Dengue: calor e chuva colocam Volta Redonda em alerta máximo

Volta Redonda — A combinação de temperaturas elevadas e chuvas frequentes voltou a colocar Volta Redonda em alerta para o risco de proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e Zika. A Secretaria Municipal de Saúde intensificou as orientações preventivas à população para evitar que o município volte a enfrentar um cenário de aumento expressivo de casos. O alerta ganha importância diante das consequências da epidemia de 2024, quando a dengue provocou quase 6 mil mortes no Brasil e mais de 230 no estado do Rio de Janeiro. O risco de uma nova crise exige atenção do poder público e, principalmente, a colaboração dos moradores na eliminação dos criadouros.

O Departamento de Vigilância Ambiental de Volta Redonda destaca que o período de calor e chuvas favorece a reprodução do mosquito. Pequenos recipientes com água acumulada, muitas vezes esquecidos nos quintais e dentro das residências, podem se transformar em locais de reprodução do Aedes aegypti.

A preocupação é impedir que o aumento da população de mosquitos provoque uma nova onda de infecções, internações e mortes.

Embora os números nacionais tenham apresentado redução em 2026, o histórico recente demonstra que a situação pode mudar rapidamente quando as condições ambientais favorecem a transmissão.

Brasil registrou quase 6 mil mortes em 2024

 

O Brasil enfrentou em 2024 a maior epidemia de dengue de sua história recente. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde no início de 2025 apontavam 6.484.890 casos prováveis e 5.972 mortes confirmadas referentes àquele ano.

O número representou uma das mais graves crises sanitárias provocadas pela doença no país, com forte pressão sobre hospitais, unidades de emergência e serviços de saúde.

No estado do Rio de Janeiro, a situação também foi crítica. Segundo balanço divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde em janeiro de 2025, o território fluminense registrou 302.316 casos prováveis, 9.703 internações e 232 mortes por dengue em 2024.

O estado chegou a decretar epidemia em fevereiro daquele ano, diante do crescimento acelerado das notificações.

Os números mostram que a dengue não pode ser tratada como uma doença de consequências leves. A infecção pode evoluir rapidamente para quadros graves, especialmente quando há demora na identificação dos sinais de alerta e na procura por atendimento médico.

 

Casos caíram em 2026, mas risco permanece

 

Apesar da gravidade registrada em anos anteriores, o Brasil apresentou redução dos casos de dengue em 2026.

Segundo balanço divulgado pelo Ministério da Saúde em outubro, o país havia contabilizado aproximadamente 470,5 mil casos prováveis até 26 de setembro, uma redução de cerca de 70% em comparação com o mesmo período de 2025, quando foram registrados aproximadamente 1,5 milhão.

A queda, entretanto, não significa que o risco tenha desaparecido.

Levantamento nacional divulgado neste mês apontou que 49% dos municípios avaliados estavam em situação de alerta ou risco para infestação pelo Aedes aegypti.

O Ministério da Saúde também advertiu estados e municípios sobre a possibilidade de aumento das arboviroses em razão das condições climáticas associadas ao fenômeno El Niño.

Projeções elaboradas pelo InfoDengue, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), indicam que o Brasil poderá registrar cerca de 1,7 milhão de casos de dengue em 2027. Trata-se de uma estimativa, sujeita a alterações conforme as condições climáticas e epidemiológicas.

O cenário reforça a necessidade de ampliar a prevenção antes da chegada dos meses mais quentes.

 

Prefeitura reforça orientações aos moradores

 

Em Volta Redonda, o Departamento de Vigilância Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde está reforçando as recomendações para evitar a formação de criadouros do mosquito.

O coordenador da Vigilância Ambiental, Silmar Ferreira Gomes, destaca que a participação dos moradores é fundamental para reduzir a circulação do Aedes aegypti.

“A colaboração de cada morador é essencial para reduzirmos a proliferação do mosquito e os casos da doença. São pequenas atitudes no dia a dia que fazem toda a diferença no combate ao Aedes aegypti”, afirmou.

A orientação é que os moradores façam inspeções frequentes dentro de casa, nos quintais, garagens e demais áreas externas.

A atenção deve ser redobrada após períodos de chuva, quando objetos expostos podem acumular água.

Entre os principais pontos que precisam ser verificados estão vasos de plantas, bebedouros de animais, ralos, calhas, caixas d’água, garrafas, lonas e bandejas coletoras de água de geladeiras.

A Vigilância Ambiental destaca que não basta apenas retirar a água de determinados recipientes. A limpeza das superfícies também é importante para remover possíveis ovos do mosquito.

