CSN eleva receita e EBITDA no 2º trimestre, mas dívida supera R$ 42 bilhões

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Foto: Divulgação
Companhia registrou receita líquida de R$ 11,3 bilhões, EBITDA ajustado de R$ 2,77 bilhões e prejuízo líquido de R$ 773,1 milhões entre abril e junho

Volta Redonda – A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) encerrou o segundo trimestre de 2026 com melhora significativa de seus principais indicadores operacionais, especialmente na siderurgia, mas ainda pressionada pelo elevado endividamento e pelas despesas financeiras. A companhia registrou receita líquida de R$ 11,3 bilhões, EBITDA ajustado de R$ 2,77 bilhões e prejuízo líquido de R$ 773,1 milhões entre abril e junho.

Os números constam do balanço do 2T26 divulgado pela empresa nesta quarta-feira (12). A receita avançou 6,6% em relação ao primeiro trimestre e 5,7% na comparação com o mesmo período de 2025. No primeiro semestre, o faturamento líquido chegou a R$ 21,9 bilhões, crescimento de 1,4% sobre os seis primeiros meses do ano passado.

Um dos indicadores mais acompanhados pelo mercado, o EBITDA ajustado, que mede a capacidade operacional de geração de resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, chegou a R$ 2,77 bilhões. O resultado representa crescimento de 4,8% sobre o primeiro trimestre e de aproximadamente 5% na comparação anual. A margem EBITDA ficou em 23,4%.

A fotografia do trimestre, portanto, mostra duas realidades. Operacionalmente, a CSN avançou. Financeiramente, a estrutura de capital continua sendo o principal ponto de atenção. A companhia fechou junho com dívida líquida de R$ 42,14 bilhões e relação dívida líquida/EBITDA de 3,49 vezes, acima das 3,36 vezes registradas ao fim do primeiro trimestre. A própria CSN atribuiu a variação, entre outros fatores, à amortização de contratos de pré-pagamento da mineração, ao aporte no projeto da Transnordestina e ao efeito cambial.

Prejuízo chega a R$ 773 milhões

Apesar da evolução operacional, a CSN terminou o trimestre no vermelho. O prejuízo líquido alcançou R$ 773,1 milhões, contra prejuízo de R$ 555 milhões no primeiro trimestre. No acumulado do primeiro semestre, as perdas chegaram a aproximadamente R$ 1,3 bilhão, ante prejuízo de R$ 862 milhões no mesmo intervalo de 2025.

O principal fator que ajuda a explicar essa diferença entre a melhora da operação e o prejuízo está no resultado financeiro. A CSN contabilizou resultado financeiro negativo de R$ 1,84 bilhão, pressionado especialmente pelas despesas financeiras e pelos efeitos da oscilação cambial.

Em contrapartida, um indicador importante apresentou melhora: o fluxo de caixa livre ficou positivo em R$ 808,1 milhões. A reversão da queima de caixa foi favorecida pela liberação de capital de giro, redução de estoques e pelas captações realizadas durante o trimestre, principalmente por meio do empréstimo-ponte (bridge loan).

A companhia também mantém um colchão relevante de liquidez. Ao final de junho, possuía aproximadamente R$ 15,4 bilhões em disponibilidades, montante que, segundo a administração, é suficiente para cobrir seus compromissos financeiros de curto prazo.

Siderurgia reage e vendas de aço crescem 16,7%

Para Volta Redonda e o Sul Fluminense, um dos números mais importantes do balanço está justamente na recuperação da siderurgia e no desempenho da Usina Presidente Vargas (UPV).

As vendas de aço da CSN alcançaram 1,182 milhão de toneladas, crescimento de 5,9% frente ao primeiro trimestre e de 16,7% sobre o 2T25. Somente no mercado brasileiro foram comercializadas 825 mil toneladas, avanço de 7,5% no trimestre e de 9,9% em um ano. Foi a primeira vez desde o quarto trimestre de 2024 que as vendas domésticas superaram 800 mil toneladas.

A CSN relaciona parte dessa recuperação às medidas antidumping adotadas pelo Brasil e à redução da entrada de aço importado. Segundo a companhia, a mudança no ambiente competitivo permitiu aos produtores nacionais recuperar participação no mercado doméstico.

No mercado externo, as vendas chegaram a 357 mil toneladas, crescimento de 36,1% em relação ao segundo trimestre de 2025.

O efeito apareceu diretamente na rentabilidade da siderurgia. O EBITDA ajustado do segmento saltou para R$ 636,3 milhões, crescimento de 61,7% sobre o primeiro trimestre e de 9,5% na comparação anual. A margem EBITDA passou de 7% para 10,5%, retornando ao patamar de dois dígitos.

UPV reduz placas, mas aumenta laminados

A produção da UPV apresentou comportamento distinto entre os produtos. A fabricação de placas atingiu 741 mil toneladas, recuo de 3% frente ao primeiro trimestre e de 6% em um ano. A companhia relacionou a redução ao programa de diminuição de estoques e à parada de manutenção do alto-forno.

Já a produção de aços laminados planos, principal mercado da CSN, chegou a 787 mil toneladas, crescimento de 10,4% no trimestre e de 3,3% sobre o mesmo período do ano passado. A produção de aços longos ficou praticamente estável, em 62 mil toneladas.

O custo da placa, entretanto, aumentou 3,2% no trimestre, para R$ 3.382 por tonelada, pressionado principalmente por carvão, energia e combustíveis.

Mineração vende quase 12 milhões de toneladas

Na mineração, os volumes permaneceram elevados, embora a rentabilidade tenha sido pressionada pelo câmbio e, principalmente, pelo aumento do frete marítimo.

A produção de minério de ferro, incluindo compras de terceiros, alcançou 10,96 milhões de toneladas, alta de 8,9% no trimestre, mas queda de 5,5% em relação ao 2T25. A companhia realizou uma parada programada de 15 dias na mina e no porto durante o período.

As vendas chegaram a 11,85 milhões de toneladas, crescimento de 23% sobre o trimestre anterior e quarto maior volume da história da empresa. Mesmo assim, a receita líquida ajustada da mineração caiu 8,8%, para R$ 2,9 bilhões.

O EBITDA ajustado da mineração ficou em R$ 929,7 milhões, com margem de 32%. A pressão veio principalmente dos custos logísticos e do câmbio.

Cimentos bate recorde

Outro destaque positivo veio da CSN Cimentos, justamente no momento em que o grupo conduz um processo de potencial venda da subsidiária.

O segmento alcançou EBITDA ajustado recorde de R$ 426,9 milhões, com margem de 30,8%, superando novamente o resultado do trimestre anterior. Segundo a CSN, a combinação de sazonalidade favorável, maior atividade comercial e controle de custos permitiu atingir o maior EBITDA da história da operação de cimentos.

A logística também apresentou melhora. O EBITDA ajustado do segmento alcançou R$ 548,2 milhões, avanço de 22,4% frente ao primeiro trimestre, com margem de 45,2%. A logística ferroviária respondeu por R$ 435 milhões desse resultado.

Carol Berg

CSN eleva receita e EBITDA no 2º trimestre, mas dívida supera R$ 42 bilhões


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