CSN reavalia venda de participação na MRS e em terminais portuários

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Prédio da MRS na Av. Faria Lima em São Paulo – Foto: CSN

Volta Redonda – A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) está reavaliando seu plano de venda de ativos de infraestrutura e considera negociar separadamente participações na MRS Logística e em terminais portuários. A mudança ocorre após o avanço das negociações para a venda da CSN Cimentos à chinesa Huaxin Building Materials, em uma operação avaliada em R$ 12,7 bilhões.

As informações foram divulgadas pelo Pipeline, do Valor Econômico. Segundo a publicação, a companhia, sediada em Volta Redonda, inicialmente pretendia vender participações minoritárias de 20% a 30% em um conjunto de negócios de infraestrutura, estimado em aproximadamente US$ 1 bilhão. O interesse de investidores por ativos específicos, no entanto, levou à avaliação de negociações individuais.

Entre os ativos considerados estão a participação na MRS Logística, empresa responsável por uma importante malha ferroviária de transporte de cargas do país, e o Tecon, terminal de contêineres localizado no Porto de Itaguaí. A carteira também inclui o Tecar, terminal de cargas e granéis sólidos, a Tora Logística e outras estruturas rodoviárias e ferroviárias ligadas ao grupo.

Venda da cimenteira altera cenário

A negociação com a Huaxin é um dos fatores que levaram a CSN a rever a necessidade de vender outros negócios. A companhia concedeu exclusividade à empresa chinesa para avançar nas tratativas envolvendo a CSN Cimentos, com valor empresarial de referência de R$ 12,7 bilhões. A expectativa informada é de que a transação avance até 10 de novembro, mas a conclusão depende da formalização dos acordos e do cumprimento das condições aplicáveis.

Paralelamente, a CSN acertou a venda da siderúrgica alemã SWT por 550 milhões de euros, valor equivalente a aproximadamente R$ 3,1 bilhões.

As duas operações somam valores de referência próximos de R$ 16 bilhões, mas esse montante não representa necessariamente o valor líquido que será incorporado ao caixa da companhia.

O plano de desinvestimentos da CSN tinha como meta levantar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões para reduzir a dívida e melhorar os indicadores financeiros. No segundo trimestre, a relação entre dívida líquida e Ebitda da empresa estava em 3,49 vezes.

Interesse de investidores

O processo de venda de ativos atraiu fundos internacionais especializados em infraestrutura, entre eles a gestora americana I Squared e a Global Infrastructure Partners (GIP), ligada à BlackRock. Também há interesse de investidores estratégicos, como a Multiterminais, que opera os terminais MultiRio e MultiCar, no Rio de Janeiro.

As propostas recebidas envolvem tanto participações em conjuntos de ativos quanto negócios específicos, ampliando as alternativas em análise pela companhia.

MRS tem operações no Sul Fluminense

A possível negociação de uma participação na MRS tem importância para o Sul Fluminense, já que a ferrovia integra a estrutura de transporte de matérias-primas e produtos industriais da região, conectando polos econômicos e portuários do Sudeste.

A empresa mantém operações ferroviárias em Barra Mansa e Volta Redonda, municípios diretamente ligados à atividade siderúrgica e logística da CSN.

Uma eventual venda de participação acionária não significa necessariamente transferência do controle da MRS ou mudanças imediatas em suas operações. O formato de uma possível transação ainda está em avaliação.

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luciano junior

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