CSN confirma recebimento de propostas de gigantes do mercado para CSN Cimentos

São Paulo — A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) confirmou nesta segunda-feira (10) que recebeu propostas vinculantes de potenciais compradores para a totalidade da CSN Cimentos, sua subsidiária no setor de cimentos. Em fato relevante, a companhia informou que já iniciou a análise das ofertas, com assessoria do banco Morgan Stanley. O recebimento das propostas está em linha com o cronograma estipulado para o processo competitivo de venda integral da unidade.
O movimento marca a fase mais avançada de um processo iniciado formalmente em janeiro, quando a CSN comunicou ao mercado sua intenção de estudar a venda do ativo. Diferentemente das ofertas preliminares, as propostas vinculantes só são apresentadas depois que os interessados concluem o processo de ‘due diligence’ e assumem compromisso — inclusive financeiro, via multa em caso de desistência — com os termos apresentados.
Quem disputa o ativo
Embora a CSN não tenha divulgado nomes, apurações recentes da imprensa especializada indicam que o processo chegou à reta final com um grupo restrito de candidatos. Entre os principais nomes apontados estão a chinesa Huaxin Cement, a Votorantim Cimentos — em parceria com a italiana Cementir Holding — e a também brasileira Polimix, maior produtora de concreto do país. Fontes ouvidas pela Reuters destacam que as propostas de Huaxin e do consórcio Votorantim-Cementir devem ser as mais robustas, com expectativa de superar a marca de R$ 10 bilhões.
Valor pode superar R$ 13 bilhões
O aspecto mais observado pelo mercado é o valor final da transação. Levantamentos publicados ao longo do ano mostraram uma distância relevante entre a expectativa da CSN e a avaliação dos compradores: enquanto a companhia buscava algo entre R$ 13 bilhões e R$ 14 bilhões, os interessados trabalhavam inicialmente com valores entre R$ 10 bilhões e R$ 12 bilhões — patamar considerado, por alguns candidatos, elevado frente ao valor de mercado da própria CSN, hoje ao redor de R$ 8 bilhões.
Reportagens mais recentes, no entanto, sugerem que a diferença vem diminuindo à medida que o apetite dos concorrentes chineses eleva o patamar da disputa, com estimativas de fechamento entre R$ 12 bilhões e R$ 13 bilhões — bem acima da avaliação inicial de R$ 10 bilhões atribuída ao ativo no começo do processo.
Por que a venda importa para a CSN
A operação é vista como peça central da estratégia de redução de endividamento anunciada pela companhia para 2026, que prevê desalavancagem entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões via venda de ativos relevantes. A CSN encerrou o primeiro trimestre com relação dívida líquida/Ebitda de 3,36 vezes — patamar que a empresa tenta reduzir há anos — e dívida líquida de R$ 40,5 bilhões, com um custo financeiro de quase R$ 6,5 bilhões em juros no último ano.
A CSN Cimentos, formada a partir de uma sequência de aquisições, tornou-se a segunda maior produtora de cimento do país, com sete fábricas e capacidade instalada de 16,3 milhões de toneladas por ano. No primeiro trimestre, a divisão registrou o melhor resultado da sua história, com receita de R$ 1,2 bilhão (alta de 14% na comparação anual) e Ebitda ajustado de R$ 392,5 milhões — avanço de 62,7% em relação a igual período de 2025.
Próximos passos
A expectativa do mercado é que a assinatura do contrato de venda ocorra ainda no terceiro trimestre de 2026, conforme sinalizado anteriormente pela própria diretoria financeira da companhia. A CSN não indicou, no fato relevante desta segunda-feira, se abrirá um período de negociação exclusiva com algum dos concorrentes remanescentes, informando apenas que manterá o mercado atualizado sobre novos desdobramentos.
Osmar Neves
CSN confirma recebimento de propostas de gigantes do mercado para CSN Cimentos



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