Data-base: Após dois fracassos, CSN e sindicato têm nova rodada de negociações
Volta Redonda – Dirigentes da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) e do Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense se reencontram na quinta-feira (21), na sede da siderúrgica, na Vila Santa Cecília, para a terceira rodada de negociação do ACT (Acordo Coletivo de Trabalho) 2026/2027. As duas rodadas anteriores terminaram sem acordo, com posições ainda distantes entre empresa e trabalhadores.
O processo começou em março, quando os metalúrgicos aprovaram em assembleia, na Praça Juarez Antunes, em Volta Redonda, a pauta de reivindicações da Campanha Salarial 2026. Entre as principais exigências do sindicato está o reajuste salarial acrescido do INPC pleno, apurado no período de maio de 2025 a abril de 2026. Além da recomposição inflacionária, a categoria reivindica ganho real de aproximadamente 4,2% acima do INPC, além de avanços em benefícios e condições de trabalho. Segundo o sindicato, cerca de 12 mil trabalhadores serão impactados com o acordo coletivo. A data base foi prorrogada até 31 de maio, depois dessa data as negociações podem chegar ao Mistério do Trabalho.
Na segunda rodada, realizada no dia 6 de maio, a CSN apresentou proposta de reajuste de 2% para trabalhadores que recebem até R$ 5 mil (sem imposto de renda) — incluindo técnicos e supervisores — e de 1% para quem recebe acima desse valor. A proposta também incluía abono equivalente a 2,23 salários para trabalhadores operacionais, pago em duas parcelas em junho e novembro de 2026, cartão extra de banco de horas no valor de R$ 900 dividido em duas parcelas e manutenção dos benefícios atuais. Segundo o sindicato, cerca de 60% dos trabalhadores da UPV ganham em média de R$ 2,3 mil a R$ 2,5 mil.
O sindicato rejeitou a proposta na própria mesa, classificando-a como inadmissível por não contemplar sequer a reposição das perdas inflacionárias.
Para efeito de comparação, no acordo coletivo anterior, de 2025, a CSN concedeu reajuste de 5,85% para salários até R$ 5 mil e 4% para salários acima desse valor. Segundo o sindicato, a proposta desta rodada representa uma queda expressiva em relação ao acordo vigente.
O presidente do sindicato, Odair Mariano, reforçou a posição da categoria. “Não aceitaremos retrocessos. A proposta da CSN não garante sequer a reposição da inflação. Nossa luta é por valorização e justiça para os trabalhadores”, afirmou. Odair está na expectativa de que na reunião de quinta-feira a empresa apresente uma nova proposta com avanços nas cláusulas econômicas. “Nenhuma decisão será tomada sem votação em assembleia pelos trabalhadores”, disse.
O diretor-financeiro do Sindicato dos Metalúrgicos, Alex Clementino, espera que essa negociação se encerre nesta quinta-feira. “Esperamos o acordo seja aprovada na mesa para levarmos para votação na próxima semana”, disse.
No primeiro trimestre de 2026, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) registrou um prejuízo líquido de R$ 555 milhões, o que representa uma redução de 24,2% nas perdas em relação ao mesmo período do ano anterior. Em 2022, os funcionários cruzaram os braços por conta da ausência do pagamento dos 30% de periculosidade no Departamento da GMC (Gerência de Manutenção Geral), no setor de andaimes.
Procurada pela reportagem, a CSN informou que não irá se manifestar sobre as negociações.
Vinicius
Data-base: Após dois fracassos, CSN e sindicato têm nova rodada de negociações






Publicar comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.