíbrio do ecossistema.
Por serem dois projetos sem fins lucrativos, estamos enfrentando dificuldades para caminhar sozinhos.
DV – A Isabela, sua irmã, está de volta ao horário nobre da Globo. Como é a relação de vocês? Ela te visita muito?
RG – Estou muito contente pela Isabela estar de volta ao horário nobre. Ela é apaixonada pela profissão e sempre foi muito cobrada pelo público para se manter no ar. Nós somos muito próximas, nos falamos quase todo dia. Agora ela está trabalhando bastante, mas sempre que pode ela vem à Penedo, pois um dos seus filhos e dois netos também moram aqui.
Foto: Reprodução Redes Sociais
DV – Como é a Rosana do dia a dia? Que tipo de música curte? O que vê na TV? O que gosta de fazer em Penedo?
RG – Minha rotina aqui no interior é uma delícia. Tenho curtido muito a paz e beleza de Penedo. Quando não estou em atividade no Tekohá, gosto muito de ficar em casa, curtindo minhas plantinhas, lendo. Sou fã de literatura, especialmente de histórias de suspense. Acho que já li toda a obra do Stephen King. Gosto muito de assistir a filmes e séries e, quando estou dirigindo, adoro ouvir MPB. Recentemente descobri uma nova grande paixão, que são os Legos.
DV – Vocês, do Sítio, ainda se falam?
RG – Não tenho muito contato com as pessoas do Sítio. A vida nos levou para caminhos diferentes. Mas ainda falo com alguns pelas redes sociais. Tenho muito carinho por todos.
DV – Que conselho você daria para quem pensa em morar em Penedo?
RG – Penedo ainda é um lugar seguro e tranquilo. Longe da poluição e da violência das cidades grandes. Pra quem curte natureza e boa gastronomia, é o lugar ideal. Ainda merece caminhar em termos de desenvolvimento sustentável, mas os benefícios de se viver aqui superam qualquer carência.
Minhas dicas de passeio são as cachoeiras do Parque Nacional, tomar um sorvete na Casa do Papai Noel, visitar a Galeria Amantikir, que tem uma curadoria de arte brasileira incrível e uma vista da Serra que é de tirar o fôlego, e almoçar no Cozinha Amantikir. São lugares imperdíveis para moradores e visitantes.
luciano junior
Entrevista: Rosana Garcia troca o Rio por Penedo e fala da vida longe da TV



