Dino aponta Mário Frias como possível líder em desvio de emendas

Foto: Roberto Castro/Ministério do Turismo
Mário Frias foi secretário especial da Cultura durante o governo Jair Bolsonaro

Brasília – O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), apontou indícios de que o deputado federal Mário Frias teria exercido uma posição de liderança na suposta estrutura de desvio de recursos de emendas parlamentares. Segundo o ministro, parte do dinheiro público teria sido direcionada para financiar o filme Dark Horse, produção que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A conclusão consta de despacho publicado neste domingo (13), no âmbito da investigação conduzida por Dino sobre possíveis irregularidades na execução de emendas parlamentares. As informações analisadas pelo ministro incluem dados encaminhados pela Justiça de São Paulo.

Segundo Dino, documentos reunidos na investigação fazem referência reiterada a Frias e apontariam, em tese, para sua participação na estruturação do esquema. O ministro ressalvou que se trata de uma hipótese investigativa que ainda precisa ser esclarecida.

Operação Make Up

A suspeita ganhou força após a análise de elementos obtidos durante a Operação Make Up, autorizada por Dino e deflagrada pela Polícia Federal na última quinta-feira (10).

A operação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Entre os alvos estavam Mário Frias, que foi secretário especial da Cultura durante o governo Bolsonaro, e a empresária Karina Gama. Frias também aparece como um dos roteiristas de Dark Horse.

Relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU) apontaram possíveis irregularidades na destinação de R$ 2 milhões em emendas parlamentares indicadas por Frias para duas entidades ligadas a Karina Gama: o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC).

Em manifestação à Agência Brasil, a Prefeitura de São Paulo afirmou que não identificou irregularidades nos serviços prestados pelo Instituto Conhecer Brasil. Segundo a administração municipal, o programa WiFi Livre permanece em funcionamento, com 3,2 mil pontos instalados e mais de 760 milhões de acessos.

A prefeitura também afirmou que os serviços contratados foram prestados e submetidos a prestações de contas semestrais.

Suspeita de ligação com o PCC

O despacho de Dino aponta ainda para uma possível conexão entre o esquema investigado e pessoas ou organizações relacionadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Conforme o ministro, os elementos enviados pela Justiça paulista indicariam a existência de uma estrutura de corrupção envolvendo recursos públicos, em especial emendas parlamentares federais e verbas relacionadas à Prefeitura de São Paulo.

A investigação considera a possibilidade de que essa estrutura tenha alcançado integrantes ou organizações ligadas à facção criminosa. As suspeitas ainda são objeto de apuração.

A Agência Brasil informou ter procurado a assessoria de Mário Frias, mas não havia recebido resposta até a publicação da reportagem.

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Carol Berg

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