CSN reduz produção de minério em MG após alta do frete marítimo
Foto: Divulgação
São Paulo – A disparada do frete marítimo entre Brasil e China tem relação direta com a decisão da CSN Mineração de reduzir temporariamente a produção de minério de ferro de baixa qualidade no complexo de Pires, em Ouro Preto (MG). A própria companhia informou nesta terça-feira (29) que a medida foi tomada diante de um mercado mais apertado e pressionado pelo aumento do custo do transporte.
A decisão atinge a Planta de Beneficiamento a Seco do complexo. Como consequência, somada à expectativa de menores compras de minério de terceiros, a companhia reduziu sua projeção de produção e compras em 2026 de 45 milhões a 47 milhões de toneladas para 39 milhões a 41 milhões.
Considerando o ponto médio das duas projeções, a expectativa cai de 46 milhões para 40 milhões de toneladas — uma redução de aproximadamente 6 milhões de toneladas, ou 13%. A CSN ressalta, porém, que a paralisação é temporária e poderá ser revertida caso as condições de mercado voltem a proporcionar margens melhores para o minério de menor qualidade.
Frete pesa na conta
A decisão ocorre em um momento de forte encarecimento do transporte marítimo de minério. No início de setembro, a rota Capesize C3, que liga o Brasil a Qingdao, na China, chegou a US$ 40,72 por tonelada, aproximadamente o dobro dos níveis considerados normais por analistas ouvidos pela Reuters.
Em 14 de setembro, o custo alcançou US$ 42,12 por tonelada, próximo dos maiores níveis desde 2021. Ao mesmo tempo, os contratos futuros de minério permaneceram majoritariamente abaixo de US$ 100 por tonelada desde julho. Essa combinação reduz o valor efetivamente recebido pelos produtores brasileiros e comprime as margens, principalmente nos produtos de menor valor agregado.
O presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), Carlos Loureiro, dimensionou a pressão na semana passada. Segundo ele, o frete estava em torno de US$ 40 por tonelada, aproximadamente 80% acima do nível observado no início do ano, enquanto o minério permanecia próximo de US$ 100 por tonelada.
Por que o minério de menor qualidade sofre mais
O impacto sobre o minério de baixa qualidade pode ser maior porque o custo do transporte representa uma parcela mais elevada do valor final da carga. Com o frete caro e o preço internacional pressionado, a margem entre produzir, transportar e vender determinados produtos diminui.
A pressão não é exclusiva da CSN. Neste mês, a Mineração Usiminas suspendeu operações na planta de Samambaia, em Minas Gerais, citando, entre outros fatores, preços mais baixos do minério e aumento do frete marítimo. A Itaminas também anunciou redução de atividades para preservar caixa.
Entre os fatores apontados para a escalada dos fretes estão combustíveis mais caros, problemas climáticos no Pacífico, menor disponibilidade de navios e maior demanda por embarcações para transportar minério de ferro.
Custo da CSN também sobe
A redução do volume terá outro efeito nas contas da CSN Mineração. A companhia elevou a projeção de custo caixa C1, indicador que mede os custos diretos da produção, de uma faixa entre US$ 22 e US$ 23,50 por tonelada para US$ 25 a US$ 26 por tonelada em 2026.
No ponto médio, o avanço é de US$ 22,75 para US$ 25,50 por tonelada, aumento de cerca de 12%.
A CSN deixou claro que a medida não é definitiva. A produção de minério de menor qualidade poderá ser retomada quando a combinação entre preço da commodity, frete e demais condições de mercado voltar a garantir margens consideradas adequadas.
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Mayra Gomes
CSN reduz produção de minério em MG após alta do frete marítimo




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