E se, no segundo semestre, você parasse de provar que dá conta de tudo?
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Paty Lee é Professora, Terapeuta, Palestrante e Escritora
@profpatylee
Por Paty Lee – Talvez você não precise de mais força. Talvez precise apenas de um pouco de espaço para respirar. Porque, sinceramente, talvez já estejamos cansadas de tantas regras sobre como uma mulher deve ser. Cansadas das sugestões sobre como devemos agir, superar, recomeçar e seguir em frente. Cansadas de ouvir que precisamos ser fortes, resilientes, determinadas e capazes de dar conta de tudo. E se, por alguns instantes, nós não quisermos provar nada? E se simplesmente quisermos respirar?
Chegamos ao segundo semestre do ano. Talvez seja hora de diminuir o passo e perceber como chegamos até aqui. Quantas responsabilidades assumimos? Quantas vezes dissemos “eu dou conta”, mesmo quando, por dentro, tudo o que queríamos era parar um pouco?
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Existe uma cobrança silenciosa para que a mulher seja forte o tempo inteiro. Ela precisa trabalhar, cuidar, acolher, resolver, estar disponível e ainda fazer tudo isso com um sorriso no rosto. Mas será que precisamos ser fortes o tempo todo?
Talvez tenhamos romantizado demais a mulher que aguenta tudo. Aquela que não reclama, que sempre encontra uma solução e raramente diz “não posso”. Só esquecemos de uma coisa: mulheres não são máquinas. Somos seres humanos. Temos limites, emoções, dias bons e dias difíceis. Precisamos de descanso, silêncio e, algumas vezes, simplesmente de um tempo para nós mesmas.
E quando uma mulher decide parar, muitas vezes ela é julgada. Se fica quieta, alguém pergunta o que aconteceu. Se se afasta, alguém acredita que está magoada. Se começa a dizer “não”, pode ser considerada egoísta. Se diminui o ritmo, logo surge a impressão de que existe algum problema.
Mas talvez ela realmente não seja mais a mesma. E isso não é necessariamente ruim.
A vida nos transforma. As experiências, as dores, os encontros, as perdas e as descobertas mudam aquilo que queremos e aquilo que aceitamos. Nem todo afastamento é uma crise. Às vezes, é apenas uma pausa.
Às vezes, precisamos ficar um pouco sozinhas para ouvir aquilo que o barulho da rotina não nos permitia escutar. Precisamos recalcular a rota, rever escolhas, reorganizar sentimentos e descobrir novamente o que faz sentido para nós. E isso também é cuidado.
Existe uma diferença enorme entre desistir e parar para respirar. Desistir é abandonar o caminho. Parar para respirar pode ser justamente aquilo que nos permite continuar.
Quantas mulheres estão tão ocupadas cuidando de todo mundo que já não sabem responder quando alguém pergunta: “Mas e você? O que você quer?”. Quantas aprenderam a perceber as necessidades de todos, mas sentem culpa quando precisam cuidar das próprias?
A saúde emocional também passa pela capacidade de reconhecer limites. E reconhecer limites não é fraqueza. É maturidade.
Talvez este segundo semestre seja um convite para olhar para a própria vida com honestidade e perguntar: “O que ainda faz sentido para mim?”
Algumas metas precisarão ser retomadas. Outras, modificadas. Algumas relações continuarão fazendo parte da caminhada. Outras talvez precisem de distância. Alguns sonhos continuarão vivos. Outros podem ter mudado de forma. E tudo bem.
Recalcular a rota não significa fracassar. Significa perceber que, durante o caminho, nós também mudamos.
Por isso, há momentos em que precisamos diminuir o ritmo, dizer não ou nos afastar. E não precisamos transformar cada pausa em uma explicação pública.
Nem todo silêncio é tristeza. Nem todo afastamento é rejeição. Nem toda mudança significa que existe um problema. Às vezes, é só uma mulher tentando voltar para si.
Talvez uma das maiores violências que cometemos contra nós mesmas seja acreditar que precisamos provar o tempo inteiro que somos capazes de suportar tudo. Não precisamos.
Podemos ser fortes e cansadas. Podemos amar e precisar de espaço. Podemos cuidar dos outros e também escolher cuidar de nós. Isso não nos torna menos generosas, menos profissionais, menos amigas, menos mães ou menos mulheres. Isso nos torna humanas.
Por isso, se você chegou ao segundo semestre sentindo que precisa parar um pouco, não se culpe. Respire. Olhe para sua trajetória. Perceba o quanto você já carregou. E, se for necessário, deixe algumas coisas pelo caminho. Nem tudo precisa continuar sendo levado apenas porque um dia fez sentido.
Você não precisa provar que dá conta de tudo. Não precisa justificar cada silêncio. Não precisa estar disponível o tempo inteiro. E não precisa ter uma grande crise para merecer uma pausa.
Às vezes, parar é apenas uma forma de dizer a si mesma: “Eu também importo.”
Talvez o segundo semestre não precise ser sobre fazer mais. Talvez possa ser sobre fazer sentido.
Porque há momentos em que parar não é desistir.
É se escutar. É respirar. É se reencontrar. É recalcular a rota.
E continuar, mas dessa vez, na direção de si mesma.
Carol Berg
E se, no segundo semestre, você parasse de provar que dá conta de tudo?





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