CSN recebe propostas por cimenteira com valores podendo superar R$ 11 bilhões
Foto: Divulgação/CSN
CSN Cimentos tem produção estimada em 17 milhões de toneladas e receita líquida estimada em 2025 no valor de R$ 4,9 milhões
Volta Redonda – A primeira semana de agosto será decisiva para o futuro da CSN Cimentos. A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) receberá até o início do próximo mês as propostas vinculantes — definitivas — dos grupos interessados na compra da cimenteira, considerada hoje o principal ativo colocado à venda pela empresa dentro de seu plano de redução do endividamento. A data oficial para abertura das propostas é 7 de agosto.
A expectativa da companhia é assinar o contrato ainda no terceiro trimestre deste ano, após a definição do vencedor da disputa. O negócio depende posteriormente da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
A venda da CSN Cimentos é a principal iniciativa do programa de desinvestimentos anunciado pelo grupo no início de 2026. A empresa pretende arrecadar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões com a venda de ativos e utilizar os recursos para reduzir a dívida líquida, que fechou o primeiro trimestre em R$ 40,5 bilhões. Somente a operação envolvendo a cimenteira pode movimentar mais de R$ 11 bilhões, embora a companhia busque uma avaliação entre R$ 13 bilhões e R$ 14 bilhões. O mercado trabalha com ofertas entre R$ 10 bilhões e R$ 12 bilhões.
A venda da CSN Cimentos é assessorada principalmente pelo banco Morgan Stanley, contando também com o apoio do Santander na coordenação do processo e de um sindicato mais amplo de instituições financeiras envolvidas na reestruturação de crédito do grupo.
Cinco empresas seguem na disputa
Cinco grupos chegaram à fase final do processo de venda. Entre eles estão a brasileira Votorantim Cimentos, líder do mercado nacional, e a Polimix, dona da marca Mizu.
Também participam da disputa as chinesas Huaxin Cement e Sinoma International, além da italiana Italcementi, pertencente ao grupo Heidelberg Materials. Segundo a CSN, o processo reúne empresas do Brasil, da Ásia e da Europa, refletindo o interesse internacional pelo ativo.
A CSN Cimentos nasceu a partir das fábricas de Volta Redonda e Arcos (MG), mas ganhou escala nacional a partir de 2021, quando a companhia iniciou um ciclo de aquisições.
Primeiro, comprou a Elizabeth Cimentos por R$ 1,08 bilhão. Na sequência, adquiriu todos os ativos brasileiros da Holcim por aproximadamente R$ 5,5 bilhões, tornando-se a segunda maior produtora de cimento do país, com cerca de 18% de participação no mercado brasileiro.
Hoje, a empresa possui sete fábricas integradas, capacidade instalada de 17 milhões de toneladas por ano e projetos que podem ampliar a produção em outros 12 milhões de toneladas. Em 2025, registrou receita líquida de R$ 4,9 bilhões e Ebitda de R$ 1,29 bilhão, o melhor desempenho de sua história.
Venda busca reduzir peso da dívida
Embora a unidade apresente resultados positivos, a direção da CSN decidiu colocá-la à venda para reforçar o caixa e reduzir o elevado custo financeiro da companhia.
A dívida líquida do grupo alcançou R$ 40,5 bilhões ao fim do primeiro trimestre deste ano. Com a conclusão da venda, a expectativa é reduzir significativamente o endividamento e as despesas anuais com juros, fortalecendo a estrutura financeira da empresa.
Carol Berg
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