 

Pequenos descuidos podem provocar grandes problemas

 

Uma das principais preocupações das autoridades sanitárias é a presença de criadouros dentro dos imóveis.

Pratinhos de vasos de plantas, por exemplo, devem ser eliminados sempre que possível. Caso sejam mantidos, precisam ser lavados regularmente com esponja para retirar os ovos que possam estar aderidos às superfícies.

Os recipientes utilizados para fornecer água aos animais também exigem atenção. A água deve ser trocada diariamente, e os bebedouros precisam ser lavados pelo menos uma vez por semana.

Outro ponto frequentemente esquecido é a bandeja coletora de água localizada na parte traseira de determinados modelos de geladeira.

Ralos internos e externos também devem passar por inspeção semanal, principalmente aqueles que permanecem sem utilização por longos períodos.

Nas áreas descobertas, lonas, plásticos e outros materiais precisam ser armazenados de maneira adequada para evitar o acúmulo de água.

As calhas devem permanecer desobstruídas, enquanto as caixas d’água precisam estar bem vedadas.

A prefeitura orienta ainda que os moradores verifiquem as tampas dos reservatórios após chuvas e ventos fortes, que podem deslocar a proteção e permitir a entrada do mosquito.

 

A dengue pode voltar a matar

 

O histórico da epidemia de 2024 demonstra que a redução dos casos em determinado período não elimina a possibilidade de novos surtos.

O aumento da população de mosquitos, associado à circulação dos vírus e à presença de pessoas suscetíveis à infecção, pode favorecer uma nova elevação das notificações. Além das ações desenvolvidas pelo poder público, a prevenção depende da manutenção dos cuidados dentro das residências.

O combate ao Aedes aegypti precisa ocorrer continuamente, e não apenas quando o município registra aumento dos casos.

A Secretaria Municipal de Saúde reforça que a eliminação dos criadouros é uma das principais medidas para impedir a reprodução do mosquito.

 

Sintomas exigem atenção

 

A dengue pode provocar febre alta, dores no corpo, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, manchas avermelhadas na pele, náuseas e cansaço intenso.

Em situações mais graves, podem surgir dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura e sinais de desidratação.

Pessoas com sintomas suspeitos devem procurar atendimento médico, especialmente diante de sinais de agravamento.

A automedicação também representa um risco. Medicamentos como ácido acetilsalicílico e determinados anti-inflamatórios devem ser evitados em casos suspeitos de dengue, devido ao aumento do risco de sangramentos.

 

Prevenção precisa começar agora

 

A principal mensagem da Vigilância Ambiental de Volta Redonda é que o combate à dengue deve ser realizado antes que os casos aumentem.

A experiência nacional e estadual mostra que uma epidemia pode provocar milhares de internações e mortes, além de comprometer o funcionamento dos serviços de saúde. Com a chegada de um período mais favorável à reprodução do mosquito, a colaboração da população será decisiva para evitar que o município enfrente novamente as consequências de uma doença que já deixou milhares de vítimas no país.

 

O tamanho da dengue no Brasil e no Rio

Brasil — epidemia de 2024

  • 6.484.890 casos prováveis.
  • 5.972 mortes confirmadas no balanço divulgado no início de 2025.

Estado do Rio — 2024

  • 302.316 casos prováveis.
  • 9.703 internações.
  • 232 mortes.

Brasil — 2026

  • 470,5 mil casos prováveis até 26 de setembro.
  • Redução aproximada de 70% em relação ao mesmo período de 2025.
  • 49% dos municípios avaliados em situação de alerta ou risco para infestação.

Projeção para 2027

  • Cerca de 1,7 milhão de casos de dengue no Brasil, segundo estimativa divulgada pelo Ministério da Saúde.

BOX | Dez minutos podem fazer a diferença

Confira os cuidados recomendados pela Vigilância Ambiental:

  1. Elimine a água acumulada nos vasos de plantas.
  2. Lave os bebedouros dos animais regularmente.
  3. Verifique as bandejas coletoras das geladeiras.
  4. Limpe e mantenha protegidos os ralos.
  5. Guarde lonas e plásticos em locais cobertos.
  6. Mantenha garrafas com a boca para baixo.
  7. Retire folhas e sujeira das calhas.
  8. Verifique se as caixas d’água estão bem tampadas.
  9. Inspecione quintais e áreas externas após as chuvas.
  10. Repita os cuidados semanalmente.

 

O post Dengue: calor e chuva colocam Volta Redonda em alerta máximo apareceu primeiro em Diário do Vale.

Vinicius

Dengue: calor e chuva colocam Volta Redonda em alerta máximo


Translate »